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Kalil A graça está em reescrever as regras
do bem-vestir e se permitir combinações que ninguém
mais teria a idéia de fazer
Lailson Santos  |
É possível aprimorar o próprio
estilo? Quem começa olhando para as pessoas chiques, estilosas (e a observação
é um ótimo ponto de partida) pode sentir uma ponta de intimidação.
São tão seguras, tão à vontade, parece que nasceram
sabendo se vestir, conversar, encantar os outros. Ninguém nasce sabendo.
O meio ambiente ajuda, é verdade, mas é possível, sim, aprender
a construir o seu estilo. É preciso disposição para se informar,
disciplina para treinar o olho e até uma dose razoável de segurança
com relação a seu lugar no mundo o outro nome disso é
autoconhecimento. Assim como um escritor procura a melhor palavra para manifestar
seu pensamento, uma pessoa de estilo procura nas roupas a melhor maneira de revelar
sua personalidade. Isso tem muito pouco a ver com as regras tradicionais do bem-vestir.
A graça está, justamente, em reescrever as regras e se permitir
combinações que ninguém mais teria a idéia (ou a coragem)
de fazer. Parece difícil? Algumas sugestões fáceis e até
divertidas para começar:
1. Vá
para a frente do espelho e se olhe de frente e de costas para ver
como você de fato é (e não como gostaria de ser). Observe
suas proporções. Em geral se acha que só existem duas: alto
ou baixo, magro ou gordo. Mas há muito mais a ser observado. Pernas longas
e corpo curto e vice-versa; ombros retos ou caídos; bumbum em forma de
pêra, bola de futebol ou nem sinal? Quadris, barriga, peito, tudo tem de
ser esquadrinhado. O estilo começa pelo conhecimento preciso do próprio
corpo. 2. Olhe de frente nunca de
costas para o tipo de pessoa que você é (e não como
gostaria de ser). Como é sua vida? Sua idade (a da certidão)? Seu
orçamento? Você sai muito ou pouco? Em que tipo de lugar trabalha?
Se essas perguntas não forem honestamente respondidas, você terá
dificuldades, e não apenas com seu guarda-roupa.
3. Informe-se. Internet, revistas, jornais, televisão, vitrines
de lojas a informação das tendências, das novidades,
dos modismos está por toda parte. Ninguém mais tem a desculpa de
não saber como chegar a ela. 4. Recuse,
sem dó nem piedade, tendências de moda que não combinem com
sua personalidade (ou seu tipo físico, seu modo de vida, sua idade). A
moda quer barriga de fora e você tem 50 anos? Não use. A moda é
verde-musgo e com ela você fica parecendo um sargento da Polícia
Militar? Não use. A moda é sapatilha de bailarina e você mede
1,50 metro? Não desça do salto alto.
5. Ouse. Comece com pequenas transgressões. Que tal um anel maior
do que o discretinho de sempre? Sapatos de cor diferente da cor da bolsa? Liberte-se
do conjuntinho, do muito apropriado, do correto. Ser discreto demais não
é chique é sem graça.
Faça um teste. Comece a esculpir o seu estilo e observe as reações.
Todo o prazer que você sentir com isso provavelmente será retribuído,
mesmo que inconscientemente. Trate-se bem que o mundo responderá no mesmo
tom. | |