FHC é contra a reforma
12 de junho de 1996, Radar
Na semana passada, o presidente Fernando Henrique vetou a reforma de seu gabinete, projetada pelo arquiteto paulista Arthur de Mattos Casas. Alegou a necessidade de contenção nos gastos públicos. FHC se encaixou no lema do novo ministro do Planejamento, Antonio Kandir: austeridade, austeridade, austeridade.

Nado em águas quentes
6 de novembro de 1996, Radar
O presidente Fernando Henrique Cardoso está reformando sua piscina no Palácio da Alvorada. FHC mandou instalar um aquecedor. O presidente, que nada com freqüência para amenizar as dores nas costas, não é um adepto da água gelada. Com o aquecedor que pediu para instalar, nadará em águas mornas que podem chegar a até 30 graus. Haja calor.

Não verás calção nenhum
8 de janeiro de 1997, Gente
O pessoal de Fernando de Noronha ainda está embasbacado com o número de seguranças que despencou no arquipélago, juntamente com o presidente Fernando Henrique Cardoso e família - nada menos do que quarenta. O cuidado com o réveillon de FHC quase causou um incidente. A segurança quis barrar o desembarque dos cadetes de um navio-escola da Marinha sueca. Para contornar o mal-entendido, FHC e Ruth deram um tempinho nas férias para fazer uma social com o comandante Rolf Edwardson. A maior preocupação, no entanto, não era com atentados. "Na verdade, o presidente estava com medo de ser fotografado de calção", diz Marcos Aurélio da Silva, do Ibama, que serviu de guia turístico para FHC.

Intercâmbio cultural
29 de janeiro de 1997, Gente
Durante uma hora, na semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso não mencionou o tema reeleição. Foi na audiência com o ex-presidente americano Jimmy Carter (que não conseguiu a dele). Privado de seu assunto principal, FHC falou de amenidades. Enquanto Ruth Cardoso levava Rosalynn Carter para conhecer a biblioteca, ele ensinou Carter - elegante como um saco de farofa de amendoim - a dar um nó de gravata que não entorta.

A liturgia marital
12 de fevereiro de 1997, Gente
Muitos homens magoam a patroa ao deletar da memória o aniversário de casamento - mas esse não é um pecado do presidente Fernando Henrique Cardoso. Na terça-feira da semana passada, ele não deixou passar em branco os 44 anos de união com Ruth Cardoso. Cumprindo a liturgia marital, o presidente levou a mulher para um jantar a dois num restaurante de Brasília. O local escolhido, é certo, está mais para conchavos políticos do que para clima romântico, mas os dois compensaram em jovialidade. Ainda bronzeada pelo sol de Fernando de Noronha, Ruth renovou a pintura e o corte de cabelo, acentuando o estilo assimétrico adotado há três meses - o lado direito mais comprido do que o esquerdo.

Doutor FHC
5 de novembro de 1997, Radar
Esta é para deixar o ex-presidente José Sarney com inveja. Fernando Henrique vai acrescentar na viagem à Inglaterra mais dois títulos de doutor honoris causa - pelas Universidade de Cambridge e pela London School. Agora são oito em sua administração (as outras são Coimbra, Porto, Venezuela, Berlim, Lyon e Bolonha). Sarney nos cinco anos de mandato ganhou só três desses títulos.

Degringolating
26 de novembro de 1997, Radar
O verborragicamente correto Fernando Henrique Cardoso escorregou no inglês. Em entrevista ao programa Money Line da CNN sobre a situação brasileira, resolveu inovar no idioma de Shakespeare. Conjugou o inexistente verbo "degringolar". Lá pelas tantas, soltou um "degringolating", que não existe em inglês. Ninguém entendeu nada. "O que será que falou da gente?", pensaram os gringos. A CNN colocou na legenda "inaudível", para não entregar o presidente brasileiro. O que será mesmo que quis dizer FHC, um vaidoso poliglota.

Na base do vento a favor
7 de janeiro de 1998, Gente
Com o vento a favor, o presidente Fernando Henrique Cardoso deixou-se fotografar enquanto passeava de lancha na Baía de Sepetiba. Foi a chance de exibir o bronzeado que ganhou nos últimos dias de 1997, descansando numa base da Marinha, no Rio. Nem parecia o mesmo homem que, no réveillon do ano passado, desembarcou em Fernando de Noronha com quarenta seguranças, para garantir que nenhum paparazzo o flagrasse de calção.

