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Carta ao leitor
Uma janela para a história

Foto: René Burri/Magnum/Latinstock

A corrida do oeste
A inauguração de Brasília atraiu ao cerrado gente em busca de vida nova e emprego no país que nascia
Planalto Central - 1960

A inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, foi a realização de uma utopia, como foram todas as grandes epopeias fundadoras de nações. Erguer uma capital modernista no meio do cerrado, a centenas de quilômetros dos grandes centros urbanos, exigiu uma visão de mundo tão ampla, corajosa e ousada quanto a que levou o homem às grandes navegações e à conquista do espaço. Meio século depois, poucos se lembram das razões, das emoções e das poderosas forças, a favor e contra, desencadeadas pela construção de Brasília. Era fácil ser contrário à aventura do presidente Juscelino Kubitschek. A empreitada quebraria os cofres do país e traria a inflação, dizia-se. Quebrou mesmo. A inflação veio. O Brasil de hoje venceu a inflação e a desordem financeira. O país tem a admiração mundial pela estabilidade política, pela busca da justiça social e pela racionalidade na política econômica, o mais acabado tripé da modernidade. Muito dessa superação foi antevista pelos traços de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. Eles desenharam não apenas uma cidade, mas uma nação.

Esta edição especial de VEJA recupera a grande aventura em todos os seus aspectos – humano, econômico, político, geográfico e arquitetônico. Ela narra uma magnífica história futurista que ainda vai emocionar gerações quando a Brasília dos escândalos, um dia quem sabe, for coisa do passado. A revista que você tem em mãos foi editada por Fábio Altman, de VEJA, secundado na tarefa por Susana Camargo e Suely Bordin, insuperáveis em sua curiosidade histórica e exatidão, e por Paulo Vitale na seleção de imagens. Foram quatro meses de pesquisas em três dezenas de acervos fotográficos, quase uma centena de mapas, atlas e teses acadêmicas.

VEJA convidou profissionais com conhecimento específico sobre arquitetura e história para contribuir com artigos exclusivos explicando os ineditismos de Brasília. Ronaldo Costa Couto, jornalista e historiador, autor do livro Brasília Kubitschek de Oliveira, conta segredos de JK. Sérgio de Sá, neto de um dos precursores, Bernardo Sayão, construtor da Belém-Brasília, investiga a peculiar cultura produzida no cerrado, cujo ícone é a banda Legião Urbana, de Renato Russo. O escritor Humberto Werneck faz o minucioso relato do primeiro dia da capital, testemunhado por ele quando tinha 15 anos. Diz Altman: "Combinamos a emoção das testemunhas daquele instante fundamental com a acuidade de informações e fotografias extraordinárias. O resultado é esta Edição Especial Brasília 50 Anos, desde já uma referência para quem quiser entender o nascimento da cidade que originou o Brasil de hoje".