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ESPORTE
Estudantes
em movimento
Atividades
diversificadas tornam
a iniciação esportiva atraente para
jovens de todas as idades
Juliana
Nunes
Nélio Rodrigues
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| Vôlei
na piscina do Santo Agostinho: o colégio oferece oito
modalidades esportivas |
Foi-se
o tempo em que aula de educação física era
sinônimo de jogo de queimada em um acanhado pátio de
escola. Para incentivar a garotada a se mexer na direção
de uma vida mais saudável, os estabelecimentos de ensino
particulares de Belo Horizonte têm diversificado sua oferta
de modalidades esportivas. Futebol, basquete e vôlei continuam
na ordem do dia, mas entram em campo alternativas bem menos tradicionais,
como a biodança e o mergulho. "Buscar jogos que estejam próximos
dos alunos ou atraí-los com esportes da moda são maneiras
de estimulá-los a manter uma atividade física", afirma
Kátia Lemos, chefe do departamento de Esportes da Escola
de Educação Física da Universidade Federal
de Minas Gerais.
Boa
infra-estrutura esportiva também costuma ser levada em conta
pelos pais na hora de escolher uma escola nova para os filhos. Em
nome da conveniência de reunir instrução formal
e atividades físicas e recreativas em um só lugar,
os estabelecimentos de ensino mineiros estão investindo em
instalações, equipando-se com quadras poliesportivas,
salas de dança, ginásios cobertos e piscinas.
O
Colégio Marista Dom Silvério, no bairro de São
Pedro, é um exemplo de escola dotada de estrutura esportiva
que não faz feio mesmo se comparada com a de alguns clubes
da cidade. Há duas piscinas aquecidas, incluindo uma semi-olímpica
utilizada em competições oficiais. O ginásio,
coberto, tem duas quadras. Outras quatro são descobertas.
Para completar, está sendo construído um novo centro
esportivo com mais quadras e salas para atividades físicas
e artísticas, com previsão de conclusão para
novembro. A educação física tem grande peso
no currículo do colégio, com três aulas semanais
nos quatro primeiros anos do ensino fundamental. A partir da 5ª
série, começa a iniciação esportiva.
"Foi uma reivindicação dos próprios alunos",
conta André Luiz e Silva, coordenador da disciplina. Meninos
e meninas aprendem juntos, inicialmente, os fundamentos de esportes
como handebol, vôlei, basquete e futsal.
A
preocupação com os exercícios físicos
prossegue durante os anos do ensino médio. No terceiro ano,
o aluno pode es- colher entre jogos com raquete, como o badminton
e o frescobol, vôlei na piscina ou biodança e alongamento,
em duas aulas semanais. "Às vésperas do vestibular,
é importante que os jovens tenham oportunidade de extravasar
a tensão por meio do esporte", afirma Silva. Para atender
a turma que gosta mesmo de movimento, o colégio ainda oferece,
fora do horário de aulas, escolinhas de natação,
hóquei com patins e cama elástica, entre outros esportes.
Segundo
a pesquisa VEJA Belo Horizonte-Ipsos Marplan, 68% dos estabelecimentos
de ensino médio da capital mineira oferecem mais de cinco
modalidades esportivas aos alunos em suas aulas de educação
física. A política da diversidade de opções
permite que cada estudante acabe encontrando a atividade física
que mais se adapta a seu perfil. A maioria das escolas adota o sistema
de rodízio: periodicamente, cada turma tem a oportunidade
de experimentar diferentes esportes. No Colégio Santo Agostinho,
a iniciação acontece de forma lúdica durante
o ensino fundamental os garotos utilizam material reciclado
para fazer cestas de basquete, raquetes de tênis e outros
equipamentos utilizados nas atividades. Aos poucos, entram em contato
com oito modalidades, entre elas a natação e o mergulho.
Os alunos praticam ainda atividades recreativas, como peteca e queimada.
Da mesma forma que o Marista Dom Silvério, o Santo Agostinho
mantém a atividade física na programação
de seus alunos durante toda a vida escolar. Outros estabelecimentos
substituem as aulas de educação física por
projetos opcionais, conforme se aproximam os exames de admissão
para a universidade. "São, por exemplo, caminhadas aos sábados
e atividades fora do horário de aulas, coisas que no papel
funcionam, mas, na prática, nem tanto", alerta Kátia
Lemos, professora da Universidade Federal de Minas Gerais.
Além
de promover a adoção de hábitos saudáveis,
a prática esportiva funciona como importante ferramenta para
a socialização, por meio de jogos entre as turmas
ou envolvendo outras escolas. No calendário do Marista Dom
Silvério, destacam-se dois eventos neste ano: a olimpíada
interna, que começa em 6 de junho, e a olimpíada provincial.
Esta última é bienal e será disputada por doze
colégios, em setembro, em Uberaba. A escola é representada
com seus melhores atletas e há grande participação
dos alunos na torcida. "É um momento de integração
em que a garotada entra em contato com colegas até de outros
Estados", diz Luiz Eduardo Santanna, coordenador do departamento
de Esportes do Marista. Grandes redes, como a Promove, também
organizam competições entre suas unidades. A minicopa,
realizada anualmente em Sete Lagoas, mobiliza 1 400 jovens das quatro
escolas localizadas na Grande Belo Horizonte. Em junho, acontece
outro evento concorrido: o festival de dança, com os melhores
trabalhos das turmas de 6ª e 7ª séries. O envolvimento
dos alunos é tão grande que, na unidade Pampulha,
é comum ver grupos de pré-adolescentes ensaiando as
coreografias na hora do intervalo.
Não
é raro que despontem talentos durante as aulas de educação
física. Os casos excepcionais costumam ser encaminhados às
escolinhas e aos clubes, que priorizam a competição.
Mais que revelar aptidões e contribuir para a socialização,
a educação física no colégio é
uma oportunidade de a criança e o jovem explorarem o movimento.
"A finalidade da inclusão da disciplina no currículo
não é a formação de atletas", afirma
Helena Nunes Miranda, da Secretaria Estadual de Educação
de Minas Gerais. "O objetivo é permitir que cada aluno possa
desenvolver completamente todas as suas potencialidades."
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TOME NOTA
Existem
colégios que se orgulham de exibir as inúmeras
opções esportivas que oferecem, como natação,
ginástica olímpica e alpinismo. É preciso
prestar atenção: muitas vezes, essas atividades
acontecem fora do período escolar e não fazem
parte do currículo. Ou seja, são cobradas à
parte. Há também escolas que costumam selecionar
os melhores em cada modalidade para formar as equipes que
vão representar o colégio em competições
externas. Por isso, dão menos atenção
aos demais alunos na parte esportiva.
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