FHC em Camp David
27 de maio de 1998, Radar
Mais uma para a imensa galeria de vaidades do presidente. O jantar de Bill Clinton com Fernando Henrique no próximo dia 7 será em Camp David. FHC será o primeiro chefe de Estado brasileiro a freqüentar a residência de campo do presidente americano.

Ao piano com FHC
27 de maio de 1998, Radar
Em Lisboa, na quinta-feira passada, o presidente Fernando Henrique revelou um novo dote. Tocou ao piano composições do russo Alexander Skryabin (1872-1915).

Marketing de botequim
8 de julho de 1998, Radar
É só comparar as duas fotos nos jornais. Fernando Henrique traçando, na semana passada, a média com pão e manteiga e aquela de três anos atrás no mesmo boteco, na periferia de Brasília. Há uma diferença. Em 1995, ele comeu pão doce, redondo, confeitado. Provavelmente, até mais caro do que o pão francês de agora. Mas o fato é que ele fez toda a coreografia marketeira de voltar ao mesmo bar, guardar o tíquete para mostrar a estabilidade de preços, mas não notou o que comeu da primeira vez e comparou produtos distintos.

Afinados até nas roupas
7 de abril de 1999, Gente
Ninguém, ou quase ninguém, imaginava que eles estivessem amuados, mas foi o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso quem celebrou as pazes entre o governo (ele) e o Comunidade Solidária (sua mulher, Ruth Cardoso), regadas a verbas sociais ressuscitadas. A posse do novo conselho do programa, em cujo comando a primeira-antropóloga permanece, serviu de cenário a seguidas manifestações de apreço conjugal. Entre "dona Ruth", "doutora Ruth" e simplesmente 'Ruth", o presidente citou oito vezes o nome dela. Ele ainda enalteceu o trabalho da mulher, elogiou seus "fundamentos teóricos" e chamou a atenção até para o fato de usarem roupas da mesma cor, brancas como a paz, "sem termos combinado". Culminou pousando-lhe um beijo no rosto enrubescido com tantos elogios.

Bons fluidos
11 de agosto de 1999, Radar
O presidente Fernando Henrique resolveu mudar o visual de sua sala no Palácio do Planalto. Além disso, colocou sobre a mesa de trabalho um cristal roxo. Dizem que o cristal funciona como uma espécie de pára-raios. Protege o dono da casa e devolve a energia negativa. Que os astros o ouçam!

Desta, FHC escapou
8 de março de 2000, Gente
Ao receber em Brasília alguns protagonistas do cinema nacional, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma revelação e tanto. Nos anos 60, o cineasta baiano Glauber Rocha, morto em 1981, o teria convidado para atuar em um de seus filmes delirantes. "Acho que era Terra em Transe', disse. A mãe do cineasta, Lucia Rocha, corrige o presidente. Segundo ela, Glauber planejava filmar uma versão alternativa da Odisséia, o clássico do escritor grego Homero, no qual Fernando Henrique faria o papel de Ulisses, o herói da história. O projeto não vingou e o presidente, afinal, foi poupado dessa passagem em seu currículo.

Fala FHC...
29 de março de 2000, Radar
Num de seus mais recentes discursos, o presidente Fernando Henrique Cardoso falou sobre violência e uso de drogas a uma platéia de estudantes e professores. A contagem de algumas palavras-chave empregadas por FHC mostra sua preferência pela análise sobre a ação. Ele citou seis vezes a palavra PREOCUPAÇÃO, normalmente usada por analistas. PROGRESSO, de uso corrente entre governantes, foi pronunciada só duas vezes. Falou mais em PROBLEMA (quatro vezes) que em SOLUÇÃO (nenhuma vez).

Era melhor antes
31 de maio de 2000, Radar
O Vox Populi fechou na sexta-feira passada uma pesquisa que dá bem a medida de quanto FHC andou se desgastando. A pergunta era: "Você prefere o Fernando Henrique do primeiro mandato ou o do segundo?" Apenas 7% dos entrevistados gostam mais do presidente agora, contra os 54% que escolheram os quatro primeiros anos da era tucana. Um terço respondeu "nenhum dos dois mandatos".

