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Esperança
contra o
fogo e a motosserra
O
Brasil ainda é um dos países que mais queimam
e devastam áreas
florestais no mundo, mas
já há bons exemplos de como é possível
reverter
essa situação nos próximos anos

Natasha
Madov
Araquém Alcântara
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Nos
últimos cinco meses, duas notícias deram novo alento
à conservação da Amazônia brasileira.
Em julho, foi inaugurado o Sistema de Vigilância da Amazônia,
o Sivam, um megaprojeto de 1,4 bilhão de dólares que
permitirá ao governo ver o que acontece em 5,2 milhões
de quilômetros quadrados de terra, área equivalente
a mais da metade da Europa. Até então, toda essa vastidão
estava relegada à própria sorte. Com o sistema composto
por aviões, plataformas de coleta de dados por satélite,
postos de coleta e análise de água, radares fixos
e móveis, tudo interligado por satélites, acredita-se
que será possível, até o fim do ano que vem,
ouvir cada árvore que cai na floresta. A outra boa novidade
veio no mês passado com a inclusão do mogno entre as
espécies protegidas pela Convenção Internacional
Sobre Comércio de Espécies Ameaçadas da Fauna
e Flora Selvagem (Cites), o que exigirá maior fiscalização
sobre a extração dessa árvore de madeira nobre
e dificultará a comercialização internacional
de madeira cortada de forma irregular. Os ecologistas esperam que
as duas medidas tornem coisa do passado o corte irregular de árvores
e as queimadas clandestinas na Amazônia.
Bia Parreiras
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O
PRODUTO DE UM CRIME
Madeiras prontas para ser transportadas na Amazônia: o
mogno inclui-se entre as espécies com comercialização
controlada |
O ritual
de desmatamento da Floresta Amazônica segue uma lógica
que tem por objetivo arrancar o máximo de lucro da natureza
e do solo. As primeiras a ser cortadas são as árvores
nobres. Esgotadas estas, vêm as mais comuns, ou a chamada
madeira branca, útil para a fabricação de compensado
e tábuas para a construção civil. O que sobra
não interessa economicamente e é destruído
pelo fogo para que a terra possa receber alguma atividade que renda
mais dinheiro, como a agricultura ou a pecuária. Em todo
esse processo, apenas a retirada de madeira nobre já é
um negócio milionário. Cada metro cúbico de
mogno raro, bonito e resistente valoriza-se 300 000%
desde a extração na mata até a venda no exterior.
Na floresta, cada metro cúbico recém-extraído
vale 3 reais, contra os 9 000 reais cobrados por um revendedor europeu.
A demanda atual é 36% maior do que trinta anos atrás.
Isso não significa que a retirada de madeira seja sempre
sinônimo de devastação. Os Estados Unidos, o
país campeão mundial na exploração de
madeira, com 500 milhões de metros cúbicos por ano,
conseguem fazer com que suas florestas cresçam 0,3% ao ano.
O governo brasileiro tem tentado contornar o extrativismo desenfreado
com alguns projetos de reflorestamento. No caso do mogno, a situação
é complexa e os programas para exploração comercial
têm enfrentado problemas, mas há alguns avanços.
Araquém Alcântara
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O
RISCO MAIOR ESTÁ NO CERRADO
Nos anos 90, o Brasil alcançou progressos enormes no
controle de queimadas. Criou o Proarco, um projeto que controla
a devastação nas bordas da Amazônia, e consolidou
a fiscalização por satélite. Mesmo assim,
em 2002 as queimadas bateram recordes e foram 30% maiores que
no ano passado. Áreas de cerrado, como a Chapada dos
Veadeiros, foram as que mais sofreram com o o fogo. Milhares
de animais, como o tamanduá (foto), pássaros
e pequenos roedores, não conseguiram escapar dos incêndios
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Crescem
também os projetos de exploração sustentada.
Neles, parte-se do princípio de que é possível
retirar madeira da mata sem destruir o ambiente e ainda deixar exemplares
para exploração futura. Basta escolher bem a árvore
a ser abatida e não avançar sobre exemplares jovens.
Calcula-se que, se os madeireiros cumprissem as recomendações
do governo para extração, seria possível retirar
1 bilhão de metros cúbicos de madeira por ano, cerca
de sete vezes a demanda mundial, sem esgotar a floresta. Nos últimos
anos, foram demarcados 2,1 milhões de hectares de reservas
extrativistas, de onde se retira a madeira seguindo regras rigorosas.
Essa madeira extraída pode ser encontrada em lojas de móveis
caros de São Paulo e do Rio de Janeiro que exibem mais um
chamariz para os clientes: a consciência tranqüila de
que não se está contribuindo para a destruição
da floresta.
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