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Os donos da
casa
Desde
a Idade da Pedra o homem se empenha em
tirar o máximo de lucro da natureza. Só a atual
geração humana se preocupa com preservação
Natasha
Madov e Marcelo Ventura
Reprodução
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O
HOMEM COMO SENHOR
Gravura asiática retrata a caça entre os nobres: animais usados
para diversão dos ricos |
Os países ricos da Europa são admirados no resto do
mundo pelo cuidado que têm com o meio ambiente. Alemanha,
Holanda, Inglaterra e os países escandinavos viraram exemplo
de como é possível conjugar desenvolvimento com respeito
à natureza. A preocupação ecológica
é sinal de civilização. Essa é uma concepção
recente. Tem menos de quarenta anos. Antes disso, salvo algumas
exceções, a idéia de civilização
era relacionada ao potencial que uma sociedade tinha de subjugar,
explorar e transformar o mundo natural. "Se a natureza for contra
nós, seremos contra a natureza", eram as palavras de ordem
do conquistador do século XIX Simon Bolívar, libertador
da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Subjugar
a natureza foi a chave evolucionária que deu asas à
ambição humana desde o paleolítico, quando
o Homo sapiens começou a se impor como espécie
dominante do planeta.
O filósofo grego Platão nota, em seus Diálogos,
escritos há 2 500 anos, que as áreas de floresta
nativa da Grécia já naquele tempo, de tão raras,
eram usadas como locais de culto aos deuses das árvores.
Os romanos produziam sujeira com a mesma liberdade com que ampliavam
seu território imperial. Roma era um exemplo de cidade poluída,
com fuligem, poeira, restos de curtimento de couro e de metais.
O esgoto não tratado corria livre pelas ruas rumo aos rios.
O mundo ainda tinha vastidões de florestas, habitadas por
povos à margem da civilização.
As práticas de conservação visavam apenas à
preservação do patrimônio de reis e potentados.
Preocupados em zelar pela população dos animais que
eram alvo de caçadas, soberanos ingleses acabavam conservando
indiretamente os habitats em que esses bichos viviam, as chamadas
florestas reais. Uma das iniciativas mais antigas de que se tem
registro é um decreto do ano 1084 do rei William I, o Conquistador.
Ele determinou um minucioso inventário de terras, bosques,
áreas agrícolas e reservas para caça. Os alemães
são apontados como os primeiros a se preocupar com o manejo
das florestas basicamente de pinheiros e coníferas.
Eles dominavam a técnica da extração rotativa,
que consistia em explorar alguns hectares, retirar a madeira e fazer
o replantio de árvores. Em seguida, repetiam o processo em
outra área, até que, depois de algumas décadas,
a primeira terra explorada se havia recuperado. No entanto, a escala
de destruição da natureza aumentou muito durante o
século XVIII e ofuscou essas práticas isoladas.
No século XIX, as florestas eram vistas como fonte de riqueza
que deviam produzir o máximo de lucro antes de ser abandonadas.
O historiador Simon Schama, em seu livro Paisagem e Memória,
conta como foi o processo de destruição de uma das
maiores reservas da Europa, a Floresta Bialowieza, entre a Polônia
e a Lituânia. Na época, a Polônia era domínio
russo destinado a gerar o maior lucro possível. A floresta
foi vorazmente devastada a partir das últimas décadas
do século XIX, pois a região fornecia madeira como
matéria-prima e combustível para o crescimento econômico
da Alemanha. As toras de madeira nativa eram usadas principalmente
para fabricar dormentes para a crescente malha ferroviária
no Leste Europeu e também para construir vagões. Entre
os animais que viviam na floresta, o bisão foi praticamente
extinto. O esforço de recuperação da região
teve início depois da II Guerra. As espécies de animais
sob risco de extinção, como o bisão, começaram
a ser reabilitadas pela introdução de algumas dezenas
de exemplares que viviam em cativeiro em zoológicos e propriedades
privadas de outros países europeus. Hoje, os 10 000 quilômetros
quadrados que restaram da Bialowieza são a última
amostra de floresta primitiva intacta na Europa.
A preocupação ambiental que incidiu sobre a Floresta
de Bialowieza é reflexo de um fenômeno paralelo à
devastação em escala industrial. Em 1866, o naturalista
alemão Ernest Haeckel, seguidor das idéias de Darwin,
usou pela primeira vez o termo ecologia, cunhado a partir da junção
de duas palavras gregas, que significa "a ciência que estuda
a natureza". Na mesma época, nos Estados Unidos, começaram
a ser discutidas formas de preservação próximas
das que conhecemos hoje. O engenheiro florestal americano Gifford
Pinchot argumentava que a natureza era uma dádiva divina
para uso cuidadoso e racional do homem. Em outra ponta, o filósofo
conservacionista John Muir acreditava que a destruição
era inerente ao homem, e a natureza precisava ser protegida. Em
1872, os Estados Unidos criaram por decreto do Congresso
o primeiro parque florestal do mundo, o Yellowstone, com
8 000 quilômetros quadrados, no Estado de Montana, no norte
do país.
Reprodução
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AS
FLORESTAS VIRARAM NAVIOS
Alguns historiadores situam os primórdios da exploração dos
recursos ambientais no Renascimento e nas revoluções científicas
dos séculos XVI e XVII, épocas em que, para eles, a humanidade,
no Ocidente, começou a tratar a terra como uma máquina que nunca
se quebraria, por maiores que fossem os abusos. Nesse período,
a destruição de florestas temperadas européias foi uma decorrência
do uso da madeira como matéria-prima para construir navios,
casas e para o aquecimento. Nos locais das antigas florestas,
o solo era ocupado por plantações destinadas a abastecer as
grandes cidades, cada vez mais populosas e vorazes no consumo
de produtos agrícolas |
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