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As sete cidades

Belo Horizonte Outras cidades

 

As sete cidades
Um passeio histórico por Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Tiradentes, Congonhas, Sabará e São João del Rei

297 Quilômetro zero
As pedras preciosas que deram fama a Diamantina no século XVII eram transportadas sobre animais até o litoral do Rio de Janeiro para, de lá, viajarem a Portugal. Para cumprir os 1 600 quilômetros do percurso, foram abertas picadas e rotas entre montanhas, cachoeiras, fazendas e cidades como Ouro Preto e Parati. Hoje, esses caminhos compõem a Estrada Real (www.estradareal.org.br), um fabuloso roteiro rodoviário que passa por pelo menos 200 municípios nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

298 Coco e ouro
A Joalheria Pádua ( 38/3531-1116) funciona desde 1888 no centro histórico de Diamantina. Ali, é possível observar o trabalho dos artistas que criam jóias de coco e ouro 18 quilates, como brincos, pulseiras, anéis, broches, correntes e pingentes. As peças custam a partir de 80 reais.

299 Cidade gastronômica
Sim, Tiradentes merece esse título. De fato, a cidade é um pólo da boa cozinha. Cinco de seus restaurantes receberam estrelas no Guia Quatro Rodas, ficando atrás apenas de Belo Horizonte nesse critério. São eles: o Pau de Angu ( 32/9948-1692), o Virada’s do Largo ( 32/3355-1111), o Estalagem do Sabor ( 32/3355-1144), o Tragaluz ( 32/3355-1424) e o Theatro da Villa ( 32/3355-1275).

300 Altar dos mestres

Fernando Piancastelli

Entre as igrejas encarapitadas nas montanhas de Ouro Preto, a de São Francisco de Assis, erigida no século XVIII no Largo de Coimbra, é fruto da genialidade de dois símbolos do barroco brasileiro. Aleijadinho fez o projeto arquitetônico, o desenho do medalhão na fachada e esculpiu em pedra-sabão o lavabo da sacristia. Mestre Athayde levou dez anos para concluir a pintura do teto, que provoca uma impressionante ilusão de ótica, graças aos pilares pintados em perspectiva.

301 Porta-jóias
Anexo à Escola de Minas, em Ouro Preto, o Museu de Ciência e Técnica ( 31/3559-1597; www.museu.em.ufop.br) abriga um acervo com cerca de 23 000 amostras de minérios de todo o mundo. Entre as preciosidades está o topázio imperial, pedra exclusiva do Brasil e só encontrada na região.

302 Vila rica
Por conta dos 434 quilos de ouro que revestem as talhas da nave, a capela-mor e os seis altares laterais, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, é considerada a segunda mais rica do país. Construída meio século antes da igreja vizinha, dedicada a São Francisco de Assis, traz a figura do Cordeiro de Deus pintada no teto. Um dos braços da cruz parece mudar de lado à medida que o visitante caminha. No subsolo funciona o Museu da Arte Sacra, com peças do século XVIII.

303 Olha o trem
O soar longo de dois apitos e o bater de sinos avisam que a locomotiva vai partir: de Ouro Preto a Mariana, a maria-fumaça ( 31/3551-7310) sai às 11 e às 16 horas. No sentido contrário, embarques às 9 e às 14 horas. A viagem de ida dura uma hora e corta 18 quilômetros de montanha bem devagarinho. De São João del Rei a Tiradentes ( 32/3371-8485), o trajeto de 12 quilômetros, margeando o Rio das Mortes, consome 35 minutos e inclui vista para a bela Serra de São José.

304 Pai-Nosso e Ave-Maria
Em Ouro Preto, o Museu do Oratório ( 31/3551-5369; www.museudooratorio.com.br) é o único do gênero no mundo. Tem uma coleção de 162 oratórios e 300 imagens sacras dos séculos XVIII ao XX. Curiosamente, parte das peças pertenceu a donzelas, escravos e pedintes. Duas delas merecem atenção especial: um oratório que teria sido pintado por Mestre Athayde e a imagem de São José de Botas, atribuída a Aleijadinho.

