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Carta ao Leitor
Com a palavra, o homem
da Amazônia
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| Repórteres em campo
De cima para baixo: Laura Ming e Manoel
Marques em Querência (MT), José
Edward
no Porto de Manaus, Pedro Martinelli e
Ronaldo Soares na Ilha de Marajó,
Leo Caldas
e Thomaz Favaro na Transamazônica |
Empenhado em interpretar o caráter singular da Região
Norte, o grande Euclides da Cunha expressou seu assombro no livro Um Paraíso
Perdido: "A Amazônia é a última página,
ainda a escrever-se, do Gênesis". Passou-se um século
e ainda não se sabe como essa página será preenchida. Há
consenso entre os brasileiros de que a preservação da Floresta
Amazônica é vital para o Brasil e para o planeta e de que ainda
dá tempo de salvá-la. Fora isso, governo, ambientalistas, madeireiros,
pecuaristas têm propostas conflitantes e vivem aos gritos uns com os outros.
Estranhamente, o único elemento mantido à margem dessa equação
é o protagonista da saga amazônica: o homem que vive na região.
A ausência prejudica o debate, pois o destino da Amazônia depende
de seus 25 milhões de habitantes, e não de papelórios feitos
em Brasília ou da boa vontade das ONGs.
Para produzir esta edição especial, VEJA enviou
seis equipes de repórteres e fotógrafos para percorrer a Amazônia,
ouvir e entender seus habitantes. Durante três meses, eles passaram por
seis estados, estiveram em 52 cidades, rodaram 11 000 quilômetros de estradas
(o suficiente para fazer três vezes o percurso entre o Oiapoque e o Chuí),
voaram 47 351 quilômetros (seria possível dar a volta ao
mundo) e navegaram mais de 500 quilômetros pelos rios da região.
Os repórteres conversaram com centenas de pessoas que compõem
esse novo tipo de brasileiro o homem da Amazônia. Esta edição
mostra que é preciso dar a ele condições de vida dignas
e uma economia que não dependa do desmatamento. Só assim ele preservará
a floresta, em vez de destruí-la, porque terá orgulho de sua riqueza
natural única no mundo.
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