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17 de setembro de 2003
CARTA AO LEITOR
RESTAURANTES
BARES
COMIDINHAS
MISTÉRIOS DA CIDADE
CRÔNICA
   

BARES

Os melhores bares

 

Souza

 
Fotos Mário Rodrigues
Souza: dicas preciosas do mestre Derivan


A paixão pela coquetelaria começou cedo. "Desde criança eu brincava de preparar drinques para os amigos de meu pai", conta o piauiense Deusdete Neres de Souza. Aos 29 anos, dez deles como barman, Souza dirige atualmente o bar do classudo restaurante Hampton, no Itaim Bibi. Atrás do balcão, manuseia com destreza copos e bebidas para preparar impecáveis martinis, manhattans e caipirinhas. A fama de seu bloody mary circula entre os entendidos. Pupilo do mestre Derivan, com quem trabalhou durante oito anos nos extintos Bistrô e San Francisco Bay, Souza aplica cada ensinamento repassado pelo ex-patrão. Entre eles, o hábito de chamar os clientes pelo nome e de saber de cor seus drinques preferidos. "Tenho uma relação de amizade com muitos fregueses." Para ele, o bom barman precisa estar a par das notícias do dia. "Quem se senta ao balcão geralmente pergunta alguma coisa sobre trânsito, futebol e política." Se o propósito for um bom papo, Souza é o homem certo. Basta dar corda que a conversa vai longe.

 

Frangó

Onde mais na cidade se pode sentar em frente a uma pracinha de jeitão interiorano, ao abrigo de um casarão centenário, e escolher entre noventa marcas de cerveja nacionais e importadas? Por esses e outros caprichos, o Frangó leva, pela quarta vez consecutiva, o título de melhor boteco. Some-se a tais virtudes a hospitalidade dos sócios Cassio Piccolo e Norberto D'Oliveira, sempre de prontidão para sugerir uma loirinha aos não-iniciados no assunto. Pergunte a eles sobre as magníficas belgas fabricadas por monges trapistas, como a Chimay e a Orval. São suas preferidas.

Dobradinha no Largo da Matriz: cervejas importadas e coxinha nota 10

De quebra, o botequim do Largo da Matriz da Freguesia do Ó ganhou também na categoria de melhor petisco, por sua coxinha de frango com catupiry. Na cozinha, duas fritadeiras ficam reservadas exclusivamente para a iguaria. "Temos uma bancada de mármore branco usada somente para trabalhar a massa", conta Valdecir Piccolo, pai de Cassio. Imersos em gordura vegetal, numa temperatura entre 200 e 250 graus, os salgados levam cinco minutos para ficar sequinhos e crocantes. Por semana, são utilizados em seu preparo 120 quilos de peito de frango (cozidos sem pele) e outros 90 quilos de farinha de trigo. Em média, a clientela devora por dia cerca de 800 coxinhas.

Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia do Ó, 3932-4818. 11h/0h (sex. e sáb. até 2h; dom. 9h/23h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. T.: todos. www.frangobar.com.br.

 

Léo

Tardes de sábado: 150 litros por hora e três dedos de espuma


Somente uma valiosa recompensa levaria tantos paulistanos a se deslocar até ali, sob o risco de ficar em pé na calçada e de acatar um implacável horário de funcionamento. Para os bons de copo, não há dificuldade que os distancie do glorioso chope do Léo, eleito pela terceira vez o melhor da cidade. Com a morte, em janeiro, do empresário Hermes de Rosa – único proprietário do bar desde 1960 –, a sexagenária casa está agora sob os cuidados da viúva, Célia, e de Waldemar Pinto, que assumiu a gerência no início do ano. Nada mudou nos minuciosos procedimentos com a bebida. Diariamente, logo cedo, os caminhões da Brahma entregam os barris, que seguem para uma câmara fria. Antes de alcançar a torneira, o líquido atravessa um pré-resfriador e uma serpentina envolta em gelo. Por fim, ao tirador Joaquim Fernando Lopes Santos, na função há quinze anos, é confiada a tarefa de deixar o copo com milimétricos três dedos de creme. Nas tardes de sábado, quando suas dezessete mesas mal dão para o começo, são consumidos 150 litros por hora. Os famosos bolinhos de bacalhau fazem tabelinha perfeita com a bebida.

Rua Aurora, 100, Santa Ifigênia, 221-0247. 10h/20h30 (sáb. até 16h; fecha dom.). Cc.: V. T.: todos (seg. a sex. até 15h). www.barleo.com.br.

