BELA VISTA/CENTRO

Amigo Leal
Rua Amaral Gurgel, 165, Vila Buarque, 223-6873, Metrô República. 16h/1h (dom. 17h/0h). Cc.: todos. Estac. no nº 133 (R$ 4,00).
Apesar da deterioração da vizinhança, esta choperia de estilo germânico resiste há mais de três décadas no mesmo endereço. Um pouco pela tradição, outro tanto pelo primoroso chope. Os copos fogem do padrão das canecas grossas utilizadas por casas do gênero. Feitos sob encomenda, são altos e têm paredes finíssimas, o que ajuda a conservar a temperatura do chope por volta dos 3 graus. Para acompanhar, há canapês variados e sequíssimos pastéis de carne, palmito e queijo-de-minas. A clientela mistura desde senhores boêmios até uma moçada que não havia nascido quando o local foi inaugurado, em 1967, pelo mesmo fundador do Léo.

Bacco's
Rua Augusta, 129 (Hotel Ca'd'Oro), Consolação,
236-4300. 11h30/15h30 e 19h/23h. Cc.: todos. Estac. c/manobr.

Anexo ao restaurante do hotel, é um clássico desde que abriu as portas, em 1978. Atravessa o tempo imune aos modismos e sustentando a mesma elegância de quando se chamava Bar Augusta. O estilo nobre aparece, por exemplo, nas impecáveis toalhas bege sobre as mesas e nas confortáveis poltronas com encosto para os braços. Além de discreto, o atendimento é marcado pela eficiência. Bom lugar para conversas íntimas, acompanhadas de uma dose de uísque, um dry martini ou um negroni. Uma pena que, recentemente, tiraram o piano ao vivo, que dava ainda mais charme ao salão.

Bar Barão
Rua Barão de Duprat, 561, centro, 227-9687, Metrô Luz. 11h/21h (sáb. até 15h; fecha dom.). C.: V. T.: todos. Estac. no nº 589 (R$ 4,00 a partir das 17h). www.barbarao.com.br
Está encravado em uma região comercial, que ferve durante o dia e vira deserto à noite. Preserva uma aura de "antigamente", um chope bem tirado e o simpático garçom Hélio Souza da Motta, espécie de lenda viva do lugar. Dezenas de canecas, presenteadas pelos próprios fregueses, ajudam a compor a singela decoração. Engravatados saídos dos escritórios próximos formam a maior parte dos clientes cativos. Com 150 metros, a serpentina da chopeira fica envolta em uma solução de água e álcool, para conservar a temperatura ideal da bebida. Os garçons não carregam bandejas. Levam o copo na mão, diretamente ao freguês. Assim, o chope não fica esquentando enquanto passeia entre as mesas.

Brahma
Avenida São João, 677, centro, 3333-0855, Metrô República. 24 horas (dom. até 23h; seg. a partir das 11h). Couvert art.: R$ 8,00 a R$ 15,00 (seg. a sáb. a partir das 21h). Cc.: todos. T.: todos. Estac. c/manobr. (R$ 7,00).
Abriu em 1948, na famosa esquina da Ipiranga com a São João, e tornou-se um símbolo da cidade. Fechou em 1998, em franca decadência, quando se chamava São João 677 e servia chope do concorrente. No começo deste ano ressurgiu, preservando as paredes beges do salão principal, o brilho dos lustres de cristal e o charme do mezanino, dos espelhos e dos móveis antigos. Voltou também com algumas novidades, boas e ruins. Entre elas, bartender performática, hostess e barulhentos shows de música popular, em vez dos agradáveis concertos de violino e bandônion de antigamente. Em julho, chegou a ser interditado pela Vigilância Sanitária, depois que algumas pessoas passaram mal em decorrência de um almoço. Foi reaberto um dia depois. Os proprietários alegaram excesso da Prefeitura.

Café Piu Piu
Rua Treze de Maio, 134, Bela Vista, 258-8066. 21h/2h (sex. e sáb. 21h30/4h; fecha seg.). Couvert art.: R$ 5,00 a R$ 12,00. www.cafepiupiu.com.br
A noite do Bixiga não ostenta mais o brilho e a agitação dos anos 80. Daquela fase de grandes momentos boêmios resta muito pouco. Instalado na ex-fervilhante ladeira da Treze de Maio, o café é exemplo de resistência e autenticidade. Tem salão rústico, decorado com cartazes de algumas das principais atrações que passaram por seu palco nesses anos todos. Ao atingir a maioridade, a casa ganhou de presente um sistema de som novo e muito melhor. A programação musical continua intensa e diversificada. Revezam-se bandas de rock, blues, MPB, jazz e, em todo último domingo do mês, conjuntos de tango.

