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A CAMPEÃ
DO ENSINO FUNDAMENTAL
Tradição
a favor
da qualidade
Com
disciplina rígida e um corpo
docente altamente qualificado, o
Colégio Santa Maria garante
o primeiro lugar
Ariel
Kostman
E. Queiroga/Lumiar
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| Alunos
do ensino fundamental cantam o Hino Nacional durante
o hasteamento da bandeira: o ritual acontece toda semana |
Manhã
de segunda-feira em Boa Viagem. Faltam poucos minutos para as 7
horas. Observados atentamente por seguranças e câmeras
de vídeo, os alunos se apressam para cruzar os onze portões.
Sabem que às 7 horas, impreterivelmente, as portas são
fechadas e a entrada não é mais permitida. Assim começa
mais uma semana no Santa Maria, colégio que há 46
anos põe suas tradições a serviço da
excelência acadêmica. Mas não se deve ao conservadorismo
o fato de o Santa Maria ter sido apontado como o melhor estabelecimento
de ensino fundamental da capital pernambucana pela pesquisa VEJA
Recife-Ipsos Marplan. É mais fácil encontrar
a explicação nas salas de aula, equipadas com TV,
vídeo e computador, nos laboratórios exclusivos de
química, física, biologia e informática e,
é claro, na qualificação dos professores.
E. Queiroga/Lumiar
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| Treino
de pólo aquático: a equipe é o destaque esportivo da escola
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Mais
de 70% dos docentes já concluíram mestrado ou doutorado.
Além disso, de cada dez professores, oito se dedicam exclusivamente
ao Santa Maria. Trata-se de um diferencial importante. Trabalhando
em apenas uma escola, eles podem manter um contato mais efetivo
com os alunos e dispor de tempo para planejar as aulas adequadamente.
"Atuando só aqui, me desgasto menos e posso me dedicar mais
aos alunos", diz a professora de português da 8ª série
Eliane Marcelino. Apostilas elaboradas pelos próprios professores
complementam o conteúdo dos livros didáticos utilizados
pelos estudantes. A partir da 3ª série, alunos de 9
anos de idade já freqüentam o laboratório de
biologia para exercícios práticos de ciências.
Munidos de bisturi, os da 7ª dissecam órgãos
humanos em aulas de anatomia. Na 8ª, há iniciação
a física e química. "O Santa Maria tem todos os recursos
necessários para um bom trabalho", diz o coordenador de laboratórios
Antonio Gouveia. "Isso facilita muito o aprendizado." Gouveia, que
também leciona na Universidade Estadual de Pernambuco, enfatiza
ainda que a remuneração no colégio é
muito superior à da faculdade.
Outra
preocupação da escola é com a capacitação
do corpo docente. Nos últimos dois anos, 70% da equipe recebeu
treinamento para utilizar melhor os recursos oferecidos pela informática.
"Já não há mais nenhuma resistência dos
professores à tecnologia", comemora o coordenador de informática
Eduardo Gonçalves. "Hoje existe até disputa para usar
o laboratório." Para apoiar o trabalho do professor, há
coordenadores de série e de área. Enquanto os primeiros
ficam mais atentos às questões relacionadas a cada
turma, os últimos se encarregam de garantir a continuidade
do processo de aprendizagem e de possibilitar o desenvolvimento
de projetos que integrem diversas disciplinas.
E. Queiroga/Lumiar
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| Grupo
de balé: atividade artística está incluída na mensalidade |
Fazer parte dessa equipe diferenciada exige uma contrapartida. Antes
de lecionar no Santa Maria, o profissional passa por um processo
que inclui análise minuciosa do currículo, entrevistas
e aulas experimentais. "A exigência da escola conosco é
proporcional à que temos com os alunos", diz o professor
de matemática Luiz Cabral. "É preciso ter compromisso
com o trabalho e uma postura adequada." Segundo Cabral, o fato de
trabalhar durante três anos consecutivos com a mesma turma
da 7ª série do fundamental à 1ª do
ensino médio também contribui para a qualidade
acadêmica. "Além de pleno domínio dos conteúdos,
é essencial ter um bom relacionamento com os colegas e saber
transmitir a matéria de forma atraente e clara", complementa
o professor Darlan Moutinho, mais um que divide seu tempo entre
a escola e a Universidade Estadual de Pernambuco.
