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As capitais
estão doentes
Ricardo Malta

Condomínio
em Florianópolis: a cidade é uma das mais disputadas do Brasil
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Nos
países desenvolvidos, as grandes cidades perderam indústrias
e, com elas, muitos moradores foram embora. Em compensação,
ganharam parques, mais áreas verdes e se tornaram lugares
agradáveis para os habitantes que ficaram e cartões
de visita para quem está de fora. Paris, Berlim, Londres
e Nova York já foram semelhantes às cidades brasileiras:
superlotadas, sujas e ruins para viver. A diferença é
que seus governantes acordaram e colocaram ordem na casa. Quase
todas as capitais brasileiras estão na contramão.
Na última década, São Paulo perdeu indústrias
e, pela primeira vez na história, começou a se esvaziar.
Infelizmente a cidade também perdeu um terço da área
verde, e muitos parques e praças deram lugar a terminais
de ônibus e outros equipamentos públicos.
Segundo os urbanistas, as capitais brasileiras estão entre
as mais caóticas do mundo. "São mares de casas",
costuma dizer o arquiteto Jorge Wilheim, secretário de Planejamento
de São Paulo. O trânsito não anda, as paredes
e os monumentos públicos são emporcalhados por pichações,
faltam áreas públicas de lazer e as pessoas vivem
amontoadas. É um desafio que parece grande demais para qualquer
administrador. Entretanto, os especialistas apontam algumas saídas.
Segundo eles, é necessário atacar em duas frentes.
Primeiro, os prefeitos precisam encarar a administração
com rigor científico. Nas capitais de países ricos,
cada nova linha de ônibus é detalhadamente examinada.
Sabe-se que a instalação de um terminal de transporte
num bairro afastado pode atrair moradores rapidamente para regiões
que não estão preparadas para recebê-los.
O segundo aspecto, na opinião dos especialistas, é
que é indispensável atacar problemas que parecem menores.
No Brasil, a maioria dos prefeitos e das Câmaras Municipais
ignora ou aparentemente não se importa com uma de suas principais
atribuições, que é dedicar-se a regular a ocupação
do espaço urbano e cuidar das cidades. Aqui, os administradores
preferem abordar grandes temas, como saúde, emprego, criminalidade
e educação. Contudo, não percebem a importância
de atuar em outras frentes, mais simples. Boa parte do programa
bem-sucedido de combate à criminalidade em Nova York estava
baseada na construção de quadras de esportes para
ocupar os jovens e na limpeza e iluminação de becos,
a fim de criar um ambiente menos favorável para os marginais.
Por outro lado, as favelas e a periferia de São Paulo, Recife,
Vitória e Rio de Janeiro se parecem com trincheiras. Em muitas
é difícil até caminhar. A recuperação
paisagística de Barcelona colocou a cidade na rota internacional
do turismo e gerou milhões de empregos. Os administradores
brasileiros estão tentando algumas soluções.
Umas parecem exóticas. O Rio de Janeiro construiu uma gigantesca
piscina artificial ao lado do mar, que está poluído.
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