| | Carta
ao leitor Capítulos coloridos da aventura
humana
Divulgação
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Não é preciso viver nos círculos
em que se compra um par de sapatos por 9 700 reais (como o da foto acima)
ou uma bolsa por 76 720 reais (clique aqui)
para apreciar a excelência dos materiais, a maestria da manufatura e a beleza
das formas dos objetos produzidos para o mercado de alto luxo. Como moda e design
cada vez mais desempenham a função de provedores de prazer estético
outrora ocupada pela arte, conhecer melhor quem e como os faz pode corresponder
a uma viagem a um mundo cheio de estímulos e personagens fascinantes. Surpreendentes
também. A maison Dior, uma das mais conhecidas grifes do mundo, tem à
frente do departamento de criação o estereótipo do estilista
amalucado: o inglês John Galliano, que se fantasia de pirata ou Napoleão
e produz roupas delirantes. VEJA fez uma entrevista com ele. Mas procurou também
quem está por trás desses devaneios, artesãos como François
Lesage, um simpático senhor de 76 anos "nascido sobre um monte de miçangas
e lantejoulas", que comanda com simplicidade mas também com um enorme
orgulho do trabalho ímpar o mais legendário ateliê
de bordados para alta-costura. Em Nova York, Francisco Costa, proveniente da minúscula
Guarani, no interior de Minas Gerais, contou como é chefiar o departamento
de moda feminina de um gigante planetário do tamanho da Calvin Klein. Em
São Paulo, acompanhamos como a Daslu se transformou de superbutique em
um conglomerado de luxo provavelmente sem paralelo no mundo em que outro
lugar existe uma loja com 3 500 pares de sapatos expostos simultaneamente, 87
banheiros, orquestra com cinqüenta músicos, trinta guias para acompanhar
as consumidoras de primeira viagem, quatro carrinhos de golfe para ampará-las
quando cedem à estafa das compras e um helicóptero pendurado no
saguão? Outra pergunta
intrigante que paira sobre a moda e os modismos é, justamente, onde nascem
as tendências. Quem usou primeiro uma bota de caubói com um vestido
vaporoso? Ou o blusão de moletom debaixo de um blazer curtinho, com o capuz
para fora? E a saia rodada ao estilo anos 50 que invadiu todas as vitrines nesta
estação? As respostas podem estar nas passarelas de Milão,
onde a cerebral Miuccia Prada pratica habitualmente o ritual de antecipar o que
o mundo inteiro vai acabar usando ou na Galeria Ouro Fino, no centro de
São Paulo, domínio dos cybermanos. São bipolaridades assim
que fazem da moda um dos capítulos mais coloridos da grande aventura humana.
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