| |
|
|
 |
|
AS
SURPRESAS
Novas
escolas se destacam
Projetos
pedagógicos recentes
também aparecem bem nos rankings
das melhores da cidade
Fotos Nélio Rodrigues

Oficina
de mosaico no Edna Roriz: formação para jovens empreendedores
|
Tradicionais
colégios religiosos e grandes redes que fizeram o nome arrebatando
altos índices de aprovação no vestibular encontraram
seu lugar nos rankings da pesquisa VEJA Belo Horizonte-Ipsos
Marplan. Mas não foram apenas essas grifes do ensino que
obtiveram destaque. Projetos pedagógicos ainda recentes despontam
como boas surpresas no panorama educacional de Belo Horizonte. Segundo
colocado no ranking do ensino médio, o Colégio Edna
Roriz está iniciando seu quinto ano letivo. Ocupando um prédio
arrojado em Belvedere, acolhe uma clientela de alto poder aquisitivo
com uma proposta inovadora. Seus alunos da 5ª à 8ª
série do ensino fundamental e também os do ensino
médio circulam por salas-ambientes, preparadas para atender
a toda disciplina. Cada turma tem, no máximo, trinta alunos,
um limite que a diretora da escola, Edna Roriz, faz questão
absoluta de manter. "A própria arquitetura do prédio
não permite que as paredes entre as salas possam ser derrubadas
para abrigar turmas maiores", conta. Mas o mais importante é
que Edna conta com um corpo docente estável, qualificado
e bem remunerado.
A
criação do colégio foi resultado de uma experiência
de vinte anos de ensino. Formada em química, física
e matemática, a professora ficou conhecida por seu disputado
cursinho pré-vestibular. Chegou a matricular 400 alunos por
ano. Agora tem apenas 150, com listas de espera até 2006.
"Percebi que aqueles jovens, provenientes das melhores escolas da
cidade, apresentavam lacunas sérias em sua formação",
analisa Edna. "Estavam recebendo exatamente os mesmos conhecimentos
que seus pais, vinte anos antes." No início dos anos 90,
botou a mão na massa. Saiu pelo mundo visitando escolas,
da Itália à Nova Zelândia. Obteve um financiamento
do BNDES e em 1998 recebia suas primeiras turmas. "Matriculei meu
filho, Carlos Alberto, na 8ª série, no ano de fundação",
conta a professora aposentada Eliane Chamone. "Ele tinha problemas
para se adaptar em outras escolas, mas lá suas potencialidades
foram estimuladas e seus limites, respeitados." Carlos Alberto passou,
no ano passado, nos vestibulares para arquitetura da Pontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Centro
Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH).
Um
dos diferenciais do Colégio Edna Roriz é a carga horária,
que começa com 29 horas semanais, o que ocupa os alunos todas
as manhãs mais duas tardes por semana. No 3º ano do
ensino médio, os estudos acontecem em tempo integral. Há
aulas de ética em todas as séries. No ensino médio,
entram também filosofia, estética e os encontros de
orientação vocacional. Desde a 5ª série
o inglês é ministrado com as turmas ainda mais reduzidas,
divididas por nível de conhecimento. Na 6ª, o espanhol
torna-se obrigatório. "Nosso objetivo é dar fluência
nos dois idiomas", diz Edna. De tarde, garotos de várias
séries convivem em oficinas de música, dança,
fotografia, mosaico, fabricação de velas e até
mesmo de produção de cosméticos. "Nosso objetivo
é ensinar o aluno a ser um empreendedor, uma pessoa que busca
formas diferentes para resolver seus problemas", resume Edna.

Encontro
na gibiteca do Frei Orlando: uma das atividades extracurriculares
sem custo adicional para os pais |
Mais
recente que o colégio de Edna é o processo pelo qual
passa o Colégio Espanhol Santa Maria, em Cidade Nova
11º colocado no ranking de ensino fundamental. Ligada à
Arquidiocese de Belo Horizonte, desde 1999 a escola vem se transformando
em estabelecimento bilíngüe, graças a um convênio
com o Ministério de Educação da Espanha. Neste
ano, as turmas com aulas em português e espanhol vão
até a 3ª série do ensino fundamental. São
cinco aulas de língua estrangeira por semana, sem falar nas
lições de ensino religioso, informática, ciências
naturais, geografia e história ibérica, que também
acontecem em espanhol. "Os alunos vão sair daqui com formação
cultural mais ampla e com diploma reconhecido na Espanha", afirma
a diretora, Ana Lúcia Goulart Toscano Rios. Para darem conta
do recado, as turmas têm pelo menos uma hora a mais de aula
por dia, comparadas com os colegas que cumprem o currículo
brasileiro.
Modificações
radicais deram nova vida ao Colégio Frei Orlando, administrado
pela Beneficência Franciscana, oitavo colocado no ranking
de ensino médio e 14º no de ensino fundamental. Dois
anos atrás, quando a instituição atravessava
uma crise, com redução do número de alunos,
o padre Carlos Henrique Corrêa Senna assumiu a direção,
decidido a mudar a cara da escola. Iniciou um processo de reestruturação
geral, com modernização da infra-estrutura e um convênio
para usar o material didático da Rede Promove. Neste ano,
o colégio ganhou um núcleo cultural, um prédio
anexo à unidade Carlos Prates equipado com biblioteca, salas
de arte e laboratórios de informática, química,
biologia e geologia. Nesse espaço, os estudantes podem participar
de atividades sem custos adicionais, como grupos de dança
country, sessões de contadores de histórias e encontros
de apreciadores de gibis. Há também cursos de capoeira
e balé, mas cobrados à parte. O esforço de
renovação vem rendendo frutos. "Até 2000, estávamos
sofrendo uma perda de 250 alunos por ano. Estancamos a queda e já
estamos vivendo um pequeno crescimento", diz o padre Carlos Henrique.
Outras
duas surpresas na pesquisa são dois colégios que tiveram
sua origem em cursinhos pré-vestibulares. O Método
oferece ensino individualizado da 5ª série ao 3º
ano do ensino médio, em turmas de no máximo 25 alunos,
e mantém uma motivada equipe de professores, com remuneração
bem acima da média de Belo Horizonte. O Colégio Soma
proporciona exclusivamente o ensino médio. A carga horária
é puxada: são 28 horas semanais nos dois primeiros
anos e trinta no terceiro, com opção para o turno
integral de 38 horas. Há plantões para tirar dúvidas
de segunda a sábado, revisões por circuito interno
de TV e os alunos ainda podem entrar em contato com os professores
pela internet. "Alguns pais nos procuram pensando só em vestibular
e acabam se surpreendendo com o que temos a oferecer", orgulha-se
o diretor-geral, Afonso Santana.
|