305 Pérola negra
Em meio às construções históricas do século XVIII que deram a Diamantina o título de Patrimônio Cultural da Humanidade em 1999, a Casa de Chica da Silva ( 38/3531-2491) é aberta a visitação. A construção, na qual a famosa escrava liberta viveu de 1755 a 1770 com o contratador de diamantes João Fernandes, guarda painéis que ilustram o tórrido romance do casal.

306 Peneirada
A dez quilômetros de Diamantina, encontra-se o Garimpo Real ( 38/3531-1557), único no Brasil a fazer extração artesanal. O proprietário, Belmiro Nascimento, faz as vezes de guia durante o trajeto. Conversar com os garimpeiros que trabalham por lá também rende boas histórias. O visitante pode arriscar suas peneiradas em busca de pedras preciosas.

307 Traços orientais
Na pequena Igreja de Nossa Senhora do Ó ( 31/3671-1724), em Sabará, os personagens bíblicos retratados nas pinturas das paredes laterais têm olhos puxados. As bases do único altar trazem cabeças de dragão em vez de anjinhos. No arco-cruzeiro, sete painéis exibem traços asiáticos e as cores vermelho, azul e dourado predominam. Essas influências orientais sobre o trabalho barroco dos entalhadores vêm de Macau, na China, antiga colônia portuguesa. O templo foi construído entre 1717 e 1720.

308 Barroco branco
Em meio ao ouro e às cores que marcam as igrejas construídas nos séculos XVII e XVIII, a de Nossa Senhora do Carmo ( 32/3371-7996), em São João del Rei, distingue-se por ter o interior todo branco, com raros detalhes em dourado - característica da última fase do barroco. Na lateral da construção, concluída em 1733, há uma imagem inacabada de Jesus Cristo, sem os braços, esculpida em madeira.

João Marcos Rosa
309 Patrimônio mundial
O fato de a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos estar erguida no alto de uma colina em Congonhas, a 85 quilômetros de Belo Horizonte, só torna mais impressionante o primeiro contato visual com o conjunto, alçado a patrimônio mundial pela Unesco em 1985. A primeira etapa da visita deve ser cumprida ainda do lado de fora, onde ficam as seis Capelas dos Passos, com 64 imagens de cedro, que representam os passos da Paixão de Cristo. Alguns metros acima podem ser avistados os doze profetas esculpidos em pedra-sabão por Aleijadinho e seus discípulos, entre 1800 e 1805. Por fim, a igreja, com decoração rococó, tem a pintura do teto da nave assinada por Mestre Athayde.

Belo Horizonte

310 Arte no jardim

Uma das atrações com cotação cinco estrelas no Guia Quatro Rodas é o Museu Inhotim ( 31/3227-0001, www.inhotim.org.br). Aberto em 2006, a 60 quilômetros da capital mineira, apresenta uma formidável combinação de arte contemporânea brasileira e jardim botânico. O acervo tem 400 peças, noventa delas em exposição em galerias ou ao ar livre, em meio a 2 000 espécies de plantas.

311 Nove vezes campeão
Premiada por nove anos seguidos como a melhor da cidade na edição especial Veja Belo Horizonte, a especialidade da Pastelaria Marília de Dirceu sai dos tachos em catorze versões. Entre elas, opções como bacalhau e espinafre com provolone, que leva crosta de parmesão.
Rua Marília de Dirceu, 70, Lourdes, 31/3335-2700; www.mariliadedirceu.com.br.

312 Curvas de Niemeyer
Às margens da lagoa, está uma espetacular amostra dos primeiros trabalhos de Oscar Niemeyer. Construído na década de 40 a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek, o Complexo Arquitetônico da Pampulha engloba o Museu de Artes da Pampulha, a Casa de Baile, cujo telhado tem curvas que acompanham as da lagoa, e a Igreja de São Francisco de Assis, um dos cartões-postais da cidade. Contornado por jardins de Burle Marx, o ousado templo levou dezesseis anos para ser aceito pela Igreja e tem painéis assinados por Candido Portinari.

