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Chamada para o futuro Como
serão os celulares no ano 2001. Nilson Vargas
A pequena maravilha acima é uma amostra do que se pode esperar do futuro da telefonia móvel. Os celulares de terceira geração, que transmitem a imagem dos usuários, começam a chegar ao Japão em 2001 e à Europa em 2002. No Brasil, as previsões variam entre 2004 e 2005. Além de conexão ultra-rápida à internet e ligações em que é possível ver com quem se está falando, eles armazenam arquivos de texto, som e imagem e estarão ligados a um sistema de localização. Com precisão de poucos metros, o sistema de satélite localiza o aparelho e, portanto, seu dono. Os fabricantes prometem que a combinação das novas tecnologias tornará realidade a seguinte situação: você recebe uma ligação no celular para lembrá-lo de que o Dia das Mães está chegando e que no fim da rua pela qual está caminhando há uma loja com promoção de roupas femininas. Também será possível usá-lo para pagar contas, como se ele fosse um cartão de crédito ou do banco. No rumo de casa, o aparelho o avisa de que há um acidente emperrando o trânsito e lhe sugere um caminho alternativo. Ao chegar perto de casa, é com o celular que você desliga o alarme da porta, acende as luzes, liga a TV e o microondas. Embora o Brasil tenha mais de 21 milhões de celulares, esse número ainda é pequeno, e isso deve atrasar o investimento necessário para colocar toda essa tecnologia à disposição do mercado. A revolução vai começar pelo Japão, que tem 12 milhões de aparelhos já conectados à internet. Os brasileiros ainda precisarão escalar alguns degraus antes de chegar lá. O primeiro está diante de nós. Em 2001, chegará ao país o padrão GSM/GPRS, com o início de operação da banda C da telefonia móvel. Os fabricantes prometem telefones mais modernos e acesso à internet até três vezes mais rápido do que as conexões feitas atualmente por PC.
Com mais memória, os novos aparelhos poderão abrigar agenda, dicionário e arquivos que antes só cabiam no micro de mesa. Vão transformar-se num misto de celular e palmtop. Motorola e Ericsson prometem lançar esses modelos no Brasil em 2001. O acesso aos recursos é feito com um toque na própria tela, usando uma espécie de caneta. Estreando no mercado nacional de celulares, a Siemens oferecerá um aparelho que armazena até 128 megabits de músicas em MP3. O padrão GSM/GPRS só será usado pelas novas empresas de telefonia que vencerem os leilões que o governo fará no começo do ano. Elas devem operar em meados de 2001. Regiões onde a competição é maior, como São Paulo, poderão ter mais três companhias, além das duas atuais. Os analistas dizem que isso vai significar maior qualidade e preços mais baixos. Ainda não dá para saber quanto custarão os novos celulares. "Vai depender do subsídio que a operadora der na compra do aparelho", diz Hilton Mendes, diretor de produto da Motorola. O desafio das operadoras já instaladas no Brasil será não perder terreno para as novas concorrentes. Uma tarefa dura, principalmente para as empresas do padrão TDMA, que serve a 70% dos donos de celular no país. Pelo menos no ano que vem os fabricantes não devem lançar nenhum modelo muito mais avançado nesse padrão. No padrão CDMA (Telesp Celular em São Paulo, Telefônica no Rio de Janeiro e Global Telecom no Sul), as novidades virão das companhias asiáticas. A Samsung promete lançar o MP3Phone, que permite ouvir músicas baixadas da internet pelo PC e depois transferidas para o celular. Outra promessa é o Voicer.net, mais um membro da família celular/palmtop. A Telesp Celular garante que o acesso à internet ficará pelo menos dez vezes mais rápido do que o atual e lerdo wap. A generosidade da Samsung com o padrão CDMA é exceção entre os fabricantes. A maioria diz que os telefones das novas operadoras é que serão mais práticos e avançados. Um dos diferenciais é o SIM card, um chip que armazena os dados do assinante. Imagine que seu celular pifou. Basta retirar o chip e colocá-lo no aparelho de um amigo. As ligações que você fizer serão debitadas em sua conta. Uma vantagem ainda não confirmada, mas possível de se concretizar em 2001, é o acesso à internet sem necessidade de discar para a operadora. O telefone fica conectado o tempo todo, num sistema que deixa a conta mais barata. "O padrão GSM/GPRS tem muito mais serviços e aplicações, por isso é líder no mundo", diz Paulo Ricardo Stark, diretor de terminais da Siemens. A agenda global do mercado prevê uma convergência da sopa de siglas e padrões na terceira geração, aquela que os japoneses já experimentarão em 2001 e os brasileiros só terão na metade da década. Mas o êxito dos celulares que alertam para o engarrafamento, vendem produtos quando o dono passa em frente à loja, navegam na internet em velocidade de banda larga e permitem enxergar a pessoa com quem se está falando ainda não é certo. O investimento da indústria foi muito pesado e ninguém garante que o consumidor vá querer pagar por tantos serviços. Somente na Europa, o gasto com a terceira geração será de 300 bilhões de dólares, 86 vezes o que o Santander pagou pelo controle do Banespa. "A nova geração será um sucesso", diz Torbjörn Nilsson, vice-presidente de marketing da Ericsson. Se ele estiver errado, a internet móvel terá sido um pesadelo para fabricantes, operadoras e grandes bancos, que estão financiando essa aventura bilionária.
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