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Quanto menos
mexer, melhor
Luciano Candisani

Atol
das Rocas: só cientistas têm trânsito livre |
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o Arquipélago de Abrolhos, localizado na costa baiana, e o Atol
das Rocas, que fica no litoral do Rio Grande do Norte, foram transformados
em reservas nacionais, no começo dos anos 80, o governo foi acusado
de ameaçar o sustento dos pescadores. Apelava-se para um argumento
que parecia razoável: qual o sentido de preservar os animais e deixar
o homem passando fome? Pelo menos do ponto de vista econômico, essa
discussão faz pouco sentido atualmente. Cada hectare de natureza
preservada gera até dez vezes mais receita por meio do turismo e
dos recursos biológicos do que seria possível obter com atividades
tradicionais - como pecuária e agricultura. Estudos mostram que
a indústria farmacêutica deve patentear mais de 20 000 substâncias
encontradas na Amazônia nas próximas décadas. Segundo cálculos de
cientistas brasileiros, o licenciamento de apenas 1% desses produtos
pode render mais de 2 bilhões de reais por ano ao país. É um valor
impressionante, que corresponde a toda a riqueza obtida com a extração
de ouro em Serra Pelada. As pessoas estão acostumadas a ver a riqueza
surgir a partir de grandes transformações. Nesse caso, vale o inverso.
Quanto menos se mexe com a natureza, melhor.

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