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Edição Especial . 22 de maio de 2002
 
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PROFESSORES

Eles fazem a diferença

Os mestres fazem mais do que transmitir
conteúdo. São aliados dos alunos
e os preparam para a vida


Nélio Rodrigues
Aula no bosque do Santa Dorotéia: estratégia para prender a atenção da turma

Há cinco anos, eu me preocupava apenas em ensinar. Hoje, o que me interessa é saber se o aluno aprendeu." A frase da professora de história do Colégio Pitágoras Carla Miller Brant Moraes resume bem as mudanças ocorridas nas escolas nos últimos anos. Tão importante quanto o diploma de uma faculdade renomada é saber transmitir o conhecimento de maneira estimulante. "Os jovens vivem em ritmo de videoclipe", diz o professor Alessandro Tocafundo, que leciona no colégio Imaculada Conceição e no Marista Dom Silvério. "Se você não acompanhar, não prende a atenção da turma." Alexandre diz que é preciso adotar estratégias de sedução, como:

preparar aulas participativas, nas quais os alunos possam expressar-se;

utilizar recursos audiovisuais, revistas e jornais;

levar a classe para fora da sala de aula.

O desafio, entretanto, só faz aumentar. As crianças e os adolescentes dispõem de uma série cada vez maior de fontes de conhecimento fora da escola, entre elas a televisão e a internet. Para dar conta da tarefa em sala de aula, é fundamental que o professor se atualize permanentemente, por meio de leituras e cursos. Deve, ainda, conhecer informática o suficiente para usá-la como instrumento efetivo de aprendizagem. Espera-se, também, que ele seja capaz de estabelecer relações entre seu trabalho e o dos colegas. Só assim os projetos multidisciplinares poderão atingir bons resultados.

O papel da instituição de ensino nesse processo é fornecer condições para que seus profissionais possam enfrentar esses desafios, mas isso nem sempre ocorre. "As escolas exigem cada vez mais e querem que o professor se atualize constantemente", afirma Décio Braga, presidente do Sinpro, sindicato que reúne os educadores da rede privada de Minas Gerais. "O problema é que a maioria dos colégios não está disposta a pagar por isso." Justamente nesse ponto está o grande diferencial das melhores instituições da cidade. Nelas, os professores participam de cursos de capacitação na própria escola, são pagos para realizar reuniões de planejamento e recebem auxílio financeiro para fazer pós-graduação, mestrado ou doutorado. "O colégio pagou metade de minha pós-graduação", diz a professora de matemática Vera Lúcia Giordini, do Colégio Loyola. "Aqui, eles investem no profissional." Com mestrado já concluído, a professora de português Claudia Diniz diz que jamais trocaria o Loyola por uma faculdade. "Além de pagar um salário superior ao que eu receberia na universidade, a escola nos dá muito apoio e autonomia", justifica. "Isso faz com que o profissional não tenha vontade de sair do emprego." Naturalmente, usufruir todas essas vantagens não é fácil. Antes de ingressarem nos melhores colégios de Belo Horizonte, os docentes são submetidos a rigoroso processo seletivo, que inclui criteriosa análise de currículo, entrevistas e, muitas vezes, até aulas experimentais.

Além de despertar o interesse dos alunos, o bom educador prima por conseguir incorporar às aulas assuntos do cotidiano. Um dia depois da recente e frustrada tentativa de golpe na Venezuela, o tema já era assunto de aulas de questões contemporâneas do Pitágoras. Em outra atividade, pede-se que os alunos freqüentem a Assembléia Legislativa, para produzir um amplo painel sobre o desempenho dos deputados estaduais mineiros.

Autora de livro didático e professora do Santa Dorotéia, Regina Belissário sustenta que não há mais espaço para o professor que dá apenas aulas expositivas. "Nossos alunos saem muito a campo e trabalham com projetos interdisciplinares desde a 1ª série do ensino fundamental", conta. Todo esse esforço em busca de inovações é reconhecido. "Para os alunos, um professor que consegue tornar a aula atraente e dinâmica faz toda a diferença."

 


 

TOME NOTA

O fato de um professor ser querido pelos alunos não garante que ele seja bom. O educador deve estar próximo do estudante, mas isso não significa que os dois sejam iguais. "Hoje, todo mundo quer ser democrático e amigo", diz a psicopedagoga Raquel Whitaker. "Não podemos esquecer, entretanto, que ao professor cabe também fixar regras e impor limites."

     
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