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'Azzurra', a tetracampeã

09/07/2006 17:11

Reuters
Consagração da Itália: capitão Fabio Cannavaro levanta o troféu em Berlim

A Itália é, pela quarta vez na história, a campeã mundial de futebol. Em uma partida dramática, neste domingo, no Estádio Olímpico de Berlim, o time italiano derrotou a França nos pênaltis, depois de um empate de 1 a 1 no tempo normal (gols de Zidane e Materazzi) e prorrogação: 5 a 3. Zidane, um dos melhores do jogo, foi expulso e não participou da série - acabou sendo o grande vilão do jogo junto de Trezeguet, que perdeu pênalti decisivo.

Foi a primeira vitória da Itália em uma decisão por pênaltis em Copas do Mundo. A Azzurra já tinha perdido em 1990 da Argentina, na semifinal, em 1994 do Brasil, na final, e em 1998 da mesma França, nas oitavas. Superou o trauma desta vez: marcou todos os seus gols. O capitão Cannavaro e o goleiro Buffon ainda podem ser eleitos para o prêmio de melhor jogador do torneio, consagrando a campanha italiana (quatro vitórias e três empates).

Pênalti polêmico - Apesar da previsão de um começo de partida amarrado e de pouca ousadia pelas equipes, a decisão teve um início muito movimentado. Logo nos primeiros minutos, a Itália apertou a marcação para se impor no jogo. No primeiro, uma trombada de Cannavaro e Henry, acabou com o francês zonzo e quase desmaiado no gramado. No seguinte, falta dura de Zambrotta rendeu cartão amarelo ao lateral italiano. E no terceiro, a França abriu caminho para o gol.

Depois de um lançamento que pegou a defesa italiana de surpresa, Malouda invadiu a grande área e desabou com a chegada do zagueiro Materazzi. O italiano ainda encolheu a perna e tentou evitar um choque, mas o árbitro - o argentino Horacio Elizondo - deu o pênalti polêmico. Zidane cobrou com classe aos 7 minutos: deu um leve toque e pôs a bola, com efeito, no lado direito, tocando no travessão e entrando, sem chance de defesa para Buffon.

Com a vantagem no marcador, a França repetiu a estratégia das outras partidas eliminatórias (contra a Espanha, o Brasil e Portugal) e se fechou, administrando a vantagem. Mas era muito cedo para isso: a Itália não mostrou abatimento e partiu para cima, ainda que com pouca organização. A pressão enfim rendeu frutos aos 19 minutos - num escanteio cobrado por Pirlo, Materazzi se redimiu do pênalti cometido, subiu demais e disparou de cabeça.

França melhor - Depois do empate, os italianos levaram mais perigo ao gol do adversário, principalmente nas bolas altas. Duas chances - uma com Materazzi, com a zaga tirando embaixo das traves, e outra com Toni, acertando o travessão - foram os momentos de maior perigo. Mas ambos os times erraram demais, principalmente nos lançamentos e passes mais longos. Houve até erros bisonhos para uma final - num deles, dois franceses bateram de frente na lateral.

O segundo tempo começou bastante diferente - pela primeira vez desde a primeira fase, a França foi para cima e pressionou o adversário, criando várias chances de gol. O destaque nesse início de etapa foi Henry, que em só dez minutos teve três ótimas oportunidades. Em outro lance logo depois, Malouda se enroscou com Zambrotta, mas o juiz não marcou o pênalti do italiano. Aos 11 minutos, porém, a França perdeu o volante Vieira, contundido.

Mesmo assim, a Itália seguiu jogando bem pior do que no primeiro tempo, levando seu treinador Marcello Lippi a mudar a fomação: saíram Perrotta e Totti e entraram Iaquinta e De Rossi. Foi o suficiente para o time italiano equilibrar a partida, contendo a pressão francesa e voltando a atacar. No geral, porém, os franceses seguiram levando mais perigo, pois Zidane comandava o jogo dos "Bleus" e a "Azzurra" não tinha essa mesma organização.

Esgotamento físico - Na reta final do segundo tempo, a França seguiu insistindo mais, apesar de demonstrar maior desgaste físico - o time parecia mais interessado em resolver o jogo no tempo normal, evitando a prorrogação. Já os italianos se defendiam e pareciam satisfeitos com a decisão no tempo extra, apostando na repetição do desempenho que o time teve contra a Alemanha (naquela ocasião, os italianos correram e atacaram muito mais, fazendo 2 a 0 no final).

Desta vez, porém, os italianos não reverteram o quadro no tempo extra - os franceses seguiram jogando melhor e atacando mais. Aos 9 minutos, Ribery saiu com velocidade pelo meio e chutou com perigo - a bola raspou a trave italiana. E aos 13 minutos, Zidane abriu o jogo na ponta direita e foi para a área receber. A cabeçada saiu no centro do gol e Buffon fez a defesa. No fim do primeiro tempo da prorrogação, o esgotamento físico era claro.

Zidane vilão - O momento mais marcante da final até aquele momento, contudo, não foi uma jogada bonita ou uma chance de gol - Zidane perdeu a cabeça diante de uma provocação de Materazzi e deu uma cabeçada em cheio no peito do italiano. Depois de uma grande confusão, o árbitro foi alertado pelo auxiliar e expulsou o maestro francês, que deixou o campo sob forte vaia, encerrando de forma extremamente negativa sua brilhante e vencedora carreira esportiva.

Sem o camisa 10 e o outro craque do time, Henry, que saiu exausto poucos minutos antes, a França perdeu todo o seu ímpeto ofensivo. A Itália, apesar de ter um a mais em campo, não pressionou. Pela segunda vez na história, uma Copa do Mundo acabou sendo decidida nos pênaltis. Entre os italianos, marcaram Pirlo, Materazzi, De Rossi, Del Piero e Grosso. Pelos franceses, anotaram Wiltord, Abidal e Sagnol. Trezeguet errou: chutou no travessão.

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Reuters/AFP

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