 

Celio (do Baretto)

 
Fotos Mario Rodrigues
Francisco Celio Alves de Freitas: quase um psicólogo  

O currículo do cearense Francisco Celio Alves de Freitas, de 35 anos, impressiona pelo alto nível dos lugares em que trabalhou. Conhecido apenas por Celio, ele já passou por quase todas as casas da grife Fasano. Em 1994, era barman da casa-mãe da Rua Haddock Lobo. Depois, passou pelo badalado Parigi. Há dois anos, assumiu o posto de titular no balcão do sofisticado Baretto. Sempre com seu smoking impecável, Celio faz parte daquele time de profissionais que sabem mais que manusear copos e misturar bebidas. É um pouco psicólogo, um pouco amigo. O cliente nem sequer precisa pedir o drinque. Ele tem na cabeça o bloody mary bem temperado de um e o dry martini com pouco limão na borda da taça apreciado por outro. As formulações clássicas saem facilmente de suas mãos habilidosas. As doses são medidas a olho, mas numa precisão milimétrica. Após alguns copos, o freguês pode até fazer confissões e reclamar da vida. Celio ouve o desabafo, sorri e concorda com a cabeça. Eventualmente, tece um comentário qualquer, mas sem parecer enxerido. Afinal, a discrição é outra de suas qualidades.

Cambridge
Avenida Nove de Julho, 210 (Hotel Cambridge), centro, 3487-1176, Metrô Anhangabaú. 17h/último cliente. Cc.: D, M e V. Cons. mínima: R$ 10,00 (só em noites de festa). Estac. c/manobr. (R$ 7,00 a R$ 10,00).
Pequeno e escurinho, transformou-se em um endereço badalado de festas. A localização, por si só, é inusitada. Fica distante do circuito de embalos noturnos, em um hotel erguido na década de 50 ao lado do Vale do Anhangabaú. Todo acarpetado e de atmosfera decadente, o bar acabou virando cult. O próprio aniversariante, ou quem promove a festa, se encarrega da discotecagem. Nas demais noites, é ponto de encontro discreto, onde se pode relaxar depois do trabalho, com um uisquinho acompanhado de canapês.

Del Mar
Rua dos Andradas, 161, Santa Ifigênia, 222-8600. 11h30/21h (sáb. até 16h; fecha dom.). T.: todos (só no almoço).
Pequenino e quase encostado ao Léo, oferece muito mais sossego para tomar um chopinho do que o vizinho famoso. Foi fundado há vinte anos pelos irmãos espanhóis Delta e Mario (daí o nome). Por isso, o cardápio traz sugestões como a tradicional paella valenciana, servida em porção individual. O chope, se não chega a ser tão bom quanto o do concorrente, é bem tirado e leve. Entre um copo e outro, experimente os camarões empanados.

Estadão
Viaduto Nove de Julho, 193, centro, 257-7121, Metrô Anhangabaú. 24 horas. Cc.: D, M e V. T.: todos.
Na volta de uma balada noturna, a quais lugares recorrer quando bate aquela fome? Um deles é este boteco. Encoste-se no balcão e devore o afamado sanduíche de pernil da casa, com tomate, cebola e pimentão, no pão francês crocante. Todos os dias, são consumidos nada menos que 80 quilos da carne. Faz companhia ao lanche uma cervejinha, vendida apenas em garrafa long neck. O bar é para lá de simples. Não espere encontrar algo mais que sandubas generosos e taxistas traçando uma feijoada na madrugada.

La Bourse
Rua Quinze de Novembro, 275, 9º andar, centro, 3233-2437, Metrô São Bento. 11h30/18h (fecha sáb. e dom.). Cc.: todos. T.: todos.
Apenas nove andares separam o inferno do sobe-e-desce das ações deste paraíso aconchegante. Localizado no edifício da Bolsa de Valores, é um convite ao relaxamento. Enquanto os operadores do pregão passam tardes agitadas, a discreta clientela vizinha esquece os problemas escolhendo entre os trinta rótulos de uísque oferecidos. A atmosfera inglesa reserva confortáveis poltronas e sofás de couro.

