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Edição Especial . 22 de maio de 2002
 
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Sai a caneta, entra o mouse

Inovações tecnológicas invadem
as escolas, mas precisa-se de bons
professores para obter resultados


Nélio Rodrigues
Alunos observam pequenos animais no laboratório do Imaculada Conceição: incentivo à investigação científica

A tecnologia provocou verdadeira revolução no processo de aprendizagem. Cada vez mais as canetas são substituídas por teclados e mouses de computador. Os livros sofrem a concorrência da internet. A incorporação de recursos tecnológicos, entretanto, não é garantia de incremento na qualidade de ensino.

"O maior desafio é fazer com que o professor use adequadamente todo o potencial oferecido pelas novas tecnologias", afirma Lúcio de Andrade Fonseca, diretor de tecnologia do Pitágoras. Terceira maior rede de ensino do país, com faturamento de 100 milhões de reais por ano, o Pitágoras investe 3% de seu orçamento em tecnologia. No laboratório de física, um projetor acoplado a um computador permite que os alunos acompanhem em um telão fenômenos físicos, como curto-circuito, gás comprimido e levitação magnética. "Esses recursos fazem muita diferença", diz o professor de física Ennio Alberto Filho. "O aluno se empolga ao ver uma experiência e fixa melhor os conteúdos." Ennio diz que o apoio do colégio é muito importante para o aprimoramento do professor. "Já fiz uma série de cursos patrocinados pela escola."

No Marista Dom Silvério, existem três laboratórios de informática, um para cada nível de ensino. Já na 1ª série os alunos aprendem a criar sites em trabalhos interdisciplinares.

No Imaculada Conceição, um prédio de laboratórios, simples mas funcional, permite que o colégio incentive bastante a investigação científica. Desde a 1ª série do ensino fundamental, os alunos são estimulados a fazer pesquisas e experimentos. Microscópios, instrumentos ópticos, pipetas, buretas, condensadores, densímetros. A escola conta com enorme lista de materiais à disposição dos estudantes. Além de experiências mais convencionais, os alunos do Imaculada Conceição têm a oportunidade de observar órgãos do corpo humano e dissecar pequenos animais. Há ainda uma estufa para estudos de botânica e um laboratório fotográfico. No laboratório de física, muitos dos equipamentos usados nas atividades são construídos pelos próprios alunos com material reciclável.

"Construindo os aparelhos, eles aprendem mais facilmente os conceitos da física", diz o responsável pelos laboratórios, Geraldo Sebastião de Rezende. Na 1ª série do ensino médio, os alunos se dividem em grupos para produzir monografias acadêmicas. Movimento dos satélites, leis de Kepler e sistema de Copérnico são alguns dos temas dos trabalhos. Ao fim do ano letivo, as monografias são caprichosamente encapadas e ficam disponíveis na biblioteca da escola.

O professor de ciências Celso Baeta Neves, que também é diretor do parque ecológico da Universidade Federal de Minas Gerais, costuma levar os alunos da 8ª série para a universidade. Lá eles coletam dados meteorológicos que depois serão analisados na sala de aula. "Trabalhos de campo enriquecem muito o projeto pedagógico", afirma Baeta Neves. "Hoje, os alunos não aceitam mais uma aula meramente expositiva e monótona."

 

TOME NOTA

É ótimo estudar em um colégio com piscinas aquecidas, ginásios cobertos e laboratórios equipados com microscópios e computadores de última geração. Mas não deixe que isso se torne o fator decisivo na escolha. Em educação, apesar de todas as inovações tecnológicas, o mais importante ainda são as pessoas. A infra-estrutura precisa estar a serviço da aprendizagem, e não servir apenas como instrumento de marketing.

     
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