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loira de 80 quilates E isso é só num único
par de brincos de brilhantes. A paixão de Hebe Camargo por jóias
poderosas encanta o público e ilustra um estilo típico de grandes
nomes do mundo dos espetáculos: o da celebração do exagero

Sandra Brasil
Reprodução  | Chico
Audi  |
PRETO E PÉROLAS
Do modelinho discreto no começo da carreira (à esquerda)
à exuberância de hoje: "Quando as pessoas vêm me mostrar
uma joinha, um anelzinho, digo logo que não combina comigo. Para mim, tem
de ser tudo grande. Sou perua assumida, com muito orgulho" | Hebe
Camargo certa vez fez um balanço de todas as suas jóias. Depois
de cobrir o chão de um cômodo inteiro com um tapete de brilhantes,
pérolas, esmeraldas e outras pedras, chegou à conclusão de
que não deveria comprar mais nenhuma peça. Durou pouco a decisão.
Para o bem de seu humor, a alegria da fila de joalheiros que a abastecem e o entretenimento
dos espectadores que semanalmente se embevecem com a sua alucinante coleção
de preciosidades, Hebe continuou comprando. E como. Seus quilates são medidos
às dezenas, as pérolas parecem bolas de pingue-pongue, as cascatas
de brilhantes ofuscam a vista, literalmente. A peça mais impressionante
de seu porta-jóias é um diamante de 40 quilates, montado num anel.
A maior, uma esmeralda, de 60. Os quatro brilhantes de seu brinco mais imponente
somam 80 quilates ela os usou no casamento, no ano passado, da filha do
investidor Naji Nahas e conseguiu ofuscar convidadas milionárias, de mulheres
de banqueiros a socialites internacionais. "A igreja estava cheia de gente muito
rica, mas ninguém nunca tinha visto uma mulher com tantos quilates espalhados
pelo corpo", relembra um convidado. Para Hebe, em se tratando de jóias,
tamanho é documento. "Quando as pessoas vêm me mostrar uma joinha,
um anelzinho, digo logo que não combina comigo. Para mim, tem de ser tudo
grande. Sou perua assumida e com muito orgulho", diz.
Além de preconceituoso, "perua" é um qualificativo pálido
demais para ilustrar o estilo da apresentadora. Hebe Camargo não tem pares
portanto não pode ser comparada a ninguém. No mundo do espetáculo,
talvez só outro veterano, Cauby Peixoto, concorra numa categoria similar.
No exterior, Elton John, antes de uma felizmente frustrada tentativa de domesticação.
Gays masculinos não por acaso freqüentemente funcionam na mesma faixa
de celebração do exagero e não por acaso têm
em Hebe uma de suas musas. Ao mesmo tempo, ela funciona como uma provedora de
fantasia para um comportado público de classe média. "As pessoas
podem não ver o programa todo, mas todo mundo liga a televisão às
segundas para ver o cabelo, a roupa, a jóia e o sapato que a Hebe está
usando", garante a amiga Helena Mottin. Dona de uma butique em São Paulo
que leva seu nome, com roupas para mulheres que, como Hebe e a física,
abominam qualquer vácuo não completamente coberto por ornamentos,
ela entrega: "No dia seguinte, as clientes aparecem em busca de um vestido igual
ao dela".
Fotos Marinho Kudse, Petronio Cinque, Bob Paulino
e Renan Cepeda e Foto Azul  |
NÃO TEM IGUAL
O estilo ímpar e algumas peças favoritas, como o colar
o de escorpião, o de cometa que imita Chanel, os "babadores" cravejados
de diamantes e o incrível anel articulado que cobre o dedo inteiro
e chama atenção em toda parte (na foto em que a apresentadora
aponta para um doce de chocolate). "É difícil ter em São
Paulo uma mulher que vença a Hebe em quantidade de jóias. Ela chega
a comprar três peças por mês", diz um especialista do ramo
| A roupa pode ser igual,
mas é difícil competir com o resto. Aos 76 anos, ela já apareceu
de shortinho, barriga de fora e piercing falso no umbigo. Sutiã, não
usa já fez duas plásticas nos seios, a primeira em 1974,
para reduzir "o tamanho exagerado". Contabiliza ainda duas lipos e dois liftings
de rosto e pescoço, o último em fevereiro passado. "Se vou sair
de rosa, é bolsinha, sapatinho e tudo o mais combinando. Se é turquesa,
é tudo turquesinha", descreve Hebe. "Eu gosto de ser Barbie." Os vestidos
seguem algumas regras básicas: "Tem de ter brilhinho, decote e o comprimento
não pode passar dos joelhos, para não ficar muito senhora". Ela
também sempre usa mangas longas "Nessa idade, o braço já
está meio flácido, e não acredito em plástica para
acabar com isso". Sapatos, não tem mais onde guardar assim como
os Mercedes, que chegam a cinco na garagem. Detesta ginástica e tem uma
impressionante resistência ao álcool. "Bebe três ou quatro
doses de vodca de aperitivo, um bom vinho durante o jantar, depois toma grapa
e vai embora inteira", espanta-se uma de suas companhias habituais à mesa
de bons restaurantes de São Paulo.
Com rendimento mensal estimado em 1,2 milhão de reais, entre salário
e merchandisings, Hebe também pode se entregar de corpo, alma e talão
de cheques à paixão por jóias. "Quando eu tinha 16 anos e
não podia comprar jóias verdadeiras, comprava de mentirinha e achava
lindo", relembra. Da morena de pretinho e pérolas (falsas) à loira
de dezenas de quilates, a paixão só se exacerbou. "É difícil
ter em São Paulo uma mulher que vença a Hebe Camargo em quantidade
de jóias. Ela chega a comprar três peças por mês", avalia
um especialista do ramo. Hebe compra jóias prontas e também encomenda
peças. Uma de suas prediletas é o colar em forma de cometa cravejado
de brilhantes, cópia de uma jóia desenhada originalmente por mademoiselle
Chanel. Foi feita pela joalheira Laja Zylberman. É dela também o
colar tipo babador com pelo menos 30 quilates de diamantes que Hebe adora e chega
a usar com roupas esportivas. De Claudio Okubo veio o anel mais comentado. Composto
de cinco partes articuladas, que ocupam o dedo inteiro, ele chama atenção
em qualquer lugar aonde Hebe vá, no Brasil ou no exterior. Numa de suas
constantes viagens a Paris, ela não respeitou o próprio lema quando
se trata de enfrentar preços em supervalorizados euros "Quem converte
não se diverte", prega ao se apaixonar por um colar exposto na vitrine
de uma joalheria importante. Em lugar dos 120 000 euros pedidos, encomendou a
Okubo uma versão do conjunto de colar e brincos de pérolas south
sea de três cores: brancas, negras e amarelas. De quebra, ele ainda fez
um anel para combinar. Tudo enorme, claro. "As jóias muito grandes eu faço
pensando nela", diz Okubo. Ultimamente, os impulsos de abstinência têm
se repetido. "Não vou viver o suficiente para usar tudo o que tenho. E
não há nem para quem deixar, só tenho um filho", pensa quando
cogita na hipótese de parar. A crise passa logo e Hebe continua aumentando
a maior, a mais espetacular e mais conhecida coleção de jóias
do país. É possível que existam outras, até mais imponentes.
Como nenhuma mulher aparece na televisão com seus tesouros ou talvez
nem saia de casa com eles , Hebe permanece como a rainha dos quilates.
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