Nelio Rodrigues

313 Segredo mineiro
Por cinco anos consecutivos, os jurados da edição especial Veja Belo Horizonte vêm apontando o pão de queijo do empório Verdemar como o melhor da cidade. Os donos da receita dizem que o sucesso se deve à quantidade generosa de queijo-de-minas usada em sua preparação.
Avenida Nossa Senhora do Carmo, 1900, Sion, 31/2105-0101.

314 Terra de botecos
Diz-se que Beagá é a capital com o maior número de bares per capita no país. Estima-se em 12 000 – um para cada 200 habitantes. Um grande ponto da boemia local, o Silvio’s Bar é o melhor boteco da cidade segundo o júri de Veja Belo Horizonte. Ao redor do balcão em forma de ferradura, a freguesia come, por exemplo, jiló à milanesa com crosta de parmesão.
Rua Begônia, 199, Esplanada, 31/3482-3001.

315 Haja cachaça!
Entusiasmado com o título de a melhor carta de cachaças pela edição especial Veja Belo Horizonte, Miguel Murta, dono do Via Cristina, aumentou de 412 para 630 o número de marcas à venda. Das garrafas procedentes de vários estados brasileiros, 90% levam o sotaque mineiro. Boa idéia para uma degustação é pedir a tábua, com meia dose de seis rótulos diferentes.
Rua Cristina, 1203, Santo Antônio, 31/3296-8343.

316 Clube do espaguete
O Bolão é, provavelmente, o bar mais famoso da cidade. Motivos para esse reconhecimento não faltam: foi eleito dez vezes o melhor fim de noite pelo júri de Veja Belo Horizonte; a cozinha fica aberta diariamente até as 6 da manhã; e dela sai, há 36 anos, um tradicional espaguete que já aplacou a fome de boêmios como as turmas do Skank, do Sepultura e do Clube da Esquina.
Praça Duque de Caxias, 288, Santa Teresa, 31/3463-0719;
www.restaurantebolao.com.br

317 Papa-títulos
Com duas estrelas no Guia Quatro Rodas, o Vecchio Sogno conquistou também o prêmio de a melhor mesa da cidade pelo júri de Veja Belo Horizonte. À frente da casa está outro papa-títulos: Ivo Faria, eleito nove vezes o chef do ano. Entre suas criações está uma massa artesanal recheada com coração de alcachofra italiana e queijo brie, servida ao molho de camarão, alcaparra e amêndoa.
Rua Martim de Carvalho, 75, Santo Agostinho, 31/3292-5251;
www.vecchiosogno.com.br

318 Bom começo
Nem bem abriu as portas, o restaurante Hermengarda já ostenta o prêmio de novidade do ano no Guia Quatro Rodas. Na cozinha da casa, que abriga uma enorme jabuticabeira no quintal, atua Guilherme Melo, eleito o chef revelação pelo júri de Veja Belo Horizonte. Para criar pratos da moderna cozinha brasileira, Melo manipula itens como mandioca, castanha-do-pará, ora-pro-nobis, café e tapioca.
Rua Outono, 314, Carmo Sion, 31/3225-3268;
www.hermengarda.com.br

319 Fogão a lenha
Uma visita ao Xapuri, onze vezes o melhor restaurante de cozinha brasileira da cidade, na opinião do júri de Veja Belo Horizonte, requer mais tempo do que o dedicado à refeição. Próximo à Lagoa da Pampulha, a casa tem redes espalhadas em meio aos quiosques ao ar livre. À frente do fogão a lenha, Nelsa Trombino cria receitas como a costelinha da sinhá, com mandioca e feijão-tropeiro. Reserve apetite para os ótimos doces caseiros, entre eles o quindim, a cocada de maracujá e as compotas.
Rua Mandacaru, 260, Pampulha, 31/3496-6198;
www.restaurantexapuri.com.br

320 Corzinha básica
Ave Maria, Patachou e Vide Bula são algumas das grifes locais (www.modaminas.com). Elas brilham além das fronteiras do estado, em eventos como a São Paulo Fashion Week, por causa das estampas coloridas, da mistura de tecidos e dos bordados manuais. O estilista Ronaldo Fraga, por exemplo, é o preferido da cantora Fernanda Takai, que costuma usar suas roupas nos shows.

