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Edição Especial . 22 de maio de 2002
 
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A CAMPEÃ DO
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AS SURPRESAS
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TRABALHO SOCIAL
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FICHÁRIO
   

AS SURPRESAS

Novas escolas se destacam

Projetos pedagógicos recentes
também aparecem bem nos rankings
das melhores da cidade

 
Fotos Nélio Rodrigues

Oficina de mosaico no Edna Roriz: formação para jovens empreendedores

Tradicionais colégios religiosos e grandes redes que fizeram o nome arrebatando altos índices de aprovação no vestibular encontraram seu lugar nos rankings da pesquisa VEJA Belo Horizonte-Ipsos Marplan. Mas não foram apenas essas grifes do ensino que obtiveram destaque. Projetos pedagógicos ainda recentes despontam como boas surpresas no panorama educacional de Belo Horizonte. Segundo colocado no ranking do ensino médio, o Colégio Edna Roriz está iniciando seu quinto ano letivo. Ocupando um prédio arrojado em Belvedere, acolhe uma clientela de alto poder aquisitivo com uma proposta inovadora. Seus alunos da 5ª à 8ª série do ensino fundamental e também os do ensino médio circulam por salas-ambientes, preparadas para atender a toda disciplina. Cada turma tem, no máximo, trinta alunos, um limite que a diretora da escola, Edna Roriz, faz questão absoluta de manter. "A própria arquitetura do prédio não permite que as paredes entre as salas possam ser derrubadas para abrigar turmas maiores", conta. Mas o mais importante é que Edna conta com um corpo docente estável, qualificado e bem remunerado.

A criação do colégio foi resultado de uma experiência de vinte anos de ensino. Formada em química, física e matemática, a professora ficou conhecida por seu disputado cursinho pré-vestibular. Chegou a matricular 400 alunos por ano. Agora tem apenas 150, com listas de espera até 2006. "Percebi que aqueles jovens, provenientes das melhores escolas da cidade, apresentavam lacunas sérias em sua formação", analisa Edna. "Estavam recebendo exatamente os mesmos conhecimentos que seus pais, vinte anos antes." No início dos anos 90, botou a mão na massa. Saiu pelo mundo visitando escolas, da Itália à Nova Zelândia. Obteve um financiamento do BNDES e em 1998 recebia suas primeiras turmas. "Matriculei meu filho, Carlos Alberto, na 8ª série, no ano de fundação", conta a professora aposentada Eliane Chamone. "Ele tinha problemas para se adaptar em outras escolas, mas lá suas potencialidades foram estimuladas e seus limites, respeitados." Carlos Alberto passou, no ano passado, nos vestibulares para arquitetura da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH).

Um dos diferenciais do Colégio Edna Roriz é a carga horária, que começa com 29 horas semanais, o que ocupa os alunos todas as manhãs mais duas tardes por semana. No 3º ano do ensino médio, os estudos acontecem em tempo integral. Há aulas de ética em todas as séries. No ensino médio, entram também filosofia, estética e os encontros de orientação vocacional. Desde a 5ª série o inglês é ministrado com as turmas ainda mais reduzidas, divididas por nível de conhecimento. Na 6ª, o espanhol torna-se obrigatório. "Nosso objetivo é dar fluência nos dois idiomas", diz Edna. De tarde, garotos de várias séries convivem em oficinas de música, dança, fotografia, mosaico, fabricação de velas e até mesmo de produção de cosméticos. "Nosso objetivo é ensinar o aluno a ser um empreendedor, uma pessoa que busca formas diferentes para resolver seus problemas", resume Edna.



Encontro na gibiteca do Frei Orlando: uma das atividades extracurriculares sem custo adicional para os pais

Mais recente que o colégio de Edna é o processo pelo qual passa o Colégio Espanhol Santa Maria, em Cidade Nova – 11º colocado no ranking de ensino fundamental. Ligada à Arquidiocese de Belo Horizonte, desde 1999 a escola vem se transformando em estabelecimento bilíngüe, graças a um convênio com o Ministério de Educação da Espanha. Neste ano, as turmas com aulas em português e espanhol vão até a 3ª série do ensino fundamental. São cinco aulas de língua estrangeira por semana, sem falar nas lições de ensino religioso, informática, ciências naturais, geografia e história ibérica, que também acontecem em espanhol. "Os alunos vão sair daqui com formação cultural mais ampla e com diploma reconhecido na Espanha", afirma a diretora, Ana Lúcia Goulart Toscano Rios. Para darem conta do recado, as turmas têm pelo menos uma hora a mais de aula por dia, comparadas com os colegas que cumprem o currículo brasileiro.

Modificações radicais deram nova vida ao Colégio Frei Orlando, administrado pela Beneficência Franciscana, oitavo colocado no ranking de ensino médio e 14º no de ensino fundamental. Dois anos atrás, quando a instituição atravessava uma crise, com redução do número de alunos, o padre Carlos Henrique Corrêa Senna assumiu a direção, decidido a mudar a cara da escola. Iniciou um processo de reestruturação geral, com modernização da infra-estrutura e um convênio para usar o material didático da Rede Promove. Neste ano, o colégio ganhou um núcleo cultural, um prédio anexo à unidade Carlos Prates equipado com biblioteca, salas de arte e laboratórios de informática, química, biologia e geologia. Nesse espaço, os estudantes podem participar de atividades sem custos adicionais, como grupos de dança country, sessões de contadores de histórias e encontros de apreciadores de gibis. Há também cursos de capoeira e balé, mas cobrados à parte. O esforço de renovação vem rendendo frutos. "Até 2000, estávamos sofrendo uma perda de 250 alunos por ano. Estancamos a queda e já estamos vivendo um pequeno crescimento", diz o padre Carlos Henrique.

Outras duas surpresas na pesquisa são dois colégios que tiveram sua origem em cursinhos pré-vestibulares. O Método oferece ensino individualizado da 5ª série ao 3º ano do ensino médio, em turmas de no máximo 25 alunos, e mantém uma motivada equipe de professores, com remuneração bem acima da média de Belo Horizonte. O Colégio Soma proporciona exclusivamente o ensino médio. A carga horária é puxada: são 28 horas semanais nos dois primeiros anos e trinta no terceiro, com opção para o turno integral de 38 horas. Há plantões para tirar dúvidas de segunda a sábado, revisões por circuito interno de TV e os alunos ainda podem entrar em contato com os professores pela internet. "Alguns pais nos procuram pensando só em vestibular e acabam se surpreendendo com o que temos a oferecer", orgulha-se o diretor-geral, Afonso Santana.

 

     
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