 

Filial

Porto seguro na madrugada: chope de colarinho cremoso até altas horas


Quinta-feira, 2 e pouco da manhã. A maioria dos bares da Vila já recolheu suas mesinhas, mas o Filial segue lotado. O boteco dos quatro irmãos Altman – que foram donos do célebre Vou Vivendo – virou um porto seguro na madrugada. Ali, o pessoal pode beber e papear até altas horas sem aquelas indesejáveis indiretas do garçom. Os proprietários desconversam, mas o horário oficial de fechamento raramente é respeitado. Em geral, eles esticam. O salão de piso quadriculado, enfeitado com caricaturas de personalidades da música brasileira, recebe bons de copo, boêmios de carteirinha, intelectuais, músicos e descolados em geral. O chope bem tirado, com colarinho de primeira, contribui para a moçada se esquecer da hora. Depois de pedir a saideira, mande vir junto um caldinho de feijão – um santo da casa que pode ajudá-lo a acordar zerado no dia seguinte.

Rua Fidalga, 254, Vila Madalena, 3813-9226. 17h/2h30 (sex. até 3h30; sáb. 12h/3h30; dom. 16h/1h). Cc.: D, M e V. Estac. c/manobr. (R$ 7,00).

 

Posto 6

Novo point da Vila: reverência ao Rio


As mesinhas vão sendo ocupadas uma a uma. Rapidamente, o salão lota e uma espera se forma. Hora de relaxar em frente a um chope cremoso e deixar de lado os problemas do trabalho. Assim começa a noite no Posto 6, um dos bares-sensação da Vila Madalena, inaugurado no fim de 2002. Curiosamente, a casa conseguiu emplacar numa esquina tida como micada. Desde o fechamento do Olivia, que funcionou ali nos anos 90, o ponto não ia para frente. Ex-dono do Venice, Wanderley Romano e mais dois sócios arremataram o imóvel, fizeram dele um boteco chique e viraram o jogo. Garimpadas nos arquivos do Jornal do Brasil, fotos antigas reverenciam o Rio de Janeiro. Numa delas, Garrincha dá um de seus dribles no Maracanã. Noutra, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Nelson Motta dividem o balcão de um bar em Copacabana. O clima de paquera e a trilha sonora de MPB, bossa nova e jazz fazem o pessoal nem se dar conta de que o horário do rush já acabou.

Rua Aspicuelta, 644, Vila Madalena, 3812-7831. 17h30/1h (sáb. a partir das 16h30; dom. 12h/0h). Cc.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 7,00).

 

Skye

No topo do Unique: bela vista da cidade


No topo do extravagante hotel design Unique, projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, o restaurante Skye abriga um atraente bar de espera. Toda a badalação em torno da casa deu fôlego também a esse ambiente anexo, hoje tão concorrido quanto o principal. O serviço de bebidas estende-se por um enorme deque com piscina e espreguiçadeiras, de onde se pode apreciar uma das mais bonitas vistas da cidade. À direita, enxergam-se as árvores do Parque do Ibirapuera; à esquerda, os prédios e as torres iluminadas da Avenida Paulista. Para dar um toque festivo ao espaço, DJs tocam bossa nova, lounge music, ambient e house. Pizzas individuais e especialidades japonesas abastecem a endinheirada clientela. Entre os coquetéis preparados pelo barman José Roberto Maia, o colorido unique é uma combinação de vodca preta, licor de limão, calda de cereja e suco de abacaxi.

Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 4700 (Hotel Unique), Jardim Paulista, 3055-4702. 12h/15h e 19h/0h (sex. até 1h; sáb. almoço até 16h e jantar até 1h; dom. almoço até 16h). Cc.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 7,00). www.skye.com.br.

 

Grazie a Dio!

 
Clima alto-astral: shows todas as noites


O que faz uma casa com música ao vivo despontar entre tantas outras da cidade? Uma bem costurada programação de shows, um time de músicos experientes e uma adequada estrutura de som são fundamentais. Mas há sempre um algo mais que a coloca acima das outras. No caso do Grazie a Dio!, esse trunfo é o clima alto-astral. Inaugurado em 1999 pelo italiano Maurizio Longobardi, o bar-restaurante atrai uma moçada bonita e disposta a se divertir. Não raro o espaço fica apertado para tanta gente – e, acredite, ninguém se incomoda. Na variada agenda, os ritmos latinos marcam presença às terças, com a big band Heartbreakers. Aos sábados, instrumentistas dos grupos Funk Como Le Gusta, Havana Brasil e do extinto Karnak armam uma concorrida jam session dançante. Mesmo aos domingos, uma noite por natureza mais tranqüila, a coisa ferve, com uma agitadíssima festa de samba-rock.