Além
das disciplinas tradicionais, o Santa Maria oferece uma série
de atividades artísticas. Elas ocorrem sempre no turno oposto
ao das aulas e não têm nenhum custo adicional. Pode-se
optar por teatro, música ou coral, entre outras possibilidades.
A grande vedete é o balé. Cerca de 500 meninas participam
dos grupos de dança clássica e moderna. Para os ensaios,
é utilizado o belíssimo auditório do colégio,
que conta com todos os recursos de um teatro profissional. Na prática
de esportes, os alunos dispõem de três piscinas, ginásio
coberto com arquibancada e vestiários, além de quadras.
Um dos orgulhos da escola é a equipe de pólo aquático,
que disputa competições com clubes de Pernambuco e
de outros Estados. Outro destaque é Rafaella Régnier
de Paula, que com apenas 12 anos conquistou neste ano o título
de campeã brasileira de nado de peito.
Apesar
de todas as suas qualidades, o Santa Maria definitivamente não
é a opção mais adequada para famílias
liberais. A disciplina é realmente rígida. Se o aluno
for pego fumando, a expulsão é automática.
Não são admitidos estudantes com tatuagens, piercings
ou cabelo tingido, adereços corriqueiros entre os adolescentes
atualmente. Para os meninos, as restrições incluem
ainda cabelo comprido e brincos. O uniforme tem de estar impecável.
Calça azul, camiseta e meias brancas, tênis preto.
Saias curtas, calças justas, bermudas, nem pensar. O descumprimento
dos deveres é punido com advertência, suspensão
e até mesmo exclusão. "As metodologias mudam, novas
tecnologias são incorporadas, mas os valores morais de nossa
instituição não vão mudar nunca", afirma
a diretora pedagógica Rosa Amélia Muniz Carneiro.
Todas
essas restrições parecem não espantar os inúmeros
interessados em ingressar no Santa Maria. O que não é
exatamente uma tarefa fácil. Na 1ª série, por
exemplo, a média é de sete candidatos por vaga. As
crianças passam por entrevistas e testes de português
e matemática. "Se durante a entrevista percebemos que a criança
não vai adaptar-se ao colégio, aconselhamos a família
a buscar outra instituição", diz Rosa Amélia.
E. Queiroga/Lumiar
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| Laboratório
de biologia: noções de primeiros socorros |
Garantida a vaga, as dificuldades persistem. Os quase 6.000
alunos sabem que precisam se esforçar bastante para cumprir
todas as tarefas e atingir a média 7 exigida para a aprovação.
As tarefas de casa são diárias e incluem resolução
de exercícios, pesquisas na internet, trabalhos em grupo
e atividades culturais. Os alunos com dificuldade dispõem
de recuperação contínua durante o ano letivo,
sem custo adicional. No ensino médio, alunos com desempenho
acima da média são convidados a participar do "Projeto
Avançar". A intenção é aprofundar os
conteúdos para que esses alunos não percam o estímulo
pelos estudos. "O Santa Maria é um colégio feito para
quem realmente quer estudar", diz Ana Cecília de Araújo
Lima, 14 anos, da 8ª série do ensino fundamental. "Estudo
em casa cerca de duas horas por dia para conseguir acompanhar o
ritmo." Como recompensa para tanto esforço, Ana está
segura de estudar em um estabelecimento de qualidade superior, que
lhe propiciará base suficiente para ser aprovada nos vestibulares
mais concorridos sem a necessidade de fazer cursinho. Foi o que
aconteceu com Ruben Corrêa de Oliveira Andrade Filho, o primeiro
colocado geral no vestibular da Universidade Federal de Pernambuco
em 2001, com média 9,15. "O Santa Maria foi fundamental para
meu desempenho no vestibular", diz Ruben. "Os professores são
ótimos." Aluno do 1º ano da Faculdade de Medicina, ele
destaca a base obtida da 5ª à 8ª série.
"Sem os elementos que tive no ensino fundamental, tudo teria sido
muito mais difícil."
Ser
o melhor colégio da cidade. Desde 1956, quando fundou a escola,
esse foi sempre o objetivo da dona e diretora-geral, Maria das Dores
Muniz de Melo. Hoje, aos 86 anos de idade, ela continua a dar expediente
diário na escola, empenhada em cumprir sua meta. "Nossa obrigação
é dar ao jovem tudo o que ele necessita para se tornar um
excelente profissional", define a diretora.
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