'
 


    

 
Especial . Como Construir o Futuro

Índice
Carta ao leitor
Educação
Família
Patrimônio
Negócios
Aposentadoria
Finanças
Carreira
Saúde
Lazer
 
Patrimônio
Educação
Filhos
Família
Lazer
 
 

Finanças
Os filhos da estabilidade

Livre da inflação e mais bem informada,
uma nova geração de brasileiros colhe os
frutos de uma década de investimentos
cujo rendimento não é ilusório


Por Laura Arend


Royalty-Free/Digital Vision/Getty Images


NESTA REPORTAGEM
Gráfico: Uma receita para cada perfil
Quadro: As modalidades de investimento

Considere duas alternativas na hora de trocar seu carro fabricado em 2004, em boas condições, por um modelo zero-quilômetro:

a) dar o carro atual como entrada do novo e pagar um financiamento de doze meses com prestações de 1 000 reais por mês;

b) esperar e poupar 1 000 reais por mês até juntar o dinheiro que lhe permita escapar do financiamento.

Na hipótese "a", levando-se em conta os juros e as taxas atuais, o carro vai custar pelo menos 2 000 reais a mais do que na hipótese "b".

Essa é a lógica que deve nortear qualquer investimento feito por pessoa física. Investir não é apenas procurar alternativas no mercado financeiro para as sobras do orçamento, mas também usar os mecanismos de poupança como forma de consolidar o patrimônio com algum planejamento a curto, médio ou longo prazo. O controle da inflação, desde 1994, promoveu duas grandes mudanças nesse panorama. A primeira foi a criação da possibilidade de planejar as finanças sem os desvios e os riscos de uma inflação que não permitia nem avaliar o patrimônio. A segunda foi o aparecimento de uma infinidade de opções de investimento.

Houve uma época em que o investidor tinha apenas duas escolhas: fundos de commodities ou ações. "Hoje, tenha ele muito ou pouco para aplicar, existem diversas possibilidades", diz o vice-presidente de seguro e previdência do Unibanco AIG, Antonio Trindade. Esse leque atende a perfis conservadores, moderados ou agressivos, contempla a poupança de longo prazo, com instrumentos como o PGBL, as letras hipotecárias, os fundos de direitos creditórios e os fundos imobiliários e oferece sistemas sofisticados em vários níveis de risco, como um mercado acionário bem mais desenvolvido.

Se, teoricamente, isso chega a confundir o aplicador potencial, há, em compensação, um universo de informações que permite a tomada de decisão com plena consciência das vantagens e dos riscos de cada alternativa. Há dez anos, por exemplo, comprar títulos públicos sem a intermediação de um agente do mercado financeiro era uma tarefa para poucos iniciados. Hoje, em alguns minutos, é possível tornar-se credor do governo pela internet. A criação do Tesouro Direto permitiu negociar títulos públicos diretamente da fonte. Entre as vantagens está a taxa de administração bastante inferior à cobrada em fundos, mas há a desvantagem da baixa liquidez – restrita a operações realizadas uma vez por semana, quando em fundos de investimento as trocas podem ser diárias – e a incerteza do rendimento em caso de venda antecipada. Desde sua criação, em 2002, o Tesouro Direto já atraiu mais de 67 000 aplicadores e um total de 1,9 bilhão de reais em investimentos.

Os títulos públicos não são a única opção disponível na rede. A internet permitiu às instituições financeiras criar o sistema home broker, que democratizou e reduziu os custos das transações com ações, abrindo espaço para a ampliação do número de acionistas das empresas. Em setembro deste ano, eram 57 000 investidores operando nesse sistema. O investidor credenciado recebe por e-mail as informações econômicas que são mais relevantes e podem ter impacto nas suas aplicações.

O gosto pelo risco vai determinar o tipo de aplicação ideal. Isso não significa que o investidor não possa ter ao mesmo tempo um pouco de cada perfil, optando simultaneamente por aplicações conservadoras, moderadas e agressivas. "É preciso aprender a olhar os investimentos como uma pizza inteira, em vez de olhar para os pedaços separadamente", diz Mauro Rached, estrategista-chefe de investimentos do private bank do banco BNP Paribas. Depois de avaliar o próprio perfil e definir o objetivo do investimento, é o momento de conhecer os produtos disponíveis no mercado financeiro e seus graus de risco. As aplicações de renda fixa não estão totalmente isentas de risco. Os riscos das aplicações de renda variável são mais evidentes, mas podem ser minimizados com alguns cuidados. No caso das ações, a liquidez – ou seja, a facilidade para se desfazer delas quando desejado – é um parâmetro a analisar em permanência. Para conhecer a liquidez de uma ação, basta consultar o site da Bovespa. "Quanto maior a quantidade de negócios de uma ação, melhor a liquidez", explica Carlos A.H. Brum, autor do livro Aprenda a Investir em Ações e a Operar na Bolsa via Internet (editora Ciência Moderna). Hoje o papel mais líquido na Bovespa é a ação preferencial da Petrobras.

Os fundos de investimento denominados multimercados, como o próprio nome já diz, detêm aplicações em vários mercados, desde o de ações até o de títulos públicos. Há diversas gradações de risco nesses fundos. Por isso, além da rentabilidade histórica, é preciso analisar os indicadores e controles de risco se essa for a escolha do investidor.

Também é preciso estar atento a alterações nas regras do jogo, muito comuns no Brasil. As mais recentes têm contribuído com vantagens fiscais e maior proteção aos investidores. "Planejar-se para usufruir as menores alíquotas de imposto de renda em prazos maiores que dois anos, no caso de fundos e títulos, é importantíssimo. Da mesma forma, os planos de previdência podem alcançar alíquota de 10% em dez anos", diz Marlene Rainer, superintendente de previdência do Santander Banespa.

 

TRATE BEM O SEU DINHEIRO

1- Saiba mais que o gerente do banco
O objetivo dele é dar lucro à instituição; nem sempre isso significa lucro para você

2- Conheça as taxas que vai pagar
Elas variam conforme o investimento. E o imposto de renda, idem

3- Tenha objetivos de rentabilidade
Ao alcançá-los, mude de investimento ou defina novas metas

4- Cuidado com o passado
Um papel que rendeu muito geralmente está caro – e vai cair

5- Diversifique e não se apavore
Com várias alternativas, sempre é possível compensar perdas

 
 
 
 
topovoltar