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PROFESSORES
Eles fazem
a diferença
Os
mestres fazem mais do que transmitir
conteúdo. São aliados dos alunos
e os preparam para a vida
Nélio Rodrigues
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| Aula
no bosque do Santa Dorotéia: estratégia para prender
a atenção da turma |
Há
cinco anos, eu me preocupava apenas em ensinar. Hoje, o que me interessa
é saber se o aluno aprendeu." A frase da professora de história
do Colégio Pitágoras Carla Miller Brant Moraes resume
bem as mudanças ocorridas nas escolas nos últimos
anos. Tão importante quanto o diploma de uma faculdade renomada
é saber transmitir o conhecimento de maneira estimulante.
"Os jovens vivem em ritmo de videoclipe", diz o professor Alessandro
Tocafundo, que leciona no colégio Imaculada Conceição
e no Marista Dom Silvério. "Se você não acompanhar,
não prende a atenção da turma." Alexandre diz
que é preciso adotar estratégias de sedução,
como:
preparar aulas participativas, nas quais os alunos possam expressar-se;
utilizar recursos audiovisuais, revistas e jornais;
levar a classe para fora da sala de aula.
O
desafio, entretanto, só faz aumentar. As crianças
e os adolescentes dispõem de uma série cada vez maior
de fontes de conhecimento fora da escola, entre elas a televisão
e a internet. Para dar conta da tarefa em sala de aula, é
fundamental que o professor se atualize permanentemente, por meio
de leituras e cursos. Deve, ainda, conhecer informática o
suficiente para usá-la como instrumento efetivo de aprendizagem.
Espera-se, também, que ele seja capaz de estabelecer relações
entre seu trabalho e o dos colegas. Só assim os projetos
multidisciplinares poderão atingir bons resultados.
O
papel da instituição de ensino nesse processo é
fornecer condições para que seus profissionais possam
enfrentar esses desafios, mas isso nem sempre ocorre. "As escolas
exigem cada vez mais e querem que o professor se atualize constantemente",
afirma Décio Braga, presidente do Sinpro, sindicato que reúne
os educadores da rede privada de Minas Gerais. "O problema é
que a maioria dos colégios não está disposta
a pagar por isso." Justamente nesse ponto está o grande diferencial
das melhores instituições da cidade. Nelas, os professores
participam de cursos de capacitação na própria
escola, são pagos para realizar reuniões de planejamento
e recebem auxílio financeiro para fazer pós-graduação,
mestrado ou doutorado. "O colégio pagou metade de minha pós-graduação",
diz a professora de matemática Vera Lúcia Giordini,
do Colégio Loyola. "Aqui, eles investem no profissional."
Com mestrado já concluído, a professora de português
Claudia Diniz diz que jamais trocaria o Loyola por uma faculdade.
"Além de pagar um salário superior ao que eu receberia
na universidade, a escola nos dá muito apoio e autonomia",
justifica. "Isso faz com que o profissional não tenha vontade
de sair do emprego." Naturalmente, usufruir todas essas vantagens
não é fácil. Antes de ingressarem nos melhores
colégios de Belo Horizonte, os docentes são submetidos
a rigoroso processo seletivo, que inclui criteriosa análise
de currículo, entrevistas e, muitas vezes, até aulas
experimentais.
Além
de despertar o interesse dos alunos, o bom educador prima por conseguir
incorporar às aulas assuntos do cotidiano. Um dia depois
da recente e frustrada tentativa de golpe na Venezuela, o tema já
era assunto de aulas de questões contemporâneas do
Pitágoras. Em outra atividade, pede-se que os alunos freqüentem
a Assembléia Legislativa, para produzir um amplo painel sobre
o desempenho dos deputados estaduais mineiros.
Autora
de livro didático e professora do Santa Dorotéia,
Regina Belissário sustenta que não há mais
espaço para o professor que dá apenas aulas expositivas.
"Nossos alunos saem muito a campo e trabalham com projetos interdisciplinares
desde a 1ª série do ensino fundamental", conta. Todo
esse esforço em busca de inovações é
reconhecido. "Para os alunos, um professor que consegue tornar a
aula atraente e dinâmica faz toda a diferença."
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TOME
NOTA
O
fato de um professor ser querido pelos alunos não garante
que ele seja bom. O educador deve estar próximo do
estudante, mas isso não significa que os dois sejam
iguais. "Hoje, todo mundo quer ser democrático e amigo",
diz a psicopedagoga Raquel Whitaker. "Não podemos esquecer,
entretanto, que ao professor cabe também fixar regras
e impor limites."
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