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SEGURANÇA
E DISCIPLINA
Proteção
e limites
Escolas
se preocupam cada vez
mais
com segurança e disciplina
Nélio Rodrigues
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| Adolescentes
cuidam de filhote: prevenção à gravidez
na adolescência no Promove |
Garantir
a segurança dos alunos, incluindo o entorno da escola, é
uma preocupação crescente entre os colégios
de Belo Horizonte. Para a prevenção de roubos, tráfico
de drogas e até mesmo seqüestros, as instituições
de ensino investem cada vez mais. Câmaras de vídeo,
por exemplo, já são usadas por quase 20% das escolas.
Guaritas, funcionários circulando nas imediações
nos horários de entrada e saída e a contratação
de empresas de segurança são alguns dos recursos mais
usados na batalha contra a criminalidade.
Mas
os problemas não ocorrem apenas do lado de fora. Muitas vezes,
são os próprios estudantes que cometem atos violentos.
Por isso, outra grande preocupação é estabelecer
normas de convivência dentro do colégio e fazer que
sejam cumpridas. Resumindo: impor limites.
Disposta
a enfrentar os roubos de tênis e de telefone celular dos alunos
na vizinhança da escola, a direção da unidade
Cidade Jardim do Colégio Pitágoras instalou duas guaritas.
Munidos de rádio, telefone e binóculos, dois funcionários
observam o movimento de entrada e saída dos estudantes. Outros
dois são destacados para circular nas ruas próximas.
"Com essas medidas, conseguimos reduzir bastante o número
de ocorrências", diz a diretora da unidade, Maria José
Pereira Castro. No Colégio Santo Agostinho, seis câmaras
de vídeo e um equipamento para arquivar imagens foram instalados
no fim do ano passado. Na parte interna, o colégio dispõe
de 400 armários individuais alugados aos alunos por 30 reais
por ano. Uma empresa especializada contratada para vigiar a parte
externa completa a rede de proteção aos estudantes.
Na
questão disciplinar, a maioria das instituições
de ensino opta por fixar normas e regras por escrito. Em 92% dos
estabelecimentos há controle de entrada e saída, que
varia das tradicionais cadernetas a soluções tecnológicas.
O Colégio Soma, por exemplo, utiliza um sistema chamado hand
key, que usa leitura biométrica da mão direita de
cada aluno. Ao entrar ou sair por uma das doze catracas instaladas
na portaria do prédio, em vez de cartão magnético,
o estudante introduz a mão. O uniforme é obrigatório
em mais de 90% das instituições de Belo Horizonte,
mesmo no ensino médio. O namoro não tem relação
direta com a segurança, mas é vetado pela maioria
das escolas. Os alunos, é claro, contestam a rigidez de certas
normas. "Mesmo no verão, não podemos usar saia nem
sandália", reclama Mariel Moreira, 16 anos, estudante do
Colégio Loyola. "Acho que poderiam ser menos rigorosos na
questão do uniforme." A mesma queixa pode ser ouvida em quase
todos os colégios que responderam à pesquisa.
Nélio Rodrigues
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| Vigia
na guarita do Pitágoras: medida visa a proteger os jovens
nas proximidades da escola |
Alguns
estabelecimentos buscam aproximação com as famílias
para dividir a difícil tarefa de impor limites aos adolescentes.
Nessa área, uma das experiências mais interessantes
é o projeto Adolescer em Parceria, adotado pelo Santa Dorotéia.
Alunos da 7ª série levam uma revista para casa com perguntas
que devem ser respondidas simultaneamente por pais e filhos. Família,
amizade, fatores de risco e doenças sexualmente transmissíveis
são alguns dos assuntos tratados. "O propósito desse
trabalho é proporcionar o diálogo entre pais e filhos",
diz a vice-diretora, Maria Cristina Rosa.
A
gravidez na adolescência merece atenção especial
no Colégio Promove. Há seis anos, as turmas da 2ª
série do ensino médio participam do projeto Meu Filho
É um Pintinho, conduzido pela educadora sexual Lillian Geo
Leite Soares. A turma é dividida em duplas. Cada casal recebe
a incumbência de cuidar de um pintinho e devolvê-lo
à escola uma semana depois. Nesse período, o filhote
deve acompanhar os jovens por toda parte. Ao final da experiência,
cada participante relata o que sentiu. "Os fins de semana costumam
ser um caos", descreve Lillian. Há casos em que os pais acabam
assumindo o pintinho, outros em que o garoto desaparece e a menina
fica sozinha com o encargo. Freqüentemente, o bichinho morre.
"Ao relatar a experiência, 100% dos jovens admitem que não
estão preparados para assumir tanta responsabilidade."
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TOME NOTA
Não pense que, ao colocar seu filho em uma escola de
disciplina rígida, você estará resolvendo
automaticamente todos os problemas no comportamento dele.
Da mesma forma, um colégio liberal não garante
que seu filho tímido passará a ser um garoto
articulado e extrovertido. Muitos pais alimentam a expectativa
de que a escola seja capaz de suprir eventuais falhas na formação
da criança. Não se iluda, ninguém pode
substituir a família nessa tarefa.
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