Índice
Carta ao leitor
Apresentação
Cada uma na sua, todas ótimas

Gloria Kalil
Ruth Malzoni
Patrícia Viotti
Carolina Ferraz
Chiara Gadaleta

Afinal, o que é ser chique?
Roupas sem nenhum juízo
Um Valentino é para sempre
Uma vovó do barulho
Ícone brasileiro
A bolsa de 5.000 dólares
Celeiro de gênios
Movimento de libertação
Reengenharia matrimonial
Deu vontade de experimentar?
Auto-ajuda que funciona
Mulheres que sabem beber
Acionar em ermergências
Palavra de especialistas
Nunca diga nunca usei isso
Profissão: fashionista
 
 
     
 

Carolina Ferraz

A musa da elegância despojada credita seu
estilo ao que aprendeu com dois homens


Pedro Rubens


Antonio Milena


O mais perfeito exemplo do estilo de Carolina Ferraz está em uma fotografia de jornal. Em um shopping center, ela aparece irretocável com óculos de grau, calça capri e, nos pés, Havaianas – isso, no início dos anos 90, quando "as legítimas" desfilavam apenas em áreas de serviço e canteiros de obra. A origem do chique simples que é marca de Carolina, aquele tipo inimitável de elegância despojada de quem pode vestir "qualquer coisa" e ficar bem, não está na breve e nada brilhante carreira de modelo, que precedeu a estréia na TV. "Não fiz capa de revista e nunca fui escolhida para um desfile bacana. Uma lástima", brinca. Ao contrário da maioria das mulheres, que aprende a se vestir e aprimora o estilo olhando – e imitando – outras mulheres, Carolina foi abençoada com homens de bom gosto em sua vida. O pai, o advogado Ladislau Ferraz, assassinado quando ela tinha 14 anos, foi o primeiro – "Um homem elegante, alto, louro, olhos azuis e extremamente culto". O segundo, o ex-marido, Mario Cohen, um publicitário de gosto refinado (com ela na foto abaixo, no dia do casamento). Quando se uniram, ela tinha 18 anos, ele 41 – e uma enorme capacidade de plasmar a fantástica matéria-prima em suas mãos. "Ele dava palpite na minha roupa, no cabelo, em tudo", conta. Até que ela se rebelou, vendendo os móveis da casa e comprando outros, para marcar presença. "Foi assim que criei a minha personalidade, o meu estilo." Hoje, Carolina está livre para exercitar o livre-arbítrio: na sala da casa que se debruça sobre o mar de São Conrado, no Rio de Janeiro, misturou um enorme painel pintado em tinta guache, abajures mineiros, arranjo indígena de penas, paredes pistache. Sobre roupas, Carolina garante ser uma consumidora controlada, mas deixa escapar, duas taças de champanhe mais tarde, que se tivesse "bala" adoraria investir em alta-costura. Na verdade, em seu closet já se vê um recém-chegado pretinho da Chanel entre criações do franco-tunisiano Alaïa e de Valentino, seus estilistas prediletos. O vestido longo usado na foto à direita, da paulistana Marie Toscano, foi desenhado e costurado para ela. "No meu corpo", gaba-se.


Fotos álbum de família/Alexandre Marchetti/David Princhard e João Raposo