O fabuloso mundo da nova Daslu

Os conglomerados globais do luxo

Dior: a reinvenção
do gênio


O rosto de ouro de Isabeli Fontana

Alta-costura é risco
e fantasia


Os artesãos por trás do sonho

Moda hoje: como acertar na mistura

O xadrez chique
da Burberry


Sapatos para gastar, andar e seduzir

O brasileiro da
Calvin Klein


Os brilhantes de
Hebe Camargo


Do jeitinho das estilistas do momento

Maquiagem: o poder da beleza

Onde nascem
os modismos


Miuccia Prada faz, os outros vão atrás

A incrível transformação das gêmeas Olsen

Como é feito um vestido de 7 000 reais
Gloria Kalil
   
 

Entrevista
John Galliano


Jacky Naegelen/Reuters


Pirata, índio, Charles Chaplin, Napoleão. Depois de cada um de seus delirantes desfiles, John Galliano, o inglês que virou a nova cara da Christian Dior, ainda prepara uma surpresa final: a fantasia com que vai entrar na passarela para os aplausos. Aqui ele fala a VEJA sobre como combinar tradição e vanguarda, fantasia e pé (de salto altíssimo) no chão, excentricidade e vendas. Tarefas em que se sai muito bem. Desde que ele entrou na Dior, o faturamento só tem aumentado.

COMO O SENHOR EXPLORA NOVAS FRONTEIRAS NA MODA AO MESMO TEMPO QUE É OBRIGADO A PRESERVAR A IMAGEM DE UMA MARCA QUE TEM MAIS DE CINQÜENTA ANOS DE HISTÓRIA?
O maior desafio é quebrar expectativas. Eu preciso trazer elementos do novo e da tradição. Nos últimos desfiles Dior, nós apresentamos coisas diferentes e conseguimos escapar do senso comum. Quanto mais as pessoas comentam o cabelo, a maquiagem, o estilo, mais eu tento me livrar deles. O meu desafio é estar sempre um degrau acima. O que é importante, que eu acho crucial não esquecer, é ser fiel às suas idéias, conhecer o caráter das roupas que se está criando e aí então partir para ultrapassar fronteiras, para fazer coisas que mantenham a essência da grife e ao mesmo tempo sejam novas, inesperadas.

E QUAL É A ESSÊNCIA DA GRIFE?
A ousadia. Uma roupa Dior é feita para uma mulher que não tem medo de arriscar-se.

COMO CONCILIAR LIBERDADE DE CRIAÇÃO E A PRESSÃO COMERCIAL PARA VENDER CADA VEZ MAIS?
Não concilio. É preciso tentar, mas no final das contas o objetivo tem de ser criar roupas que sejam originais, inspiradoras e que também se vendam. Não dá para negar que existe o lado comercial. Mas hoje em dia, com o número enorme de revistas de moda, internet e tudo o mais, as mulheres estão realmente informadas e reconhecem os truques, as artimanhas para vender. Elas percebem isso e não aceitam quando o nível cai. Eu tenho a sorte de ter liberdade total de criação na Dior. Mas também posso dizer que, quanto mais eu trabalho para a casa, mais aprendo sobre a consumidora e o que ela quer. E de vez em quando, tanto quanto abastecer sua cabeça com idéias, é legal também engordar seu guarda-roupa! O truque é achar um equilíbrio entre criatividade e originalidade com apelo comercial. Ou então ter a sorte de criar algo de apelo universal, como foi o caso da bolsa-sela e, agora, as inovações do tailleur Bar e a bolsa detetive. Gosto muito mais quando os produtos voam das prateleiras, assim eu sei que vou vê-los nas ruas, usados de maneiras que nem imaginava.

A ALTA-COSTURA CONTINUA A SER INDISPENSÁVEL PARA O MUNDO DA MODA?
Além de todo o patrimônio de moda que representa, é uma parte essencial do processo. Com tantas maisons decidindo saltar fora da alta-costura, eu fico contente que a Dior continue a fazer. Eu e a empresa temos essa mesma paixão. A alta-costura dá a oportunidade de mostrar toda a habilidade dos ateliês e realmente deixar sua imaginação voar.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE O QUE É MOSTRADO NUM DESFILE DE ALTA-COSTURA E O QUE AS MULHERES VESTEM NAS RUAS MESES DEPOIS?
As mulheres pegam elementos e idéias, adaptam-nos e usam do jeito delas. Alta-costura é a idéia em estado puro, a fonte primordial de inspiração.