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Edição Especial . 22 de maio de 2002
 
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ESPORTE

Estudantes em movimento

Atividades diversificadas tornam
a iniciação esportiva atraente para
jovens de todas as idades

Juliana Nunes


Nélio Rodrigues
Vôlei na piscina do Santo Agostinho: o colégio oferece oito modalidades esportivas

Foi-se o tempo em que aula de educação física era sinônimo de jogo de queimada em um acanhado pátio de escola. Para incentivar a garotada a se mexer na direção de uma vida mais saudável, os estabelecimentos de ensino particulares de Belo Horizonte têm diversificado sua oferta de modalidades esportivas. Futebol, basquete e vôlei continuam na ordem do dia, mas entram em campo alternativas bem menos tradicionais, como a biodança e o mergulho. "Buscar jogos que estejam próximos dos alunos ou atraí-los com esportes da moda são maneiras de estimulá-los a manter uma atividade física", afirma Kátia Lemos, chefe do departamento de Esportes da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais.

Boa infra-estrutura esportiva também costuma ser levada em conta pelos pais na hora de escolher uma escola nova para os filhos. Em nome da conveniência de reunir instrução formal e atividades físicas e recreativas em um só lugar, os estabelecimentos de ensino mineiros estão investindo em instalações, equipando-se com quadras poliesportivas, salas de dança, ginásios cobertos e piscinas.

O Colégio Marista Dom Silvério, no bairro de São Pedro, é um exemplo de escola dotada de estrutura esportiva que não faz feio mesmo se comparada com a de alguns clubes da cidade. Há duas piscinas aquecidas, incluindo uma semi-olímpica utilizada em competições oficiais. O ginásio, coberto, tem duas quadras. Outras quatro são descobertas. Para completar, está sendo construído um novo centro esportivo com mais quadras e salas para atividades físicas e artísticas, com previsão de conclusão para novembro. A educação física tem grande peso no currículo do colégio, com três aulas semanais nos quatro primeiros anos do ensino fundamental. A partir da 5ª série, começa a iniciação esportiva. "Foi uma reivindicação dos próprios alunos", conta André Luiz e Silva, coordenador da disciplina. Meninos e meninas aprendem juntos, inicialmente, os fundamentos de esportes como handebol, vôlei, basquete e futsal.

A preocupação com os exercícios físicos prossegue durante os anos do ensino médio. No terceiro ano, o aluno pode es- colher entre jogos com raquete, como o badminton e o frescobol, vôlei na piscina ou biodança e alongamento, em duas aulas semanais. "Às vésperas do vestibular, é importante que os jovens tenham oportunidade de extravasar a tensão por meio do esporte", afirma Silva. Para atender a turma que gosta mesmo de movimento, o colégio ainda oferece, fora do horário de aulas, escolinhas de natação, hóquei com patins e cama elástica, entre outros esportes.

Segundo a pesquisa VEJA Belo Horizonte-Ipsos Marplan, 68% dos estabelecimentos de ensino médio da capital mineira oferecem mais de cinco modalidades esportivas aos alunos em suas aulas de educação física. A política da diversidade de opções permite que cada estudante acabe encontrando a atividade física que mais se adapta a seu perfil. A maioria das escolas adota o sistema de rodízio: periodicamente, cada turma tem a oportunidade de experimentar diferentes esportes. No Colégio Santo Agostinho, a iniciação acontece de forma lúdica durante o ensino fundamental – os garotos utilizam material reciclado para fazer cestas de basquete, raquetes de tênis e outros equipamentos utilizados nas atividades. Aos poucos, entram em contato com oito modalidades, entre elas a natação e o mergulho. Os alunos praticam ainda atividades recreativas, como peteca e queimada. Da mesma forma que o Marista Dom Silvério, o Santo Agostinho mantém a atividade física na programação de seus alunos durante toda a vida escolar. Outros estabelecimentos substituem as aulas de educação física por projetos opcionais, conforme se aproximam os exames de admissão para a universidade. "São, por exemplo, caminhadas aos sábados e atividades fora do horário de aulas, coisas que no papel funcionam, mas, na prática, nem tanto", alerta Kátia Lemos, professora da Universidade Federal de Minas Gerais.

Além de promover a adoção de hábitos saudáveis, a prática esportiva funciona como importante ferramenta para a socialização, por meio de jogos entre as turmas ou envolvendo outras escolas. No calendário do Marista Dom Silvério, destacam-se dois eventos neste ano: a olimpíada interna, que começa em 6 de junho, e a olimpíada provincial. Esta última é bienal e será disputada por doze colégios, em setembro, em Uberaba. A escola é representada com seus melhores atletas e há grande participação dos alunos na torcida. "É um momento de integração em que a garotada entra em contato com colegas até de outros Estados", diz Luiz Eduardo Santanna, coordenador do departamento de Esportes do Marista. Grandes redes, como a Promove, também organizam competições entre suas unidades. A minicopa, realizada anualmente em Sete Lagoas, mobiliza 1 400 jovens das quatro escolas localizadas na Grande Belo Horizonte. Em junho, acontece outro evento concorrido: o festival de dança, com os melhores trabalhos das turmas de 6ª e 7ª séries. O envolvimento dos alunos é tão grande que, na unidade Pampulha, é comum ver grupos de pré-adolescentes ensaiando as coreografias na hora do intervalo.

Não é raro que despontem talentos durante as aulas de educação física. Os casos excepcionais costumam ser encaminhados às escolinhas e aos clubes, que priorizam a competição. Mais que revelar aptidões e contribuir para a socialização, a educação física no colégio é uma oportunidade de a criança e o jovem explorarem o movimento. "A finalidade da inclusão da disciplina no currículo não é a formação de atletas", afirma Helena Nunes Miranda, da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais. "O objetivo é permitir que cada aluno possa desenvolver completamente todas as suas potencialidades."

 

TOME NOTA

Existem colégios que se orgulham de exibir as inúmeras opções esportivas que oferecem, como natação, ginástica olímpica e alpinismo. É preciso prestar atenção: muitas vezes, essas atividades acontecem fora do período escolar e não fazem parte do currículo. Ou seja, são cobradas à parte. Há também escolas que costumam selecionar os melhores em cada modalidade para formar as equipes que vão representar o colégio em competições externas. Por isso, dão menos atenção aos demais alunos na parte esportiva.

     
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