Tudo zen: velas, incenso, shiatsu
1 de novembro de 2000, Gente
Depois de tentar fisioterapia, natação e homeopatia, e continuar com dores na coluna, o presidente Fernando Henrique Cardoso apela agora para a massagem zen. Há três meses, contratou a massagista Daniela do Amaral, 32 anos, especialista em técnicas orientais, como shiatsu e reiki. Quando vai ao Palácio da Alvorada, Daniela leva um arsenal relaxante. "Espalho velas, incenso e ponho uma música bem suave", descreve. Para reforçar, Daniela aplica a massagem no presidente com óleos de aromaterapia. 'Ele é muito estressado", conta.

Na hora certa
16 de agosto de 2000, Radar
Até o fim do mês, FHC baixa um detalhado código de conduta que valerá para a elite dos servidores públicos. Trata de lobby (mas não de "lobby ao contrário") e regula a relação do funcionário com o governo depois que ele vai para a iniciativa privada. Cria também uma quarentena (remunerada) de quatro meses para os que saem. Pode parecer, mas não é um decreto feito às pressas por causa do caso Eduardo Jorge.

Nas asas de FHC
17 de janeiro de 2001, Radar
Fernando Henrique Cardoso é de longe o presidente brasileiro que mais viajou para o exterior. Nesta semana, ele embarca mais uma vez. Vai visitar cinco países, entre eles o Timor Leste. Até agora, FHC fez uma viagem a cada 24 dias de mandato. Foi onze vezes à Argentina e seis cada a Uruguai, Paraguai e Portugal.

Males que vêm para bem
14 de março de 2001, Radar
Um dos magos das pesquisas de opinião no país acha que toda essa algazarra política, com denúncias de corrupção espoucando de vários lados, não terá capacidade para afetar a imagem do governo FHC. O motivo não é exatamente lisonjeiro: seis anos de acusações desse tipo criaram na população uma sensação de que essas coisas, de alguma maneira, fazem parte do governo. Para o bem ou para o mal, criou-se uma blindagem.

A "cara" do governo FHC
9 de maio de 2001, Radar
Para o bem ou para o mal, os eleitores já identificaram quem é a "cara" do governo FHC. O Vox Populi acaba de concluir uma pesquisa nacional, na qual incluiu a seguinte pergunta: 'Qual desses ministros está mais identificado com FHC e com seu governo?' Deu José Serra na cabeça, com 24% do total. Colado no ministro da Saúde ficou Pedro Malan, com 20%. Muito, muito atrás apareceram Pimenta da Veiga (5%) e Paulo Renato Souza (3%).

O campeonato das medidas provisórias
26 de junho de 2002, Radar
Ao permanecer oito anos no cargo, Fernando Henrique Cardoso tornou-se o presidente que mais aprovou medidas provisórias no Congresso (228 contra 96 de José Sarney). Isso em números absolutos. Mas no critério proporcional, que leva em conta o tamanho do mandato, a liderança pertence a Itamar Franco (9 a cada 100 dias de mandato, contra 8 de FHC).

FHC cuida de seu futuro
6 de novembro de 2002, Radar
A ONG que o presidente Fernando Henrique Cardoso comandará depois que deixar o governo está sendo instalada numa área de 1.600 metros quadrados no centro de São Paulo, no quase centenário prédio do Automóvel Clube. Nesta segunda-feira, FHC recebe no Palácio da Alvorada alguns empresários que vão compor o conselho da instituição. E que, é claro, vão colaborar financeiramente para que a ONG vire realidade - entre eles, Benjamin Steinbruch e Pedro Piva. Quem está organizando o jantar é Jovelino Mineiro, velho amigo e ex-sócio de FHC.

Do Planalto Central para a Avenue Foch
27 de novembro de 2002, Radar
Em sua temporada parisiense, prevista para três meses, a partir de janeiro, FHC ficará hospedado no apartamento de Jovelino Mineiro, seu ex-sócio e velho amigo. O imóvel fica na Avenue Foch, uma das mais elegantes da capital francesa. É um apartamento sem garagem, medindo uns 80 metros quadrados - menor do que o quarto em que ele dormiu nos últimos oito anos no Palácio da Alvorada.