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MÉTODOS
PEDAGÓGICOS
A construção
do saber
A
família deve conhecer os
princípios pedagógicos da escola
Fernando Vivas
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| Estudantes
do Miró visitam escritório de advocacia: orientação vocacional
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Os
educadores concordam que a qualidade de ensino de uma instituição
não está diretamente ligada a sua orientação
pedagógica. É perfeitamente possível que existam
escolas com propostas educacionais aparentemente arrojadas e alunos
mal preparados e estabelecimentos com práticas conservadoras
que tenham êxito em seus objetivos. Por isso, a pesquisa VEJA-Ipsos
Marplan não levou em consideração em sua avaliação
a filosofia que norteia as instituições. Na hora de
escolher uma escola, entretanto, é fundamental conhecer profundamente
os princípios pedagógicos adotados pelos diferentes
órgãos de ensino. Antes de tudo, a família
deve refletir sobre o que espera do estabelecimento. Que transmita
aos alunos informações, capriche nas tarefas de casa
e mantenha um calendário cheio de provas e testes para avaliar
a apreensão do conteúdo? Que estimule a criatividade,
o espírito crítico e a iniciativa do jovem? Das respostas
a essas perguntas pode começar a ser traçado o perfil
que mais se encaixe nas expectativas de cada família.
É
preciso também ter em mente que a escola mudou. As Diretrizes
Curriculares Nacionais, adotadas a partir de 1996, deram às
instituições maior flexibilidade na hora de organizar
os currículos. Além da base comum, formada por linguagem,
ciências da natureza, ciências humanas e matemática,
25% do conteúdo curricular fica a critério de cada
escola. Assim, um estabelecimento pode optar por ministrar apenas
uma língua estrangeira e caprichar em aulas de música
e artes, enquanto outro pode ensinar dois idiomas e adotar a filosofia
como disciplina obrigatória para todas as séries.
Atualmente,
a teoria sobre aprendizagem mais em voga entre as instituições
de ensino é o construtivismo. É possível dizer
que nove entre dez escolas se apresentem como construtivistas. O
que não quer dizer que pratiquem à risca o que pregam.
Baseado em estudos do suíço Jean Piaget sobre o desenvolvimento
do processo de aprendizagem das crianças, o construtivismo
proposto pela psicóloga argentina Emilia Ferrero preconiza
que o aluno precisa construir o próprio conhecimento. Ao
contrário do que acontece na escola tradicional, em que o
professor ensina e o aluno escuta, o construtivismo pressupõe
uma parceria e uma troca de informações entre as duas
partes envolvidas. Os materiais didáticos nunca estão
prontos: são produzidos segundo as necessidades da turma.
"Não dá para dizer que se trabalha com o construtivismo
utilizando módulos de aulas prontos, que se repetem a cada
ano", entende a diretora do Colégio Miró, Maria Cândida
Muzzo.
Assim,
em uma escola que realmente adote o construtivismo é praticamente
impossível que dois irmãos assistam a aulas idênticas
ao passarem, em anos diferentes, por determinada série. O
mestre pode ser o mesmo, mas a aula e a abordagem devem variar.
"Freqüentemente os pais reclamam que o irmão mais velho
fez uma 4ª série diferente da que fez o caçula",
conta Cândida. Em Salvador, o Miró é conhecido
por praticar os princípios construtivistas até o final
do ensino médio, fase em que a maioria das instituições
prefere concentrar-se na preparação para o vestibular.
Seu centro de estudos ministra cursos de formação
freqüentados por professores dos principais colégios
da cidade.
Outra
característica da escola construtivista é a ênfase
na formação continuada do professor e o intercâmbio
constante com a coordenação. Como as aulas não
se repetem de um ano para o outro, é preciso haver uma parceria
também entre professor e coordenador no planejamento e no
acompanhamento em sala de aula. Sem o investimento de muitas horas
em reuniões, é impossível ser fiel à
alma construtivista. Os deveres de casa, por exemplo, não
podem ser simplesmente a definição de conceitos através
de perguntas. As tarefas precisam ter um contexto, estimular o estudante
a relacionar informação obtida em diversas fontes
e a levar sua contribuição de volta para a classe.
"É importante que os alunos vejam que o professor também
estuda e também é um aprendiz", afirma Teresa Brasileiro,
diretora do colégio Módulo/Criarte.
É
igualmente esse tempo devotado ao planejamento que permite que a
equipe desenvolva projetos interdisciplinares, outro recurso de
aprendizagem que está na ordem do dia. Um evento como a Copa
do Mundo, por exemplo, pode ser usado para abordar as diferenças
de fuso horário na aula de geografia, discutir o conflito
entre as duas Coréias, falar sobre Guerra Fria na aula de
história e gerar relatórios para as aulas de português.
Ao mesmo tempo, o Ministério da Educação e
Cultura orienta as escolas a tratar temas como sexualidade, drogas,
ecologia e multiculturalismo de forma transversal, ou seja, por
meio de projetos que atravessam diversos momentos da vida escolar.
"O
projeto permite que o aluno investigue e relacione conhecimentos
que já fazem parte de sua realidade", define a professora
Rosana Seabra. Como o professor já não é a
única fonte de informação, é importante
que ele busque descobrir o que os alunos já sabem sobre determinado
assunto. "É imprescindível que o aluno traga seu conhecimento
para a sala de aula", diz Rosana. "Projeto bom é aquele que
não termina no fim do bimestre", resume a consultora Teca
Soub, do Colégio Villa Lobos. "Ele continua a provocar a
classe, a trazer novos problemas e a aquecer novas descobertas."
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