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NORDESTE
Maranhão
Lençóis Maranhenses
Julio Alcantara/AE
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133 Areal
sem fim
O conjunto de dunas de até 40 metros de altura se estende
por 155 000 hectares, área superior à do município
de São Paulo. Trata-se de um mar de areia (que acaba no oceano
de verdade), pontilhado por lagoas transparentes. Ali, a água
da chuva se acumula entre maio e agosto, a alta temporada. E, felizmente,
nunca seca por completo. Barreirinhas, a 357 quilômetros de
São Luís, é a porta de entrada para conhecer
o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
Mas não espere um vilarejo pitoresco: a cidade tem trânsito
caótico, é suja e sua arquitetura só desperta
suspiros se forem de lamentação.
134 O
vôo que vale a viagem
Do alto, as dunas se parecem mesmo com um enorme lençol estendido.
Sobrevoar os Lençóis Maranhenses por meia hora a bordo
de um monomotor custa cerca de 200 reais (Operatur,
98/ 3349-1835). Vale cada centavo. Tem gente que desembarca com
lágrimas nos olhos.
135 Hospedagem
no meio do nada
Nem água quente, nem ar-condicionado, nem televisão.
Não faz tanto tempo, nem sequer havia luz elétrica
em Atins. Mas tudo bem. Há mosquiteiro sobre as camas
e ventiladores para afastar os pernilongos. As noites são
frescas, já que venta bastante. E, afinal, a idéia
é mesmo hospedar-se entre as dunas, para ter a sensação
de que os Lençóis são só seus
com o silêncio que combina com a paisagem. Em Barreirinhas,
há barcos e lanchas rápidas para Atins, pelo Rio Preguiças.
Pousada Rancho do Buna,
98/3349-5005 e 9616-9646; diárias a R$ 110,00. Pousada
Filhos do Vento,
98/3349-5007; diárias de R$ 50,00 a R$ 80,00.
136 Churrasco
de camarões da Luzia
De barco ou de jipe, é possível chegar ao Restaurante
da Luzia (
98/9132-3187). Mas depois da caminhada de uma hora e meia, sob o
sol forte, a partir do centrinho de Atins, o churrasco de camarões
(porção de dez a doze camarões médios)
fica muito mais saboroso. Luzia prepara o crustáceo na brasa.
Os guias que acompanham os turistas na caminhada costumam acelerar
na reta final para encomendar o prato. Nem adianta perguntar: a
dona não entrega a receita do molho secreto.
137 Sobe
duna, desce duna
Um bom jeito de conhecer os Lençóis de perto são
os trekkings. Há várias possibilidades: de
Santo Amaro a Atins, de Casante até a praia... Importante:
leve chapéu, óculos escuros e muito filtro solar.
O sol é de rachar, até para quem está acostumado.
Em Barreirinhas, procure a Off Road Adventure (
98/3349-0625), a Rota das Trilhas (
98/3349-0372) ou a Tropical Adventure (
98/3349-0372).
138
Mergulho cinematográfico
Imperdíveis nos Lençóis Maranhenses: as lagoas
Bonita e Azul, em Barreirinhas, e a Lagoa da Gaivota, em Santo Amaro
do Maranhão. Prefira os meses de maio a agosto, quando elas
estão cheias e há água para todos.
139 É
de chapar
No sul do Maranhão, a Chapada das Mesas está
entre os mais novos parques nacionais do Brasil. Suas atrações:
poços de água cristalina, cachoeiras como a do Prata,
cercada por uma prainha de areia branca, e a do Santuário,
ao lado de um pequeno cânion, além de surpreendentes
formações rochosas. No Morro das Figuras, há
inscrições feitas pelos antigos habitantes da região.
Mas o acesso não é fácil. O aeroporto mais
próximo fica em Imperatriz, distante cerca de 200 quilômetros.
As operadoras Tradetours (
11/3257-9788, www.tradetours.com.br)
e Monark (
11/3235-4322, www.monark.tur.br)
oferecem pacotes desde São Paulo a partir de R$ 1 886,00.
Victor Almeida
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140 Sonho cor-de-rosa
Criado em 1920 por um farmacêutico de São Luís
e distribuído só no Maranhão, o Guaraná
Jesus tornou-se um fenômeno de popularidade. Cor-de-rosa,
muito doce e com gosto de bala, esse refrigerante à base
de guaraná e extratos de cravo e canela é encontrado
em todo lugar. Alguns festejavam Jesus como alternativa à
onipresença da Coca-Cola. Mas o sonho cor-de-rosa (esse é
o slogan da bebida) acabou. Atualmente, é a própria
Coca-Cola que o produz.
141 360
graus de água doce, água salgada e praia
A uma hora de lancha de Barreirinhas, o Farol Preguiças,
em Mandacaru, oferece uma vista de 360 graus da região,
incluindo o encontro do Rio Preguiças com o mar, além
de parte do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
A torre, construída em 1940, pode ser visitada durante a
parada do barco de linha que faz o trecho de Barreirinhas a Atins.
São Luís
142 Carne-de-sol
bem acompanhada
O almoço mais concorrido de São Luís acontece
no Restaurante Cabana do Sol. Nos fins de semana, há
até distribuição de senhas. Esse movimento
todo é pela carne-de-sol do norte, feita com miolo de alcatra
e assada na brasa. O prato vem acompanhado de baião-de-dois,
feijão-verde, purê de mandioca, banana à milanesa
e rapadura e serve três pessoas.
Rua João Damasceno, 24A, Farol de São Marcos,
98/3235-2586.
143 4
000 imóveis tombados
Importante conjunto arquitetônico dos séculos XVIII
e XIX, o Centro Histórico de São Luís
foi reconhecido pela Unesco como patrimônio mundial. Seu casario
começou a ser restaurado no fim da década de 80, pelo
governo estadual, através do Projeto Reviver. Pontos altos:
os azulejos artesanais importados de Portugal, por todo o centro;
o Teatro Artur Azevedo, de 1817; e o sobrado em estilo colonial
conhecido como Cafua das Mercês, um antigo mercado de escravos.
144 Pinga
de mandioca
Destilado obtido da fermentação da mandioca, a tiquira
tem teor alcoólico de até 54% e sabor tão forte
que já chegaram a compará-la à pimenta-malagueta.
Quem não conseguir bebê-la pode usar suas garrafas
como enfeite. Afinal, essa cachaça maranhense apresenta uma
bela cor arroxeada, resultado da infusão de cascas de tangerina.
145 Ê,
boi!
O mês oficial dos festejos do bumba-meu-boi é
junho, época do batizado e do auto do boi, quando os grupos
tomam conta das ruas de São Luís. Quem chega atrasado
não perde a viagem. Em julho, as apresentações
têm lugar nas noites de quinta a domingo, em um palco instalado
no pátio do Convento das Mercês (Rua do Giz), que lota
nas noites do Boizinho Barrica, a maior estrela local.
146 Entre
franceses e portugueses
A antiga Fortaleza de São Luís foi erguida pelos franceses,
que fundaram a cidade em 1612. Quando o lugar foi tomado pelos portugueses,
em 1615, tornou-se Palácio dos Leões (
98/3232-9789). Hoje sede do governo estadual, tem salas abertas
à visitação com tapetes e lustres da França,
mobília e quadros dos séculos XVIII e XIX. Ao lado
fica o Palácio La Ravardière (1689), erguido em homenagem
ao fundador da cidade, Daniel de La Touche, e atual sede da prefeitura.
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