| |
Carolina
Ferraz
A
musa da elegância despojada credita seu
estilo ao que aprendeu com dois homens
Pedro Rubens
 |
Antonio Milena
 |
O mais perfeito exemplo do estilo de Carolina Ferraz está
em uma fotografia de jornal. Em um shopping center, ela aparece
irretocável com óculos de grau, calça
capri e, nos pés, Havaianas isso, no início
dos anos 90, quando "as legítimas" desfilavam apenas
em áreas de serviço e canteiros de obra. A origem
do chique simples que é marca de Carolina, aquele tipo
inimitável de elegância despojada de quem pode
vestir "qualquer coisa" e ficar bem, não está
na breve e nada brilhante carreira de modelo, que precedeu
a estréia na TV. "Não fiz capa de revista e
nunca fui escolhida para um desfile bacana. Uma lástima",
brinca. Ao contrário da maioria das mulheres, que aprende
a se vestir e aprimora o estilo olhando e imitando
outras mulheres, Carolina foi abençoada com
homens de bom gosto em sua vida. O pai, o advogado Ladislau
Ferraz, assassinado quando ela tinha 14 anos, foi o primeiro
"Um homem elegante, alto, louro, olhos azuis e extremamente
culto". O segundo, o ex-marido, Mario Cohen, um publicitário
de gosto refinado (com ela na foto abaixo, no dia do casamento).
Quando se uniram, ela tinha 18 anos, ele 41 e uma enorme
capacidade de plasmar a fantástica matéria-prima
em suas mãos. "Ele dava palpite na minha roupa, no
cabelo, em tudo", conta. Até que ela se rebelou, vendendo
os móveis da casa e comprando outros, para marcar presença.
"Foi assim que criei a minha personalidade, o meu estilo."
Hoje, Carolina está livre para exercitar o livre-arbítrio:
na sala da casa que se debruça sobre o mar de São
Conrado, no Rio de Janeiro, misturou um enorme painel pintado
em tinta guache, abajures mineiros, arranjo indígena
de penas, paredes pistache. Sobre roupas, Carolina garante
ser uma consumidora controlada, mas deixa escapar, duas taças
de champanhe mais tarde, que se tivesse "bala" adoraria investir
em alta-costura. Na verdade, em seu closet já se vê
um recém-chegado pretinho da Chanel entre criações
do franco-tunisiano Alaïa e de Valentino, seus estilistas
prediletos. O vestido longo usado na foto à direita,
da paulistana Marie Toscano, foi desenhado e costurado para
ela. "No meu corpo", gaba-se.
Fotos álbum de família/Alexandre
Marchetti/David Princhard e João Raposo
 |
|
|