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Edição Especial . 22 de maio de 2002
 
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TRABALHO SOCIAL

Em busca do bem

Escolas descobrem que ação voluntária
pode ser um instrumento de aprendizagem

 

Nélio Rodrigues
Alunas do Loyola visitam criança em hospital: ação inspirada nos Doutores da Alegria

Ações sociais não são novidade nas escolas privadas de Belo Horizonte. Colégios católicos, como Loyola e Santa Dorotéia, incentivam o trabalho voluntário entre seus alunos há mais de vinte anos. A diferença é que, agora, além de não se restringir mais às escolas confessionais, essas atividades são vistas como mais uma oportunidade de aprendizagem para os estudantes. Em diversas instituições de ensino, o trabalho social passou a fazer parte do currículo. E a valer nota.

No projeto BH Sem, alunos da 8ª série do Santa Dorotéia optam por trabalhar com moradores de rua, em orfanatos, asilos, centros de recuperação de toxicômanos e hospitais. Fugindo do cunho assistencialista, os estudantes são estimulados a conhecer uma nova realidade, analisá-la de forma crítica e propor soluções para transformar a situação encontrada. O projeto, que engloba todas as disciplinas, termina com a apresentação das experiências em forma de um dossiê e de uma página na internet. E vale pontos para todas as matérias. Voluntariamente, outro grupo, formado por alunos a partir da 5ª série, desenvolve um trabalho social em uma favela próxima da escola.

No Promove, estudantes da 2ª série do ensino médio participam do projeto Solidariedade. Doe Parte de Seu Tempo. No fim do semestre, depois de conhecer comunidades carentes e atuar nelas, os alunos produzem uma revista com editoriais, artigos e reportagens, além de exposição de fotos, vídeos e uma apresentação oral para a turma, em que enfocam todos os aspectos desse trabalho. Todas as tarefas valem nota para a disciplina. "Nos primeiros encontros, alguns mostram resistência, mas, à medida que vão conhecendo melhor outras realidades, descobrem que o voluntariado é uma atividade prazerosa", diz Edna Lisboa Soares, coordenadora da disciplina redação e expressão e idealizadora do projeto. Percebe-se o crescimento do aluno, e o melhor é que muitos continuam realizando trabalho social depois dessa experiência. Um exemplo é Natália Guida Silveira, 17 anos, atualmente na 3ª série do ensino médio. Após terminar seu projeto em uma instituição que faz terapia com técnicas de equitação, ela permaneceu na entidade por conta própria. "Esse trabalho trouxe muitas coisas boas para mim e para minhas colegas de grupo", afirma Natália. "Uma atividade como essa nos faz pensar sobre nossos valores."

O colégio jesuíta Loyola desenvolve projetos sociais desde que foi fundado o departamento de Pastoral, há dezenove anos. No ensino fundamental, estudantes participam de um trabalho de integração com várias instituições, como creches e asilos. No ensino médio, embora não sejam obrigatórios, os projetos sociais se tornam mais consistentes. "Geralmente abrimos lista de inscrições e os interessados se candidatam", diz o diretor de formação cristã Eduardo Machado. "Embora voluntária, a participação dos alunos vem crescendo bastante."

Com dez anos de existência, o Projeto Alegria é um dos mais procurados. Inspirados na experiência dos Doutores da Alegria, os estudantes se vestem de palhaço e percorrem as enfermarias infantis de instituições públicas, como o Hospital da Baleia e Felício Rocho, entregando balões e fazendo animações e jogos para alegrar o ambiente. No projeto Ronda Noturna, um grupo prepara lanches e os distribui a moradores de rua durante a noite. "A idéia é que os meninos tenham contato com um mundo muito diferente do que encontram em casa", explica Eduardo. A escola desenvolve também o Missão Rural, no qual alunos do colégio vivem e trabalham com famílias de camponeses por um período de dez dias. Mas será que as ações voluntárias têm alguma influência no futuro dos jovens? "Claro", responde Rogério Tavares, advogado e ex-aluno do Loyola. "Os valores que adquiri durante o trabalho voluntário na escola influenciam até hoje minha vida."

     
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