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  O empurrão que falta para o país voltar a crescer


  Os brasileiros têm mais educação, mais saúde e mais renda


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  Novas tecnologias ajudam a recuperar a natureza
  Empresários obtêm lucro sem destruir a floresta
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Lucros no paraíso

Uma decisão do governo brasileiro sobre a Amazônia está sendo muito debatida pelos ambientalistas. Coisa rara, o país é apontado como exemplo a ser seguido. Trata-se da operação de Urucu, tocada pela Petrobras. A planta petrolífera de 157 000 metros quadrados localiza-se no coração da selva, a 650 quilômetros de Manaus. Só se chega até lá de barco ou avião. Por seus dutos são extraídos 450 milhões de dólares por ano em combustíveis. Segundo ecologistas, o impacto da usina no meio ambiente é desprezível. A emissão de poluentes é mínima, e parte da área de mata derrubada foi reflorestada. No passado, a exploração de recursos naturais não parecia viável sem grandes danos à natureza. Agora, caso não ocorram acidentes, pode-se começar a ver a Amazônia como uma importante fonte de recursos. Já foram feitas várias tentativas de explorar as riquezas da região. Primeiro foi a extração de borracha, depois vieram os projetos de colonização agrícola e a grande fábrica de celulose do Projeto Jari. Todos fracassaram. Hoje se tem uma noção mais precisa do tamanho das riquezas da Amazônia e onde elas estão guardadas. Sabe-se também que a melhor forma de proteger a floresta é por meio da exploração sustentada, ou seja, sem agressões ao meio ambiente. Calcula-se que só de petróleo existam 160 bilhões de barris em reservas na Amazônia, seis vezes a produção anual do mundo. Com base nesses novos conhecimentos, catorze grandes empresas brasileiras estão desenvolvendo projetos na região.

Embora sejam muitos os avanços ecologicamente corretos na exploração comercial da floresta, é na Amazônia que o Brasil tem sofrido as maiores derrotas na campanha pela preservação ambiental. O ritmo de destruição da selva esteve praticamente inalterado nos últimos 25 anos. Ou seja, não se reduziu de forma alguma. Uma área de 17.000 quilômetros quadrados em média desaparece a cada ano. O país é o segundo mais desmatado do mundo. Perde só para a China continental, onde há apenas 25% de cobertura de floresta original. Segundo especialistas, se nada for feito, restam apenas cinqüenta anos de vida para a Amazônia. Curiosamente, as grandes madeireiras e mineradoras estão sendo contidas na região. Um estudo do governo revelou que a presença de colonos e pequenos agricultores e a extração ilegal de minérios são os novos perigos para a floresta. Pequenos produtores rurais e garimpeiros foram responsáveis por metade das árvores derrubadas na última década. A população que vive no meio da selva cresce muito mais rapidamente que a média da população brasileira. Já existem 5 milhões de moradores no coração da Floresta Amazônica, cinco vezes mais do que havia quinze anos atrás.

 
 
     
  Manoel Novaes



Planta petrolífera de Urucu: investimentos de 18 bilhões de reais para tirar petróleo da Amazônia