| Publicidade | |||
|
|
|||
![]() |
![]() |
|
|
Edição Especial . 22 de maio de 2002 |
Quando decidiu realizar esse inédito ranking das melhores escolas particulares de Belo Horizonte, VEJA foi procurar 100 dos mais respeitados especialistas em educação do país. A lista dos profissionais consultados abrange pedagogos, educadores, autoridades do MEC, diretores de escola, orientadores e professores de reconhecido prestígio. A revista fez a todos eles uma indagação: quais são as características comuns aos bons colégios? Depois de entrevistá-los, foi possível elaborar um questionário com 72 perguntas. Montado o roteiro, VEJA voltou a procurar os especialistas excluindo, dessa vez, os que tinham ligação direta com alguma escola para que atribuíssem peso a cada um dos itens, de acordo com sua importância. Depois dessa etapa, foram selecionadas trinta perguntas bastante diretas que podem ser formuladas a todos os tipos de estabelecimento de ensino. Foram essas trinta questões que contaram pontos na elaboração do ranking final. As outras 42 não valeram para a classificação. Isso porque, embora fossem relevantes para traçar um panorama da rede particular de ensino da cidade, tratavam de temas que não influem diretamente na qualidade do projeto pedagógico ou que são difíceis de avaliar objetivamente. É o caso, por exemplo, das questões relacionadas com a disciplina. Não se levou em conta, no resultado do ranking, se a escola permite que os alunos entrem e saiam livremente das aulas, se o namoro é aceito, se o uniforme é obrigatório ou se os pais são avisados no mesmo dia em caso de falta. Afinal, esses fatores não indicam que a instituição é boa ou ruim. Houve consenso em um ponto fundamental: o fator decisivo para a avaliação de um estabelecimento de ensino é o quadro docente. Mais do que salas espaçosas, ginásios cobertos, número de idiomas lecionados, a qualificação dos professores e as condições de trabalho que lhes são dadas pemitem medir o nível do ensino mantido pelas escolas. "Muitos colégios dispõem de computadores modernos, laboratórios bem equipados, piscina e belos auditórios", diz Noeli Weffort, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Mas, se não tiverem também um corpo docente eficiente e estimulado, nada disso adianta." Por isso, as questões referentes ao professorado ganharam o maior peso na tabulação dos resultados. A pesquisa tratou de levantar qual o salário deles, quantas horas remuneradas recebem para atividades de planejamento, há quanto tempo lecionam na escola. Também se perguntou com que freqüência se reúnem e qual o porcentual dos que trabalham em regime de dedicação exclusiva. A análise das respostas levou a conclusões importantes. Descobriu-se que apenas dezesseis das escolas participantes pagam mais de 2 300 reais por mês a seus professores da 1ª à 4ª série. Nas demais séries do ensino fundamental e no ensino médio, os professores são pagos por hora-aula. Apurou-se que 25 escolas oferecem remuneração superior a 23 reais por hora de aula no ensino médio e por isso mereceram pontuação maior nesse quesito. Com relação ao regime de trabalho, o Colégio Espanhol Santa Maria, o Frei Orlando e o Promove são exemplos de instituições em que mais de 70% do corpo docente atua exclusivamente na escola. Outro item levado em conta na pesquisa foi a estabilidade do corpo docente. É inviável desenvolver um projeto pedagógico sério e consistente trocando boa parte do quadro de educadores a cada ano letivo. Aqui, foram bem pontuadas as escolas com professorado estável. A média de permanência dos professores do Izabela Hendrix, Santa Dorotéia e Loyola, entre outros, é superior a dez anos, o que possibilita a essas instituições desenvolver um trabalho contínuo. O segundo maior peso foi atribuído a questões que dizem respeito à pedagogia. Entre elas, figuraram as seguintes:
O levantamento revelou que o Edna Roriz e o Método não colocam mais que trinta jovens em uma sala de ensino médio. Trata-se de um diferencial positivo. "As pesquisas mostram que é impossível dar aula utilizando métodos mais modernos em classes com quarenta pessoas", diz o professor Bernard Charlot, catedrático em ciências da educação da Universidade de Paris e uma das maiores autoridades do assunto. No Magnum Agostiniano, no Marista Dom Silvério e no Santa Dorotéia, alunos da 1ª à 4ª série do ensino fundamental têm aulas de filosofia ou sociologia. É claro que não discutem conceitos de Platão. Mas é por meio dessas disciplinas que os colégios começam a desenvolver o espírito crítico e a capacidade de raciocínio dos estudantes. Finalmente, com um peso bem menor, vieram perguntas sobre os equipamentos disponíveis laboratórios de informática, física e química, ginásios de esportes e sobre itens de segurança, como a existência de controle de acesso na entrada e a presença de inspetores no pátio durante o recreio. O instituto Ipsos Marplan, contratado para aplicar o questionário, procurou todos os 107 colégios particulares da cidade com ensino fundamental, médio ou ambos. Destes, 97 responderam à pesquisa. As respostas foram fornecidas pelos diretores ou por funcionários designados por eles. Na reportagem seguinte, estão publicados os resultados dos dois rankings. São escolas com histórias, propostas e perfis bastante distintos. A diferença de pontuação entre elas é pequena, e todas que figuram na lista, independentemente da classificação, proporcionam a seus alunos um nível de ensino muito acima da média encontrada nos estabelecimentos particulares de Belo Horizonte.
|
|||||||||||||||
| VEJA on-line | VEJA Educação | |
| copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados |