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Patrimônio
Libertem o espírito de Brasília
O tombamento, assegurado por uma camada de leis,
trai a ideia original de um lugar inovador e experimental

James Holston*
Thomaz Farkas/Instituto Moreira Salles
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| Eixo monumental, 1960 |
Paulo Vitale
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| Eixo monumental, 2009 |
Descobri aquilo que os pioneiros candangos chamavam de "o
espírito de Brasília" no começo da década de
80, quando vivi durante dois anos no Distrito Federal. Eu estava fazendo a investigação
de campo para o meu livro sobre a cidade, publicado inicialmente nos Estados Unidos e depois no Brasil (A
Cidade Modernista, 1993). Ele considera os extraordinários privilégios e desigualdades de
Brasília segundo vários indicadores, a cidade mais desigual
do Brasil na época da minha pesquisa como originados não
primariamente nos fatos subsequentes à sua inauguração,
mas principalmente nas premissas dos modelos modernistas urbanísticos,
arquitetônicos e burocráticos de vida citadina que a fundaram.
Ao longo dos anos, tornei-me conhecido como um "crítico de Brasília".
Ainda que o seja, continuo um vigoroso defensor daquilo que os candangos com
os quais trabalhei para investigar a história da sua cidade descreviam
como sendo o espírito de Brasília: sua invocação
para romper com o passado, para ousar imaginar um futuro diferente, para abraçar
o moderno como um campo para experimento e risco um espírito que
os inspirou a criar uma cidade de tantos modos inovadora, para além da sua arquitetura e urbanismo.
Desde os dias pioneiros de Brasília, no entanto, esse espírito
tem sido sepultado sob camadas de preservação legal que o impedem
de inspirar novas gerações de cidadãos brasilienses, que
impedem esses cidadãos de o usarem para tornar a cidade viva com suas próprias experiências. Ele continua, em vez disso, algemado aos serviços de alguns poucos velhos pioneiros e seus herdeiros, para quem esse espírito
serve apenas à sua visão de Brasília. Eles a governam como
gerontocratas, reivindicando o privilégio e a exceção para de vez em quando retirá-lo da sua tumba
a fim de justificar um projeto de seu interesse. Ofereço esses comentários
como um protesto contra essa prisão e seus carcereiros. Ofereço-os
como um apelo aos cidadãos de Brasília para reviver a cidade como
um espaço nacional especial de experimentação, dedicado
à solução de importantes problemas da vida urbana contemporânea.
Mas antes me deixem descrever esse espírito, porque receio
que muitos possam ter se esquecido de que isso já definiu o que havia
de essencial e glorioso a respeito da cidade. Brasília sempre foi ao
mesmo tempo radicalmente estranha e familiar, separada e integrada ao resto
do Brasil. Justificando seu apoio ao Plano Piloto modernista de Lucio Costa
para a cidade, o presidente Kubitschek argumentou, em seu livro de memórias, Por que Construí Brasília, que, "devendo constituir
a base de irradiação de um sistema desbravador (de desenvolvimento) (
), (Brasília) teria de ser, forçosamente, uma metrópole
com características diferentes, que ignorasse a realidade contemporânea
e se voltasse, com todos os seus elementos constitutivos, para o futuro".
A Brasília modernista perturbou o mundo familiar da década de
50, com sua exibição de modernidade, regulamentação
e progresso, tanto que a sua primeira geração de habitantes cunhou
um termo especial, brasilite, para descrever o choque do novo. Muitos imaginavam
que o universo de inovações da cidade modernista não
só sua arquitetura e seus vastos espaços sem esquinas nem praças, mas também seu novo sistema educacional, a ausência de propriedades
privadas, as distribuições igualitárias de recursos aos
funcionários, entre muitas outras produziria um estranhamento
radical que teria como resultado, nas palavras do relatório de 1963 da
Novacap a respeito da sua administração da capital, publicado
na sua revista Brasília, "a inexistência de discriminação
de classes sociais (
), e assim (seria) educada, no Planalto, a
infância que construirá o Brasil de amanhã, já que Brasília é o glorioso berço de uma nova civilização".
Thomaz Farkas/Instituto Moreira Salles
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| Cidade Livre, Avenida Central, 1960 |
Paulo Vitale
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| Núcleo Bandeirante, Avenida Central, 2009 |
Sentido de invenção. Se essa Brasília parece
incongruentemente brasileira, sua construção e desenvolvimento
expressam ao mesmo tempo um jeito notavelmente brasileiro de fazer as coisas:
um sentido de invenção, uma aptidão para a improvisação,
um desejo de superar com saltos. É a necessidade de ser moderno que vê
a falta de recursos como uma oportunidade para a inovação. Afinal,
os pioneiros construíram Brasília em pouco mais de três
anos. Eles transformaram um lugar no meio do nada, marcado com um X no chão,
não só em uma cidade habitável em tempo recorde, mas também
naquela que apresentou ao mundo todo em 1960 o mais moderno urbanismo. Para
isso, empregaram táticas de bricolagem; experimentaram em todos os campos.
Por isso, reproduziram no pioneirismo de Brasília o distinto estilo do
Brasil de inventar sua modernidade.
Não é surpreendente que essa distinção
abunde em contradições. Por exemplo, como a capital nacional tinha
de ser diferente, os planejadores de Brasília pretendiam excluir características
indesejadas "do resto do Brasil". Daí que o plano piloto tenha
proibido o desenvolvimento de periferias urbanas para os pobres, típicas
de outras cidades. Mesmo assim, ainda antes da inauguração da
capital, em 1960, as políticas públicas já haviam criado
deliberadamente uma periferia empobrecida de cidades-satélite, "abrasileirando"
suas fundações. Entretanto, a cidade regional resultante
o privilegiado Plano Piloto e suas periferias não reproduz simplesmente
o Brasil ao seu redor, que os planejadores buscaram negar. Nas suas combinações
do radicalmente diferente e do familiar, Brasília continua distinta na
constelação de cidades brasileiras.
Essa qualidade especial deriva menos da identidade de Brasília
como capital das capitais do que das suas concepções fundadoras como uma cidade experimental,
uma cidade projetada para arriscar algo novo precisamente a característica
fundadora que seus pioneiros chamaram de "o espírito de Brasília".
Esse talento para inovar estruturou a cidade com um novo sentido de espaço,
tempo e propósito nacionais, que se tornaria "uma base de irradiação",
como disse Kubitschek, a fim de transformar toda a nação na qual foi inserida. Daí o
regime de trabalho árduo que construiu a capital ter sido conhecido nacionalmente como "o ritmo de Brasília", definido como uma construção nacional
36 horas por dia "doze durante o dia, doze à noite, e doze
pelo entusiasmo". Isso expressa perfeitamente a nova invenção
espaço-tempo da modernidade de Brasília, a qual articula a possibilidade de mudar o curso da história, acelerando o tempo e impulsionando o Brasil para
um futuro radiante.
E ssa nova concepção motivou os candangos a inovar
em todos os domínios da construção e organização
da cidade. Se hoje a maioria de nós celebra as invenções
da arquitetura e do planejamento urbano de Brasília, é só porque as outras foram menos óbvias.
A experimentação inspirou as escolas da cidade, seus hospitais,
sistemas de tráfego, organização comunitária, distribuição
da propriedade, administração burocrática, abastecimento
de água, saneamento básico, culto religioso, agricultura, arte,
dança, teatro, música e outras coisas. Os pioneiros acreditavam
que os experimentos de Brasília introduziriam novos hábitos sociais,
instituições e padrões como modelos que transformariam
tudo ao seu redor. Eles acreditavam em fazer a vida urbana brasiliense diferente,
não pelo exotismo, mas para estabelecer uma arena de experimentação
na qual se resolveriam importantes problemas nacionais.
Ao avaliar essas iniciativas, fica claro que alguns aspectos deram
certo e outros fracassaram. É preciso enfatizar, porém, que tal
resultado é característico de qualquer experimento significativo.
O que é relevante é que os pioneiros ousaram pensar experimentalmente tanto em escala local quanto nacional
e ofereceram seus resultados para avaliação, de modo que pudéssemos
aprender com eles e desenvolvê-los mais. O importante na avaliação
do pioneirismo de Brasília é que tanto os sucessos quanto os fracassos derivam da mesma fonte, a saber, seu espírito de se arriscar
à inovação.
Memória coletiva. Se o espírito de Brasília
é, portanto, o do experimento, não é perverso que essa cidade esteja congelada
no tempo, que toda a área urbana do Plano Piloto seja legalmente tombada
por camadas locais, nacionais e internacionais de preservação jurídica? Se essa cidade
experimental se tornou assim um memorial, que memória ela registra? Um
memorial nunca conta a história inteira. Em vez disso, ele seleciona certas condições que os autores querem
preservar e ignora outras. Se o espírito de um lugar o que os
romanos chamavam de genius loci consiste no que é colocado
e deslocado na memória coletiva, será que o genius de Brasília
foi traído pela preservação? Pior, foi traído por
um punhado de fundadores que, ao preservar a cidade como seu próprio
memorial, negam às gerações subsequentes de cidadãos
brasilienses o seu direito à cidade, a oportunidade de fazê-la
sua e construir a cidade que eles desejam habitar, sua chance de estender esse
espírito de experimentação para sua própria vida
e seu próprio tempo?
Na verdade, essas questões emergiram logo no começo
da história de Brasília. Elas apareceram em conflitos decisivos
nos quais planejadores e administradores estabeleceram a imposição
do modelo Costa/Niemeyer/Ciam (a sigla para os Congressos Internacionais de
Arquitetura Moderna, criados em 1928 por Le Corbusier e outros) como um meio
de suprimir a inevitável insurgência de processos inesperados e contraditórios
exemplos bem conhecidos envolvem o repúdio ao projeto antirruas dos setores comerciais locais pelos moradores
das primeiras superquadras e as "invasões" de operários pobres da construção
civil no Plano Piloto, o que levou à sua remoção para as cidades-satélite
(e à criação de periferias das periferias). O problema
com esse regime é que ele incorpora todas as facetas da vida experimental de Brasília sob os ditames de apenas
uma, que era experimental na década de 50, a da arquitetura e planejamento modernistas. Afinal, o espírito de Brasília inspirou as expressões particulares de Costa e Niemeyer. Portanto, essas expressões não definem o
limite do espírito; em vez disso, abrangem-no. Não deveria, também, continuar inspirando outros?
Fotos Thomaz Farkas/Instituto Moreira Salles
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| Superquadra 205 Sul, 1958 |
Paulo Vitale
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| Superquadra 205 Sul, 2009 |
Brasília hoje é preservada por muitas camadas legais.
O que é tombado é o conceito urbano original do projeto de Costa (1957),
o Plano Piloto, mas não os bairros do Lago nem as periferias. De fato,
Brasília nasceu preservada, quando o Plano Piloto se tornou lei com a
inauguração da cidade (Lei nº 3751, artigo 38, abril de 1960).
Desde então, foi protegida por três camadas legais
adicionais. Em 1987, o governo do Distrito Federal regulamentou o artigo 38
por meio do Decreto nº 10829, dando àquele artigo uma nova especificação
e aplicação. Também em 1987, Brasília recebeu uma
inédita proteção internacional como resultado de uma intensa
campanha brasileira: a Unesco garantiu sua preservação ao inscrever
o Plano Piloto (inclusive os bairros do Lago) na sua Lista do Patrimônio
Mundial, Cultural e Natural. É a maior área urbana do mundo e
a única cidade viva contemporânea tão preservada. Além
disso, é um dos poucos locais do século XX selecionados para a
lista, junto com Auschwitz, o Memorial da Paz de Hiroshima e a Bauhaus em Weimar e Dessau. Finalmente, o
governo brasileiro declarou Brasília tombada em 1990, inscrevendo-a no
Livro do Tombo Histórico, uma inscrição regulamentada por atos
do Secretariado do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Sphan) e do Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (IBPC). O IBPC
definiu tal preservação em uma publicação oficial, Patrimônio Cultural, em 1992: "Qualquer alteração
no gabarito dos prédios, no plano dos eixos, avenidas e lotes, no uso e nas funções dos lotes e nas áreas verdes dentro do perímetro preservado deveria,
em princípio, ser evitada. Alterações necessárias
deveriam ser profundamente estudadas e cuidadosamente executadas para garantir
a preservação das características essenciais do Plano Piloto
e a sua qualidade de vida".
Desigualdade. É razoável argumentar que a excepcional
"qualidade de vida" do Plano Piloto está na verdade arraigada numa história de extraordinária desigualdade e estratificação (excepcional até pelos padrões
brasileiros), baseada em privilégios exclusivos, e que mantê-la
custa à nação quantias exorbitantes. Portanto, não
é o caso de que a legislação que fixa tal "qualidade
de vida" seja senão um meio de usar recursos públicos para
preservar o privilégio das elites à custa de outros cidadãos
na verdade, que estabeleça uma tirania das elites por meio da
lei e de conselhos de planejamento, e dê poderes a uma gerontocracia de fundadores
para manter sua visão, enquanto priva as gerações mais
jovens da oportunidade de definir a sua própria? Além do mais, a preservação
de Brasília conta uma história muito parcial, a de seus planejadores
e arquitetos de elite, mas não a dos operários que construíram
a cidade e se rebelaram contra a sua exclusão. Ela também negligencia
a história de funcionários que desenvolveram propostas novas,
mas não arquitetônicas, para a vida urbana. Deveria sua preservação
comemorar tal privilégio social e espacial?
Sem dúvida, debater prós e contras dessas afirmações
desencadearia uma torrente de paixões, sem necessariamente chegar a uma
conclusão completamente satisfatória. Talvez menos polêmico
fosse concluir que não há menção, nesses pronunciamentos
a respeito da preservação de Brasília, àquilo que
na minha opinião é a mais importante das suas "características
essenciais", ou seja, seu espírito de invenção. Se
esse espírito é essencial, e se a preservação se
destina a proteger o essencial, então no mínimo o tombamento deveria
preservar Brasília como um campo de experimentação, de
inovação contínua. Deveria também preservar Brasília
como um lugar especial no Brasil onde esse tipo de risco é possível.
Congelar Brasília em um momento trai esse espírito.
Minha sugestão não inclui de forma alguma entregar
o Plano Piloto às forças do mercado e à especulação
imobiliária. Em vez disso, significa promover experimentos controlados
em todos os aspectos do urbanismo, incluindo a habitação, a educação,
os serviços médicos, o transporte e o governo. Essas iniciativas
vão necessariamente responder ao Plano Piloto de Costa, mas também
podem partir dele para a consideração de novos problemas. Dessa
forma, os planejadores poderiam preservar muitos aspectos da cidade modernista,
ao mesmo tempo em que permitiriam que Brasília se tornasse uma cidade
dotada de camadas com outras formas de urbanismo. O que faz com que cidades
como Paris, Nova York, Roma, São Francisco e São Paulo sejam interessantes
é que elas não se baseiam em apenas um modelo, mas são
dotadas de camadas com visões de cada geração que viveu
nelas. Essa justaposição torna visível a vitalidade da
vida urbana como debates sobre o próprio urbanismo. A densidade desse
registro produz cidades ricas em experiências e recompensa aqueles que
as conhecem. Os vastos espaços vazios de Brasília precisam conter tais justaposições,
cujo frisson é o melhor meio não só de nutrir a ideia fundadora de Brasília como um experimento, mas também
de perpetuar a importância do seu experimento arquitetônico inicial,
do seu projeto modernista Costa/Niemeyer/Ciam.
Lobo da especulação. Além do mais, as leis
de preservação de Brasília são na prática
muitas vezes burladas pela negligência e pela corrupção,
um destino comum demais da administração por estatuto. Muitas
vezes ouvi moradores de Brasília argumentar que abandonar a preservação
permitiria que o lobo da especulação do mercado devorasse a cidade.
Minha resposta é que, inegavelmente, o tombamento falha em proteger a
cidade dos males da especulação e da corrupção.
Por exemplo, o crescimento do Setor Hoteleiro Norte nem se adéqua ao
Plano Piloto, nem segue a lógica da competição de mercado,
nem constitui um novo experimento de planejamento. Em vez disso, é um
desenvolvimento caótico. Se na teoria o tombamento compromete o espírito
de Brasília, na prática ele não evita efetivamente a corrupção
do seu corpo. Entender como fazer o mercado contribuir para experimentos de
urbanismo que tratem de problemas sociais importantes seria um feito inestimável.
Na década de 50, Brasília ousou ser uma inovação
no urbanismo. Como a maioria dos experimentos significativos, assumiu os riscos
de se submeter à avaliação da opinião pública.
Hoje, continua sendo importante comemorar os experimentos particulares dos fundadores
de Brasília, mas só no contexto de celebrar a ideia maior da modernidade como experimento e risco, que é o seu espírito.
Transcorridos cinquenta anos da inauguração da cidade, é hora de libertar o espírito de Brasília.
Thomaz Farkas/Instituto Moreira Salles
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| Asa Norte, 1960 |
Paulo Vitale
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| Asa Norte, 2009 |
Casa de Lucio Costa
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O apelo de Juscelino
Em 15 de junho de 1960, menos de dois meses depois da inauguração,
em bilhete
enviado a Rodrigo Melo Franco Andrade, chefe do Patrimônio
Histórico, JK já pedia o tombamento
"A única defesa para Brasília está na preservação do seu Plano Piloto. Pensei que o tombamento do
mesmo poderia constituir elemento seguro, superior às leis que estão no Congresso e sobre cuja aprovação tenho dúvidas. Peço-lhe a fineza de estudar esta possibilidade, ainda que forçando
um pouco a interpretação do patrimônio. Considero indispensável
uma barreira às investidas demolidoras que já se anunciam vigorosas.
Grato pela atenção." |
* James Holston é professor de antropologia na Universidade
da Califórnia em Berkeley. É autor dos livros A Cidade Modernista
Uma Crítica de Brasília e Sua Utopia, de 1993, e, recentemente, Insurgent Citizenship: Disjunctions of Democracy and Modernity in Brazil (2008)
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