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Golfe
Tacadas no paraíso

Depois do taco, o instrumento mais utilizado
pelo golfista é o cartão de crédito. Por isso o
esporte é um grande negócio para o turismo


Marco Frenette

 
Fotos divulgação
Terravista: entre os melhores campos do mundo

O golfista, seja qual for sua origem ou cultura, tem uma característica marcante: não se imagina viajando para um lugar sem campo de golfe. Essa paixão sem fronteiras une-se a uma certa liberalidade com o cartão de crédito. É uma combinação que o faz gastar, em média, 50% mais que o turista convencional. Anualmente, isso se traduz em 13 bilhões de dólares injetados no turismo mundial. Boa parte desse dinheiro concentra-se em endereços tradicionais nos Estados Unidos, Portugal, Espanha, África do Sul e Caribe. Mas outros países se preparam para abocanhar uma fatia desse bolo. A China, por exemplo, já tem 200 campos em 22 cidades e está construindo mais 500, além de ter outros 500 em planejamento avançado. Nesse ritmo, até 2015, só ficará atrás dos EUA, com seus inacreditáveis 25 000 campos e 36 milhões de praticantes.

Naturalmente, esses patamares nem sequer são vislumbrados por aqui, onde há 105 campos e modestíssimos 25 000 praticantes (contra 300 campos e 130 000 jogadores na Argentina, para comparar com um país mais próximo). Porém, eis que o turismo mundial de golfe está descobrindo o Brasil – ou, mais precisamente, o litoral da Bahia. Lá estão os campos do Terravista, junto ao Club Med, do Hotel Transamérica Ilha de Comandatuba, do Costa do Sauípe e do Iberostar. São campos de alto nível técnico, que atendem desde o golfista amador com suas tacadas imprecisas até o mais exigente dos profissionais. E o melhor de tudo: são envoltos por paisagens exuberantes compostas de dunas, falésias monumentais, mar, sol e Mata Atlântica. É, realmente, golfe jogado no paraíso.

"Muitos turistas já consideram o Terravista melhor que Pebble Beach, uma vez que aqui a temperatura nunca fica abaixo de 22 graus", comemora Anísio Santos, profissional-chefe do Terravista Golf Course, comparando o empreendimento baiano com o mais concorrido e famoso campo americano. Essa convicção é confirmada por especialistas estrangeiros. Recentemente, a revista Travel + Leisure Golf, a bíblia do turismo de golfe, elogiou em longa matéria os campos baianos e colocou o Terravista como "um dos mais deslumbrantes campos de golfe do mundo". O recém-inaugurado campo do grupo Iberostar também deverá ganhar destaque com o passar do tempo. Ele fica na Praia do Forte, a poucos quilômetros da Costa do Sauípe.

"É um campo longo, com ventos fortes e bancas profundas de areia, como não se vêem em outro campo brasileiro", diz Gary Kolnik, diretor de golfe do Iberostar. "Seu desenho e as condições de jogo lembram os famosos campos escoceses à beira-mar."

Campo de golfe do complexo Iberostar: novidade no sul da Bahia

Porém, toda a beleza e a qualidade dos campos não seriam suficientes para atrair o golfista se eles não estivessem em grandes resorts, ao lado de bons hotéis, inúmeras atividades de lazer e vida noturna. "É o mesmo formato de outras partes do mundo, onde o golfe já é fundamental para o turismo", diz Orlando Giglio, diretor comercial da Iberostar. Trata-se de uma estreita dependência entre golfe e turismo internacional que o Brasil está deixando de ignorar. Na Praia de Guarajuba, a 12 quilômetros do Iberostar, fica o resort Vila Galé Marés, que também está com planos de construir seu campo. A 70 quilômetros de Porto Seguro, no município de Belmonte, está programada para o início de 2008 a construção de outro campo, num resort a ser erguido com investimento português.