New Doutombori
Rua Américo de Campos, 92, Liberdade, 270-2116, Metrô Liberdade. 18h/4h (sáb. e dom. a partir das 11h).
A ausência de charme e a vizinhança suspeita – um inferninho fica bem ao lado – costumam espantar os desavisados. Quem não se importa com isso pode aproveitar todas as virtudes do sushi-bar. A maior delas é ficar aberto madrugada adentro. As outras são os preços razoáveis e a generosidade no tamanho dos pratos e porções. O yaki niku são tiras finas de carne ao shoyu, que o próprio cliente prepara em uma chapa embutida na mesa. Na hora do saquê, deixe o garçom encher o massu (o copo típico, quadrado) até derramar. Dá sorte, dizem, e significa que você é bem-vindo.

Santo Bar
Rua Rui Barbosa, 99, Bela Vista, 288-3316. 17h/1h (sáb. a partir das 13h; dom. a partir das 11h; fecha seg.). Cc.: todos. T.: C, T e V.
É um boteco dos bons: apertado, meio sujinho e com ótimas comidinhas. Foi aberto há três anos como extensão da centenária padaria Italianinha, que fica ao lado e de onde vêm os tira-gostos. Rapidamente virou point. Oferece tanta coisa boa ­ pão de lingüiça quentinho, bruschetta, alheira, bolinho de bacalhau, queijos ­ que a dúvida na hora de escolher é inevitável. A improvisada decoração apresenta toques pitorescos, como uma cortina feita de gravatas coloridas e camisas penduradas. Tudo, claro, com a cara do Bixiga, meu.

Terraço Itália
Avenida Ipiranga, 344, 42º andar, centro, 257-6566, Metrô República. 18h/0h (sex. e sáb. até 1h; fecha dom.). Cc.: todos. Cons. mínima: R$ 15,00. Estac. c/manobr. (R$ 10,00).
Depois de tomar dois elevadores e chegar ao 42º andar do Edifício Itália, depara-se com um cenário deslumbrante. A 160 metros de altura, os arranha-céus e os extensos corredores viários transformam-se em uma vista magnífica. Pena que, atualmente, a paisagem noturna esteja tão sombria. Mas não ao ponto de apagar o brilho do bar, em um programa ideal para ir a dois. Conte também com uma trilha sonora feita de jazz e bossa nova que vem de um piano suave, garçons atenciosíssimos e poltronas de couro posicionadas uma próxima da outra. Peça um champanhe e faça um brinde à cidade, que de longe parece tão silenciosa.

Veríssimo
Rua Frei Caneca, 80 (Pergamon Hotel), Bela Vista, 3120-2021. 12h/0h (fecha dom.). Cc.: todos. Estac. c/manobr.
Bar de hotel quase sempre abusa nos preços. Este, nem tanto. Talvez por ficar em um dos hotéis pioneiros na cidade no estilo conhecido como chic and cheap (chique e barato). Com decoração moderna, em tonalidades e iluminação na cor azul, reserva certa atmosfera noir. Suas mesas recebem engravatados, hóspedes estrangeiros e gente que adora tomar um uisquinho enquanto joga conversa fora. Se estiver só, acomode-se em um dos lugares do balcão e peça um bloody mary ao simpático barman Valdomiro. De quebra, ele pode contar para você uma historinha sobre a origem do drinque que tão bem prepara.

 

Frangó

 
Balcão de petiscos: hospitalidade faz parte do cardápio

Atrás dos balcões de botequins geralmente estão pessoas que transpiram generosidade e simpatia. São boas-praças como Elídio, Luiz, Giba, Hugo e tantos outros, a receber cada cliente com a camaradagem de um velho amigo. Esse tipo de hospitalidade faz parte dos pontos fortes do Frangó. Comandado pelos amigos Cassio Piccolo e Norberto D'Oliveira, o bar situa-se em uma pracinha de atmosfera interiorana, na Freguesia do Ó. Ao entrar, sinta-se à vontade pelos salões da centenária casa, erguida no final do século XIX. As estrelas são o excelente chope alemão – Warsteiner, claro, e Isenbeck, escuro – e as cervejas. Entre noventa marcas nacionais e importadas, dá para escolher maravilhas como a belga Duvel, a japonesa Kirin e a holandesa Dominus. Os sócios são apaixonados pelas loirinhas e estão sempre dispostos a discutir sabores e aromas. Mas botequim que se preze também tem boas comidinhas. E a cozinha do Frangó não deixa a desejar. A fama de suas coxinhas de frango com catupiry obriga muita gente a atravessar a cidade só para saboreá-las.

Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia do Ó, 3932-4818. 11h/15h e 17h/0h (sex. até 2h; sáb. 9h/2h; dom. 9h/23h; fecha seg.). Cc.: D, M e V. T.: todos.

 

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