Rua Girassol, 67, Vila Madalena, 3031-6568. 19h/1h (sex. e sáb. até 1h30). Cc.: todos. Couvert art.: R$ 10,00 (a partir das 21h). Estac. c/manobr. (R$ 8,00). www.grazieadio.com.br.

 

Liquid Lounge

Grandiosas instalações: constante vai-e-vem


Conhecido como o bairro do agito, a Vila Olímpia não teve nenhuma de suas casas entre as campeãs do ano passado. Em 2003, a história foi diferente. O novato Liquid Lounge, inaugurado em abril, papou o título naquele quesito que mais caracteriza a região, ou seja, a paquera. Suas grandiosas instalações, com três mezaninos interligados, plantas tropicais e queda-d'água, caíram no gosto do público mauricinho. A ferveção começa do lado de fora, onde uma fila se forma logo no início da noite. Lá dentro, o pessoal não quer saber de ficar na mesa. O constante vaivém resulta numa intensa troca de olhares. Mas a azaração pega forte mesmo quando a pista de dança entra em cena com as batidas eletrônicas. Chegou a hora de partir para o ataque. Para deixar o clima ainda mais solto, os atendentes sobem no balcão e fazem performances com fogo. Se suas investidas derem resultado, a próxima parada pode ser um dos confortáveis sofás do lounge. Aí, é mais de meio caminho andado.

Avenida Hélio Pellegrino, 801, Vila Olímpia, 3849-5014 e 3044-2808. 18h/último cliente (sáb. a partir das 20h; fecha seg.). Cc.: V. Cons. mínima: R$ 10,00 a R$ 40,00 (ter. a sáb. a partir das 21h; dom. a partir das 20h). Estac. c/manobr. (R$ 8,00). www.liquidlounge.com.br.

 

ampgalaxy

Pista subterrânea: DJs de primeira


Donos da grife moderninha A Mulher do Padre, os irmãos Vinicius e Caio Campion inauguraram em abril uma casa multifuncional, misto de bar, danceteria e loja de roupas. A estratégia inicial de abrir a pista de dança somente uma vez por semana deu resultado: suas baladas de terça viraram notícia, atraindo gente descolada, famosos e curiosos. Em pouco tempo, o nome ampgalaxy (assim mesmo, em minúsculas) deixou de soar estranho e passou a significar noitada das boas. Nestes cinco meses, passaram pelos pick-ups da casa feras do som eletrônico como Marky, Renato Lopes, Anderson Noise e o nova-iorquino Larry Tee, um dos bambambãs do electro. Nas noites em que a pista subterrânea não funciona – às quartas e quintas, por exemplo –, há sempre um DJ animando o lounge. Sem cerimônia, o público pede licença, dá uma afastadinha nas mesas e cai na dança.

Rua Fradique Coutinho, 352, Pinheiros, 3085-7867. 12h/último cliente (dom. a partir das 19h; seg. até 20h). Cc.: D, M e V. Entrada: R$ 10,00 (sex., sáb. e ter. a partir da 0h). Cons. mínima: R$ 15,00 e R$ 20,00 (sex. e sáb. a partir das 23h; ter. a partir da 0h). Estac. c/manobr. (R$ 7,00).

 

The View

No trigésimo andar: varanda sob medida


Lugares em topo de edifícios parecem ter vocação nata para o romantismo. A deslumbrante paisagem da cidade, lá do alto, propicia um cenário ideal para momentos a dois. Prestes a completar um ano, o The View faz parte desse time. O elegante bar está instalado no 30o andar de um flat, próximo à Avenida Paulista. Um elevador privativo conduz os casais até a cobertura do prédio. Lá em cima, tudo conspira a favor: a iluminação suave, o sonzinho ao vivo de piano e MPB, os confortáveis sofás e poltronas amparados por mesinhas baixas. O salão, todo envidraçado, realça o visual. Nas paredes, fotos evocam arranha-céus de Nova York, Chicago, Boston e Londres. Em noites de lua cheia, os apaixonados refugiam-se no terraço, onde podem partilhar confidências e carinhos com ainda mais discrição.

Alameda Santos, 981 (Flat International Plaza), Cerqueira César, 3266-3692. 18h/2h (sáb. a partir das 19h; seg. até 0h; fecha dom.). Cc.: todos. Couvert art.: R$ 15,00 (a partir das 21h). Estac. c/manobr. (R$ 5,00 por três horas).

 

         
     
 
 
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