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Denúncias colocariam governabilidade em risco

01/10/2006 17:57

Apesar de receber um segundo mandato das urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva carregará um pesado fardo de seu primeiro período: a série de escândalos nascida entre seus colaboradores mais próximos e também entre a base de apoio parlamentar. Aí está o ¿calcanhar de Aquiles¿ de Lula. Depois de abalar o primeiro mandato, o ¿mensalão¿, a ¿máfia dos sanguessugas¿ e o ¿dossiê anti-tucano¿ vão reverberar entre 2007-2010 tanto no mundo da política quanto no da justiça propriamente. Afinal, ainda estão em curso investigações parlamentares sobre os temas, além de processos judiciais que podem eventualmente derrubar mais assessores e aliados de Lula e respingar até no próprio presidente.

O exemplo mais direto disso é o processo contra a candidatura de Lula que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte quer saber se, afinal, o presidente teve de alguma forma ciência da negociação de petistas ligados à campanha da reeleição na compra frustrada de documentos que incriminariam o governador eleito de São Paulo, o tucano José Serra, no caso dos sanguessugas ¿ compra superfaturada de ambulâncias com verbas federais. Além do próprio presidente, devem explicações o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, braço-direito de Lula, e o presidente do PT, Ricardo Berzoini. No limite, se o TSE julgar que o presidente participou da operação para se beneficiar eleitoralmente, poderá cassar a candidatura e, portanto, o mandato de Lula.

Outro peso extra que Lula vai carregar para a segunda fase de sua administração é o caso do mensalão ¿ esquema de cooptação de parlamentares para a base aliada através de pagamento e outras facilidades. No primeiro mandato, o escândalo detonou o chamado ¿núcleo duro¿ do governo, formado pelos mais próximos e influentes auxiliares de Lula ¿ como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino. O caso manchou ainda a reputação de lideranças nacionais petistas como João Paulo Cunha e, de quebra, quebrou a aura do partido de Lula de ¿defensor da ética¿.

No segundo mandato, os processos contra os ¿mensaleiros¿ deve caminhar na Justiça, graças à ação de autoridades como o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza. De maneira isenta, ele apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra 40 envolvidos no esquema. Para se ter uma idéia da gravidade do processo, o procurador acusou na operação a ação de uma ¿organização criminosa com ramificações variadas e estrutura complexa dentro do governo¿. Dirceu, Genoino, João Paulo e ainda os ex-ministros Luiz Gushiken e Anderson Adauto, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, o empresário Marcos Valério e o publicitário Duda Mendonça, entre outros, terão que responder pelo que fizeram. E podem ainda fazer revelações. Eles são acusados, entre outros crimes, de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão ilegal de divisas, corrupção ativa e passiva e peculato.

Por fim, resta a CPI dos Sanguessugas, que apura o caso da compra irregular de ambulâncias e que ainda não chegou ao fim. Até agora, 69 deputados e 3 senadores se preparam para responder processo nas respectivas Casas por quebra de decoro parlamentar. Ou seja, teriam se beneficiado com a derrama de dinheiro público. A questão é: boa parte desses acusados faz ou fazia parte da base aliada do governo. E mais: o empresário acusado de gerenciar o esquema, Luiz Antonio Vedoin, tem conexões também com os caso do ¿dossiê anti-tucano¿: era ele quem tentava vender os supostos documentos contra Serra para petistas.

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Reuters/AFP

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