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Chiara
Gadaleta
Em
seu mundo de móveis e roupas com ar retrô,
Chiara, ex-modelo que não perde a pose,
se concentra em estar sempre um passo
à frente do que ainda vai virar moda
Fotos acervo pessoal
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Pedro Rubens
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A profissão de Chiara Gadaleta, bem-sucedida stylist
de 32 anos, é antecipar tendências de moda, ajudar
o estilista a definir os rumos de uma coleção
e combinar os elementos do desfile com as idéias apresentadas
nas roupas. Por gosto e imperativo profissional, está
na vanguarda da vanguarda. Longe de seus pares, com 1,80 metro
de altura, figura magérrima, cabelo curto com mechas
longas e descoloridas e uma constelação de estrelinhas
tatuada no ombro, é o tipo de figura que deixa a plebe
boquiaberta. Suas roupas carregam o ar empoeirado dos brechós,
tudo com cara de anos 80. Até turbante e tiara trançada
na altura da testa ela usa. Ou seja, coisas que, em quem não
tem domínio completo da linguagem da moda, ficariam
ridículas, nela são o auge da modernidade. "Quando
voltei ao Brasil, notava a reação das pessoas
nas ruas. Hoje a moda está mais acessível e
não provoco tantas reações esquisitas",
diz. Chiara já foi modelo e trabalhou em Paris. Odiou.
"Sempre tive muita opinião. Eu não ia a alguns
castings simplesmente porque não gostava das roupas
do estilista", lembra. Depois de dois anos de passarelas,
um marido e um filho, foi estudar no instituto de moda Berçot
e passou da prática à teoria. De volta a São
Paulo, Chiara concentra-se em estar um passo à frente
do que vai acontecer na moda. Como, para os modernésimos,
isso significa jamais usar nada que já saia pronto
de uma loja, tudo em sua vida tem ar de passado recomposto.
O recém-comprado apartamento conta com pouquíssimos
móveis com ar reciclado: cubos de acrílico coloridos,
um curioso meio-manequim, um pôster antigo com um coração.
No guarda-roupa, peças exclusivíssimas, pilotos
de coleção que, às vezes, nem chegam
às lojas. Muita manga morcego, estampas psicodélicas
e preto, sobretudo preto. Quem vê não esquece.
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