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Até
1000 candidatos por vaga
Cristiano Mascaro

Motoboy
de olho em um modelo de moto mais novo: a dura vida por conta
própria |
Existem
dois dados fundamentais a respeito das mudanças ocorridas no
mundo do emprego no Brasil. O primeiro é que a taxa de escolaridade
média de quem está empregado subiu muito e isso
exige dos candidatos a uma vaga que estudem mais. O outro dado igualmente
importante é que subiu também a taxa de escolaridade
dos desempregados. Sabe o que isso significa? Que estudar cinco anos
apenas, algo muito comum no Brasil, não garante emprego a ninguém.
Até
o começo dos anos 90, a escolaridade não pressionava
o mercado de trabalho da forma como faz hoje. Praticamente um terço
dos operários da construção civil e das montadoras
não tinha sequer o ensino fundamental, e isso jamais representou
impedimento algum. Quando as fronteiras se abriram para a concorrência
estrangeira, o país foi obrigado a encarar realidades como
esta: enquanto as montadoras européias precisavam de dez
operários para fazer um carro, o Brasil empregava vinte.
Na indústria de alimentos a situação era pior.
Para realizar o trabalho de um operário americano eram necessários
cinco brasileiros.
Para
sobreviver no mundo competitivo, as empresas foram forçadas
a se submeter uma reestruturação brutal. Estima-se
que 2 milhões de postos de trabalho tenham sido fechados
na última década. Só na indústria automobilística
e no setor financeiro desapareceram quase 800.000
vagas. A disputa pelo emprego com carteira assinada é feroz.
Nas grandes companhias, a concorrência por um lugar como estagiário
se mostra muito mais acirrada que no vestibular de medicina. Existem
até 1.000 candidatos por vaga
nas grandes empresas. Alguns exames de seleção têm
até cinco fases. A recompensa para quem consegue passar vem
no contracheque. Os salários para os cargos mais altos no
Brasil também estão se globalizando. Antes da abertura
do mercado, as empresas ofereciam anualmente cinqüenta postos
com remuneração de mais de 15.000
reais por mês. No últimos anos foram abertas em média
500 vagas nessa faixa salarial, e o padrão de remuneração
das matrizes estrangeiras e das filiais está se aproximando.
Some-se
às novas exigências das empresas o baixo crescimento
da economia brasileira nos últimos vinte anos e se obtém
uma química explosiva. Metade dos jovens que chegaram ao
mercado de trabalho na década de 90 não encontrou
vaga. A dura perspectiva gerou duas realidades. De um lado, o país
produziu um estoque de desempregados da ordem de 8% da força
de trabalho e uma legião de pessoas que vivem subempregadas,
como os camelôs e os vendedores de bugigangas nos semáforos.
Alguns ganham a vida de forma arriscada, como os motoboys. A outra
realidade é o surgimento, identificado pelo IBGE, de uma
população urbana que trabalha por conta própria,
sem patrão. Os dados mostram que a renda dessas pessoas já
é maior que a dos que trabalham com carteira assinada.
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