No turismo de golfe, o surgimento de novos campos em resorts não assusta a concorrência. "No caso específico da Bahia, os novos empreendimentos ajudarão o estado a tornar-se, até 2010, um verdadeiro golf destination", diz Alexandre Zubaran, diretor-presidente do Costa do Sauípe. "Serão, pelo menos, seis resorts com campos de alto nível em uma mesma região", afirma. Michael Rumpf-Gail, diretor-presidente do Terravista Empreendimentos, tem a mesma visão empresarial: "O golfista é um nômade que gosta de viajar para jogar em mais de um lugar, pois cada campo oferece desafios e emoções diferentes. Quanto mais campos de alto nível uma região tiver, mais bem-sucedida será como pólo turístico". A prova de que esse empresário alemão crê nesse caminho é o acordo que fechou com o Transamérica Ilha de Comandatuba. "Como os dois complexos turísticos têm aeroporto próprio, estamos preparando ofertas que incluam os dois roteiros a partir de vôos fretados", diz Rumpf-Gail.

Se o crescimento do turismo de golfe no Brasil não segue o estonteante ritmo chinês ou americano, por outro lado é crescente e seguro a ponto de já demandar especialização. "Para atender o golfista, é fundamental conhecer bem o esporte, os destinos e os serviços oferecidos", explica Fabio Mazza, sócio-diretor da Golf Travel, agência de turismo que atua no segmento desde 2000. Outra interessante iniciativa partiu da parceria entre a Confederação Brasileira de Golfe e a Embratur. Em 2003, fundaram o Bureau Brasileiro de Turismo de Golfe, que orienta agências de viagem não especializadas. "Quando um golfista viaja em busca do campo perfeito, também procura uma gastronomia de qualidade, com bons vinhos e charutos", diz Cristhiane Teixeira, coordenadora do Bureau. "Um consumidor dessa categoria precisa de um atendimento à altura da sua importância."

 

Terravista Golf Course

O campo do Terravista fica na famosa Costa do Descobrimento, entre Arraial d'Ajuda e Trancoso, duas das mais charmosas e agitadas vilas turísticas de Porto Seguro. O projeto desse campo de 4 milhões de dólares é do renomado arquiteto americano Dan Blankenship, que criou um traçado desafiador e de beleza ímpar, com muitas bancas de areia ao longo do percurso. A topografia original da região foi preservada. É também um campo de dupla personalidade. Os primeiros nove buracos estão cercados por uma densa e imponente Mata Atlântica, enquanto os outros nove estão espalhados por uma falésia de 40 metros de altura. É o caso do cinematográfico buraco 14, cartão-postal do campo e da região. O tee de saída (local onde se dá a tacada inicial) e o green (área onde fica o buraco) são separados por um precipício. Dali, o jogador dá suas tacadas com vista ampla para toda a imensidão do mar e para tartarugas gigantes que se movimentam lá embaixo, na beira da praia. O resort também fica na beira de uma falésia e oferece prática de esportes náuticos, com uma equipe de monitores especiais.

MAIS INFORMAÇÕES: (73) 2105-2104.
www.terravistagolf.com.br

MELHOR PERÍODO: de fevereiro a maio há mais brisas e a possibilidade de chuva é baixa
ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS: ficar na beira da falésia no buraco 14 e ver tartarugas nadando no mar, 40 metros abaixo; passear pelos primeiros buracos do campo, cercados pela Mata Atlântica; fazer a massagem especial para golfistas oferecida no Spa do Club Med

 


Comandatuba Ocean Course

 

O campo fica em uma ilha de beleza paradisíaca, no município de Una, a 70 quilômetros da cidade de Ilhéus, entre um manguezal e o mar, com a praia margeando alguns buracos. De qualquer parte do campo, ouve-se o agradável barulho do mar. Com projeto de Dan Blankenship, o campo foi construído numa área de 880 000 metros quadrados onde antes funcionava uma fazenda de cocos. O projeto manteve mais de 10 000 coqueiros, garantindo uma paisagem espetacular. As beiradas das raias, em vez de ter o tradicional rough (local de grama um pouco mais alta, que dificulta as tacadas), são protegidas por areia, gerando novos desafios ao golfista. Outro destaque é a rica fauna local, com micos, aves, tamanduás e jupatis, que eventualmente aparecem para observar o golfista em ação.

MAIS INFORMAÇÕES: 0800 0126060.
www.hoteltransamerica.com.br
MELHOR PERÍODO: fevereiro a maio, época do ano com menos riscos de chuva
ATRAÇÃO IMPERDÍVEL:
jogar no fim da tarde: os raios de sol que batem no meio dos coqueiros recortam o campo com várias tonalidades