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NATUREZA
Aventura no interior do Brasil


Caio Vilela

Diulgação

Jalapão - TO

Explorada até o fim dos anos 90 somente por poucos viajantes independentes, essa enorme extensão de cerrado no Tocantins, repleta de dunas, cachoeiras e trilhas, tornou-se sonho de muitos turistas na virada do milênio. Com cachoeiras volumosas como a da Velha e a da Formiga, nascentes cristalinas como o Fervedouro – onde o jorro de água impede o banhista de afundar – e mirantes apontados para quilômetros de paisagem preservada sobre o Planalto Central, o lugar tem vocação turística inegável.

Em tamanha vastidão, novos pontos de interesse surgem anualmente. Um exemplo recente é a descoberta do Mirante da Serra. A 900 metros de altitude, o pico revela uma visão de 360 graus e permite uma vista exclusiva das famosas dunas. Outra atração recém-descoberta e ainda não explorada pelas agências é um "fervedouro" três vezes maior que o mais conhecido na área.

Visitar o Jalapão requer certa disposição. É preciso percorrer pelo menos 700 quilômetros em estradas de terra durante os cinco dias que se gastam para explorar um mínimo de atrações. Pousadas simples e casas de moradores nos povoados de Ponte Alta do Tocantins e Mateiros são as únicas opções de hospedagem, além dos pacotes de safári vendidos pelas agências de ecoturismo, cuja forma de acomodação é uma estrutura de acampamento no meio da mata. O Safári Camp foi inspirado no estilo de acomodação que atende os turistas nas selvas da África do Sul. À beira do Rio Novo, a estrutura de mínimo impacto ambiental equipada com redes, banheiros químicos e barracas garante um contato íntimo com a natureza. Pode parecer selvagem, mas, no fundo, o acampamento oferece mais conforto do que parece. Basta observar o público mais freqüente: 30% dos clientes têm entre 41 e 50 anos, outros 22% entre 51 e 60 anos, e 65% são mulheres.

MAIS INFORMAÇÕES: www.korubo.com.br
MELHOR PERÍODO: os deslocamentos são mais eficientes na época de seca (abril a outubro)
ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS:
um mergulho na água potável do Fervedouro; o precioso artesanato em capim dourado; a descida do Rio Novo em catamarã inflável

 

Bonito - MS

 
Diulgação

Não tem para ninguém. Quando o tema é desenvolvimento com turismo aliado à conservação da natureza, Bonito serve de exemplo para muitas cidades que buscam o mesmo equilíbrio. A iniciativa conduzida pela prefeitura surgiu no fim da década de 80, quando a comunidade local percebeu o potencial turístico e a fragilidade ambiental de seus atrativos naturais. Desde então o povoado se desenvolveu em um ritmo inédito e explora com muita cautela seu tesouro natural representado por grutas, cachoeiras e nascentes, quase sempre localizadas dentro de propriedades particulares. Hoje, o lucro com o turismo está prestes a bater os números da atividade pecuária, principal fonte de renda em toda a região. Novos hotéis de nível internacional, como o Arizona (www.hotelpousadaarizona.com.br) e o Eco-Resort Zagaia (www.zagaia.com.br), pertencente à rede Blue Tree, foram recém-inaugurados nos arredores da cidade para atender à demanda. O aeroporto começou a operar neste ano e, desde setembro passado, a cidade tem um centro de convenções. Além dos já consagrados pontos de interesse para o turismo ecológico, novos roteiros despontam. Uma das novidades é a travessia de bicicleta de Bonito a Corumbá em uma semana, em que os cicloturistas viajam acompanhados de um veículo de apoio e pernoitam em fazendas pelo caminho. Outra opção radical é a aventura de rapel e mergulho no Abismo Anhumas, acessível apenas aos que têm certificado de mergulhador autônomo.

MAIS INFORMAÇÕES: www.portalbonito.com.br
MELHOR PERÍODO: entre junho e agosto é mais frio, mas a água nas nascentes está mais limpa e chove menos na região
ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS:
a happy hour e as cachaças curtidas do bar Taboa; a flutuação no Rio da Prata; o rapel com mergulho no Abismo Anhumas

 

Pantanal

 
An Araujo

Não é de espantar que novas formas de explorar o turismo sejam descobertas anualmente na maior planície inundada do planeta. A cada temporada, novas opções de roteiros entram no páreo contra os tradicionais passeios a cavalo ou de lancha voadeira pelos banhados e rios do Pantanal. Fazendas estabelecidas no ramo turístico, como o Refúgio Ecológico Caiman e o Araras Eco Lodge, hoje investem em programas para observadores de pássaros e outros grupos de interesse específico, como pescadores e fotógrafos amadores. Mas a grande novidade é o roteiro a bordo do barco-hotel, operado no Rio Paraguai desde o ano passado. Tradicionalmente utilizadas para excursões de pesca, várias dessas embarcações de madeira foram adaptadas para receber ecoturistas. Muitos visitantes combinam a nova experiência com safáris fotográficos na Estrada Parque, explorando o Pantanal por terra e pela água. Para quem quer ir além, as experiências mais exclusivas são oferecidas por fazendas pantaneiras tradicionais, cujo acesso se faz apenas por táxi áereo a partir das cidades de Aquidauana ou Miranda. É o caso das Fazendas Rio Negro (www.fazendarionegro.com.br), onde foi filmada a novela Pantanal, Barra Mansa (www.hotelbarramansa.com.br), próxima ao Rio Negro, Rio Mutum (www.pousadamutum.com.br) e Baía das Pedras (www.baiadaspedras.com.br), uma propriedade de 15 000 hectares no coração do Pantanal.

MAIS INFORMAÇÕES: www.turismo.ms.gov.br
MELHOR PERíODO: para observar mamíferos, é indicado o período da seca (junho a setembro). Para observar aves, a estação da cheia (dezembro a março) é a ideal
ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS:
o ruidoso despertar das aves durante o amanhecer no Rio Paraguai; o tereré (ou mate gelado) dos guias pantaneiros