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EXCLUSIVO
ON-LINE: Educação Como detectar
sintomas de stress ou depressão nos filhos Para
os pais, muitas vezes é difícil admitir que o filho tem problemas,
mas os distúrbios podem surgir independentemente da competência na
criação. Se um problema está instalado, cabe aos pais ajudar
o filho a buscar respostas para os sintomas de sofrimento. "Fazer isso significa
também planejar o futuro e, conseqüentemente, diminuir ou neutralizar
a carga de stress frente às incertezas do futuro", diz Vera Zimmermann,
professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São
Paulo, onde coordena o ambulatório do Centro de Referência da Infância
e Adolescência. Os pais podem ajudar o
filho a buscar sentido no próprio comportamento e nas expressões
afetivas. Se, por exemplo, a criança agride alguém, é importante
questionar e buscar o motivo da raiva, para descobrir relações de
causa e efeito. Em situações mais dramáticas, a conversa
também é o melhor caminho. Em caso de morte, por exemplo, é
preciso não ignorar o fato e ser claro, mas com suavidade. "Não
adianta dizer que o familiar que morreu foi para o céu. É preciso
explicar que acabou e se solidarizar com a criança", explica Maria
Cecília Corrêa de Faria, psicanalista, professora da Faculdade de
Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Questões cotidianas, como a troca de escola ou de uma babá que já
acompanha a criança há bastante tempo, também requerem sensibilidade,
por se tratar de um tipo de perda. Até os quatro anos, a troca deve ser
feita com cuidado especial, recomendam os especialistas. Uma sugestão é
que, em vez de depreciar os serviços ou o caráter da babá
(mesmo que esse seja o verdadeiro motivo), os pais expliquem que ela deixou a
casa porque tinha outros planos familiares. Especialistas
apontam que é cada vez mais freqüente o surgimento de crianças
estressadas por causa de agendas carregadas de compromissos que nem sempre espelham
os desejos dos filhos, e sim dos pais. A cobrança de desempenho acaba se
refletindo na intenção de preparar os filhos o quanto antes para
os desafios práticos da vida adulta. A infância passa a ser encarada
pelos pais apenas como uma fase de preparação para as metas de um
adulto, em vez de ser um período que deve ser aproveitado plenamente. Uma
agenda lotada de cursos extracurriculares, que não estejam alinhados com
o perfil e desejo da criança, pode acabar tendo um efeito estressante.
Ainda que a grade escolar seja em tempo integral, é preciso que a criança
tenha tempo para brincar e afinar os laços familiares para desenvolver
confiança, senso de limites e autoridade, mas sem autoritarismo. Identificar
quando uma criança está enfrentando problemas não é
fácil. Nem todas conseguem verbalizar o motivo de seu estado de espírito.
O sofrimento psíquico tende a ser revelado na conduta, com isolamento ou
hiperatividade, ou sob a forma de sintomas psicossomáticos, como infecções
sistemáticas. Por outro lado, uma criança que está se desenvolvendo
bem brinca, tem interesse em relacionar-se com as pessoas da família e,
posteriormente, com outras, demonstra curiosidade e costuma ser produtiva, sobretudo
para conseguir valorização e desenvolver a auto-estima. Choro freqüente
sem motivação clara, falta de concentração nas atividades,
irritação, tristeza e problemas persistentes de sono e alimentação
são sinais de alerta para crianças entre zero e três anos.
Nessa idade, a criança que não responde à comunicação,
nem busca a atenção dos adultos, pode estar sinalizando manifestações
depressivas ou de stress. A partir dos três
anos, os sintomas preocupantes estão relacionados com o interesse na socialização.
A criança pode resistir a criar novos vínculos, não ter vontade
de brincar ou explorar os ambientes que freqüenta. Nessa fase, os medos que
já tinham sido superados, como de animais, costumam retornar e o desenvolvimento
físico e psicomotor também pode ser afetado. Após os seis
e até os nove anos, o aprendizado é o canal mais claro de manifestação
de problemas, sendo o desinteresse em aprender e a dificuldade na alfabetização
os principais avisos. Nesse período pode ocorrer também resistência
em aceitar limites colocados por adultos e regras em brincadeiras, além
de dificuldade para interagir com colegas. Dos nove aos 12 anos, quando já
há mais independência sobre as tarefas diárias, a criança
pode demonstrar pouca autonomia na rotina, seja em casa ou nas atividades escolares.
Além disso, pode haver mais dificuldade para relacionar-se com os amigos
e desinteresse em conhecer novos colegas. Timidez em excesso ou arrogância
também permeiam as relações em geral. Nessa época,
distúrbios alimentares, em especial a obesidade, podem ser notados. Na
adolescência, quando a busca pela própria identidade e independência
é mais forte, a atenção dos pais deve ser redobrada, pois
é mais difícil identificar até onde as reações
são típicas do período e a partir de que ponto são
sintomas patológicos. Nessa fase é importante ficar atento a tendência
de isolamento constante e a fuga de situações em que é preciso
assumir posições sobre assuntos ou fatos do cotidiano. O jovem não
defende opiniões e evita conflitos necessários. Por outro lado,
pode reagir com agressões físicas e verbais constantes, sem justificativas
válidas, e demonstrar intolerância excessiva com frustrações.
O abandono das tarefas e o fracasso escolar, sem que tenha havido uma substituição
de interesses, também é um sinalizador. Se, por exemplo, o jovem
vai mal na escola, mas, em contrapartida, mostra dedicação em outra
área de competência como esportes, o fato é menos preocupante
do ponto de vista médico. Pode ocorrer ainda uma preocupação
excessiva, ou uma absoluta indiferença, a respeito da profissão
que pretende seguir, além de dificuldade permanente em conseguir administrar
o estudo com atividades cotidianas como namoro e encontros com amigos e familiares.
É bom lembrar que em cada uma das fases é necessário considerar
a intensidade e a persistência dos sintomas para saber se há de fato
um problema a ser resolvido. Na dúvida, é indicado conversar com
um especialista. |