Outras cidades

321 É muita água
O acesso às mais de cinqüenta cachoeiras de Carrancas é feito por trilhas ou estradas de terra quase sempre em condições ruins. O Complexo da Zilda inclui duas cascatas formadas por doze quedas, poços para banho, um escorregador de pedra com 15 metros de altura e um cânion.

322 A casa de Rosa
Seis anos após a morte de João Guimarães Rosa (1908-1967), a casa de Cordisburgo, onde o escritor passou a infância, virou museu ( 31/3715-1425). Distribuídos pelos oito cômodos da construção, 1 200 documentos e 200 peças registram momentos da vida do mestre. Entre as relíquias, encontra-se a máquina de escrever da qual brotaram as páginas de Grande Sertão: Veredas.

323 Salões encantados
Também em Cordisburgo, a Gruta de Maquiné ( 31/3715-1078) atrai turistas para suas sete galerias. Com 650 metros de extensão, a formação natural foi descoberta em 1825 e está aberta ao público há 100 anos. Passarelas e iluminação artificial facilitam a visita, que impressiona pela beleza e pelo colorido das estalactites. Diversas figuras de animais petrificados, como corujas e carneiros, também despertam olhares curiosos.

324 Serra dos véus
É da parte baixa que se vêem melhor os 186 metros da Casca d’Anta, a maior queda livre do Rio São Francisco. A cachoeira fica no Parque Nacional da Serra da Canastra ( 37/3433-1195; www.serradacanastra.com.br), sudeste do estado. No caminho, além de poder ver exemplares de 350 espécies de aves, com sorte o turista depara com tamanduás-bandeira.

João Marcos Rosa
325 Cor de coca-cola
Centenas de off-roads rodam, ou melhor, tentam rodar pela estrada de 27 quilômetros de terra que leva à rústica Vila de Conceição de Ibitipoca, no sul do estado, onde fica o Parque Estadual de Ibitipoca (www.ibitipoca.tur.br). Cerca de vinte cavernas formadas de quartzito, além de cânions, abrigam animais como jaguatirica, lobo-guará e bugio. A trilha mais famosa, feita em três horas de subida íngreme, leva à Cachoeira Janela do Céu e passa pelo Pico da Lombada, o melhor mirante da região.

326 Terra das purinhas
Com cerca de 37 000 habitantes, Salinas, no norte do estado, é conhecida como a "capital mundial da cachaça". Berço de marcas como Seleta, Boazinha e a mítica Anísio Santiago, a região tem mais de oitenta alambiques, alguns deles abertos para visitação. Na Fazenda Vargem Grande ( 38/3841-1589), por exemplo, é possível acompanhar o processo de destilação e produção  da Sabinosa.

327 Água fervente
Instalado na cratera de um vulcão extinto há 90 milhões de anos, o edifício das Termas do Araxá ( 34/3669-7006) é uma boa lembrança dos áureos tempos em que a cidade recebia visitantes ilustres, como o presidente Getúlio Vargas. Verdadeira meca de tratamentos medicinais, a área abriga salas de banhos sulfurosos e de lama, além de piscinas de água radiativa e espaço para massagens. A construção em formato circular, com 17 000 metros quadrados, tem piso de mármore e teto com vitrais.

328 Os lobos pedem a bênção
Vista de longe, a serra onde está localizado o Santuário do Caraça ( 31/3837-2698), a 120 quilômetros de Belo Horizonte, lembra um enorme rosto de perfil, uma "caraça" esculpida na rocha. No parque, situado em área que pertence a religiosos, a grande atração é a presença de lobos-guará que todas as noites se aproximam da igreja em busca dos restos de carne atirados pelos padres.