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Tecnologia O ESPIÃO DA FLORESTAO governo
melhora o discurso, mas só tem Leonel Rocha
É praticamente nulo o esforço do governo federal para evitar o desmatamento da Amazônia na escala em que ele se vem produzindo. Não há fiscais suficientes para área tão vasta, os investimentos públicos na preservação são pífios e a legislação de combate aos crimes ecológicos está recheada de brechas. Além dessas dificuldades, constata-se, no próprio governo, a falta do mesmo empenho e energia que despende em outros assuntos. O Conselho Nacional da Amazônia, presidido por Fernando Henrique Cardoso e composto por quase todos os ministérios, apenas se reuniu duas vezes em dois anos, ainda assim sem tomar nenhuma decisão relevante. Em agosto, o Senado patrocinou em Manaus um seminário sobre a Amazônia e nenhum dos quatro ministros convidados apareceu. "Não conheço nenhum projeto do Executivo para a região", diz o senador Nabor Júnior (PMDB-AC), presidente da comissão da Amazônia no Senado. No que se refere à Amazônia, a impressão que fica é de que em Brasília sobra discurso e falta ação. Por mais contraditório que isso pareça, já é um avanço. No passado, a Amazônia foi prejudicada pelo oposto: planos mirabolantes baseados em concepções equivocadas que acabaram em desastre. No governo atual, pelo menos o discurso é correto. A nova palavra de ordem oficial é o desenvolvimento sustentado: gerar riquezas sem destruir o meio ambiente. Em síntese, o governo federal quer substituir grandes empreendimentos falidos, como Jari, Fordlândia, exportação de madeira, garimpo e pecuária extensiva, por biotecnologia e ecoturismo. Até 2013 estarão extintos todos os incentivos fiscais para empresários que se instalem na região. "Não há mais espaço para implantação de grandes projetos salvadores para a Amazônia", diz o ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause. A exceção desse cenário de boa teoria mas pouca prática é o Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam. Iniciado no governo de Fernando Collor, o Sivam é uma sofisticada rede de radares, satélites e sensores que irá concentrar milhares de informações sobre a região. É um projeto caro. Seu custo, de 1,4 bilhão de dólares, supera o faturamento anual de grandes empresas como a Parmalat ou a Philip Morris no Brasil. Quando entrar em funcionamento, dentro de cinco anos, o sistema de vinte radares interligados será capaz de formar um banco de dados único sobre a Amazônia. Em tempo real, o governo e instituições autorizadas terão acesso a informações sobre desmatamento e queimadas na floresta, tráfego aéreo, novas fronteiras agropecuárias, formação de nuvens, acidentes geográficos e até localização de tribos indígenas que ainda não foram contatadas. Mais de 1.600 instituições já se inscreveram para receber informações do novo sistema. O Sivam pode
resolver um dos problemas crônicos em relação à
Amazônia, que é saber o que ocorre por lá. Hoje, o
nível de conhecimento sobre a região é ginasial diante
de sua grandiosidade. A Polícia Federal, por exemplo,
tem informações seguras sobre esconderijos de
traficantes colombianos em algum ponto da selva
brasileira, mas não consegue rastreá-los. Os cinco
radares que operam hoje na Amazônia Apesar de sua importância, o Sivam está atrasado dois anos. A empresa escolhida para fazer o primeiro pré-projeto, a Engenharia de Sistemas e Controle e Automação, Esca, faliu. A substituta, a americana Raytheon, acabou envolvida em suspeitas de favorecimento que levaram um ministro a pedir demissão e resultaram ainda no afastamento de dois assessores do governo. O Palácio do Planalto teve de se esforçar para derrotar a oposição no Congresso e manter o projeto. Vencidas as suspeitas e resistências, o projeto anda. "Quando o sistema estiver instalado, a Amazônia será mais bem vigiada que o resto do Brasil", garante o coronel Antônio Faria, chefe da comissão criada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos para instalar o Sivam.
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