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Edição Especial . 22 de maio de 2002
 
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SEGURANÇA E DISCIPLINA

Proteção e limites

Escolas se preocupam cada vez
mais com segurança e disciplina

 

Nélio Rodrigues
Adolescentes cuidam de filhote: prevenção à gravidez na adolescência no Promove

Garantir a segurança dos alunos, incluindo o entorno da escola, é uma preocupação crescente entre os colégios de Belo Horizonte. Para a prevenção de roubos, tráfico de drogas e até mesmo seqüestros, as instituições de ensino investem cada vez mais. Câmaras de vídeo, por exemplo, já são usadas por quase 20% das escolas. Guaritas, funcionários circulando nas imediações nos horários de entrada e saída e a contratação de empresas de segurança são alguns dos recursos mais usados na batalha contra a criminalidade.

Mas os problemas não ocorrem apenas do lado de fora. Muitas vezes, são os próprios estudantes que cometem atos violentos. Por isso, outra grande preocupação é estabelecer normas de convivência dentro do colégio e fazer que sejam cumpridas. Resumindo: impor limites.

Disposta a enfrentar os roubos de tênis e de telefone celular dos alunos na vizinhança da escola, a direção da unidade Cidade Jardim do Colégio Pitágoras instalou duas guaritas. Munidos de rádio, telefone e binóculos, dois funcionários observam o movimento de entrada e saída dos estudantes. Outros dois são destacados para circular nas ruas próximas. "Com essas medidas, conseguimos reduzir bastante o número de ocorrências", diz a diretora da unidade, Maria José Pereira Castro. No Colégio Santo Agostinho, seis câmaras de vídeo e um equipamento para arquivar imagens foram instalados no fim do ano passado. Na parte interna, o colégio dispõe de 400 armários individuais alugados aos alunos por 30 reais por ano. Uma empresa especializada contratada para vigiar a parte externa completa a rede de proteção aos estudantes.

Na questão disciplinar, a maioria das instituições de ensino opta por fixar normas e regras por escrito. Em 92% dos estabelecimentos há controle de entrada e saída, que varia das tradicionais cadernetas a soluções tecnológicas. O Colégio Soma, por exemplo, utiliza um sistema chamado hand key, que usa leitura biométrica da mão direita de cada aluno. Ao entrar ou sair por uma das doze catracas instaladas na portaria do prédio, em vez de cartão magnético, o estudante introduz a mão. O uniforme é obrigatório em mais de 90% das instituições de Belo Horizonte, mesmo no ensino médio. O namoro não tem relação direta com a segurança, mas é vetado pela maioria das escolas. Os alunos, é claro, contestam a rigidez de certas normas. "Mesmo no verão, não podemos usar saia nem sandália", reclama Mariel Moreira, 16 anos, estudante do Colégio Loyola. "Acho que poderiam ser menos rigorosos na questão do uniforme." A mesma queixa pode ser ouvida em quase todos os colégios que responderam à pesquisa.

 
Nélio Rodrigues
Vigia na guarita do Pitágoras: medida visa a proteger os jovens nas proximidades da escola


Alguns estabelecimentos buscam aproximação com as famílias para dividir a difícil tarefa de impor limites aos adolescentes. Nessa área, uma das experiências mais interessantes é o projeto Adolescer em Parceria, adotado pelo Santa Dorotéia. Alunos da 7ª série levam uma revista para casa com perguntas que devem ser respondidas simultaneamente por pais e filhos. Família, amizade, fatores de risco e doenças sexualmente transmissíveis são alguns dos assuntos tratados. "O propósito desse trabalho é proporcionar o diálogo entre pais e filhos", diz a vice-diretora, Maria Cristina Rosa.

A gravidez na adolescência merece atenção especial no Colégio Promove. Há seis anos, as turmas da 2ª série do ensino médio participam do projeto Meu Filho É um Pintinho, conduzido pela educadora sexual Lillian Geo Leite Soares. A turma é dividida em duplas. Cada casal recebe a incumbência de cuidar de um pintinho e devolvê-lo à escola uma semana depois. Nesse período, o filhote deve acompanhar os jovens por toda parte. Ao final da experiência, cada participante relata o que sentiu. "Os fins de semana costumam ser um caos", descreve Lillian. Há casos em que os pais acabam assumindo o pintinho, outros em que o garoto desaparece e a menina fica sozinha com o encargo. Freqüentemente, o bichinho morre. "Ao relatar a experiência, 100% dos jovens admitem que não estão preparados para assumir tanta responsabilidade."

 

TOME NOTA

Não pense que, ao colocar seu filho em uma escola de disciplina rígida, você estará resolvendo automaticamente todos os problemas no comportamento dele. Da mesma forma, um colégio liberal não garante que seu filho tímido passará a ser um garoto articulado e extrovertido. Muitos pais alimentam a expectativa de que a escola seja capaz de suprir eventuais falhas na formação da criança. Não se iluda, ninguém pode substituir a família nessa tarefa.

 

     
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