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TRABALHO
SOCIAL
Em busca do
bem
Escolas
descobrem que ação voluntária
pode ser um instrumento de aprendizagem
Nélio Rodrigues
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| Alunas
do Loyola visitam criança em hospital: ação
inspirada nos Doutores da Alegria |
Ações
sociais não são novidade nas escolas privadas de Belo
Horizonte. Colégios católicos, como Loyola e Santa
Dorotéia, incentivam o trabalho voluntário entre seus
alunos há mais de vinte anos. A diferença é
que, agora, além de não se restringir mais às
escolas confessionais, essas atividades são vistas como mais
uma oportunidade de aprendizagem para os estudantes. Em diversas
instituições de ensino, o trabalho social passou a
fazer parte do currículo. E a valer nota.
No
projeto BH Sem, alunos da 8ª série do Santa Dorotéia
optam por trabalhar com moradores de rua, em orfanatos, asilos,
centros de recuperação de toxicômanos e hospitais.
Fugindo do cunho assistencialista, os estudantes são estimulados
a conhecer uma nova realidade, analisá-la de forma crítica
e propor soluções para transformar a situação
encontrada. O projeto, que engloba todas as disciplinas, termina
com a apresentação das experiências em forma
de um dossiê e de uma página na internet. E vale pontos
para todas as matérias. Voluntariamente, outro grupo, formado
por alunos a partir da 5ª série, desenvolve um trabalho
social em uma favela próxima da escola.
No
Promove, estudantes da 2ª série do ensino médio
participam do projeto Solidariedade. Doe Parte de Seu Tempo. No
fim do semestre, depois de conhecer comunidades carentes e atuar
nelas, os alunos produzem uma revista com editoriais, artigos e
reportagens, além de exposição de fotos, vídeos
e uma apresentação oral para a turma, em que enfocam
todos os aspectos desse trabalho. Todas as tarefas valem nota para
a disciplina. "Nos primeiros encontros, alguns mostram resistência,
mas, à medida que vão conhecendo melhor outras realidades,
descobrem que o voluntariado é uma atividade prazerosa",
diz Edna Lisboa Soares, coordenadora da disciplina redação
e expressão e idealizadora do projeto. Percebe-se o crescimento
do aluno, e o melhor é que muitos continuam realizando trabalho
social depois dessa experiência. Um exemplo é Natália
Guida Silveira, 17 anos, atualmente na 3ª série do ensino
médio. Após terminar seu projeto em uma instituição
que faz terapia com técnicas de equitação,
ela permaneceu na entidade por conta própria. "Esse trabalho
trouxe muitas coisas boas para mim e para minhas colegas de grupo",
afirma Natália. "Uma atividade como essa nos faz pensar sobre
nossos valores."
O
colégio jesuíta Loyola desenvolve projetos sociais
desde que foi fundado o departamento de Pastoral, há dezenove
anos. No ensino fundamental, estudantes participam de um trabalho
de integração com várias instituições,
como creches e asilos. No ensino médio, embora não
sejam obrigatórios, os projetos sociais se tornam mais consistentes.
"Geralmente abrimos lista de inscrições e os interessados
se candidatam", diz o diretor de formação cristã
Eduardo Machado. "Embora voluntária, a participação
dos alunos vem crescendo bastante."
Com
dez anos de existência, o Projeto Alegria é um dos
mais procurados. Inspirados na experiência dos Doutores da
Alegria, os estudantes se vestem de palhaço e percorrem as
enfermarias infantis de instituições públicas,
como o Hospital da Baleia e Felício Rocho, entregando balões
e fazendo animações e jogos para alegrar o ambiente.
No projeto Ronda Noturna, um grupo prepara lanches e os distribui
a moradores de rua durante a noite. "A idéia é que
os meninos tenham contato com um mundo muito diferente do que encontram
em casa", explica Eduardo. A escola desenvolve também o Missão
Rural, no qual alunos do colégio vivem e trabalham com famílias
de camponeses por um período de dez dias. Mas será
que as ações voluntárias têm alguma influência
no futuro dos jovens? "Claro", responde Rogério Tavares,
advogado e ex-aluno do Loyola. "Os valores que adquiri durante o
trabalho voluntário na escola influenciam até hoje
minha vida."
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