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A etiqueta é made in Brasil Empresas que conseguem exportar
Em 2001, a São Paulo Alpargatas começou a arquitetar uma estratégia para vender seu principal produto, as sandálias Havaianas, no mercado internacional. O sucesso foi tão grande que, no ano passado, a empresa enviou 6 milhões de pares para lojas no exterior. O simplório chinelinho de borracha, que começou a ser fabricado em 1962, transformou-se em objeto do desejo de consumidores espalhados por 65 países. Na Celux, sofisticada loja de Tóquio, chega a ser vendido por 250 dólares, adornado com cristais Swarovski nas tirinhas. Na Austrália, oito em cada dez chinelos de dedo vendidos levam a marca Havaianas. Sinônimo de calor e praia, as sandálias brasileiras caíram no gosto popular até em países gélidos, como a Finlândia e o Canadá, onde são usadas com meias. A grande aceitação
internacional das Havaianas assegurou à Alpargatas um lugar no
seleto clube das empresas que vendem seus produtos lá fora ostentando
a própria marca. Ao contrário de grande parte das companhias
exportadoras, essas não vendem apenas matérias-primas, componentes
que serão incluídos em outros produtos ou artigos que receberão
o logotipo de outras grifes. E ganham muito mais com isso.
Uma saca de café in natura
de 60 quilos é vendida no exterior por 50 dólares, em média.
A mesma quantidade do produto torrado, moído, embalado e
com marca custa cinqüenta vezes mais. A Alemanha, que não
planta um único pé de café, é uma das maiores
produtoras mundiais de café moído. As empresas alemãs
compram o grão bruto de países como o Brasil, industrializam
e revendem para outras praças com o selo "Made in Germany", obtendo
altos lucros. No jargão econômico, esse processo é
conhecido como agregação de valor ao produto. "Quem é
dono da marca é dono do mercado", resume o economista Roberto Giannetti
da Fonseca, presidente da Fundação Centro de Estudos do
Comércio Exterior.
A trajetória da grife paulista Rosa Chá
fora do país é uma demonstração de que o espírito
obreiro também pode render dividendos. A marca sempre fascinou
os estrangeiros, mas a distribuição dos produtos no mercado
externo parecia um obstáculo intransponível. Obstinado,
o estilista Amir Slama, dono da grife, colocou várias peças
na mala e bateu na porta de revistas especializadas da Europa e dos Estados
Unidos. Arrancou alguns editoriais de moda e, com isso, conseguiu construir
uma ponte com vitrines famosas, como a Barneys, de Nova York. Biquínis
e maiôs da Rosa Chá cobrem com freqüência, mesmo
que parcialmente, famosas modelos em desfiles internacionais. Uma cota
de 20% da produção anual de 437 000 peças tem como
destino o mercado externo. Um biquíni vendido por 25 dólares
no Brasil sai por até 80 dólares lá fora.
Para se dar bem no exterior é preciso ainda
bajular o consumidor. A gaúcha Grendene, líder nacional
no segmento de calçados de plástico, tem produtos exclusivos
com tamanhos, desenhos e tecnologia mais avançada para alguns mercados
mais exigentes. A Hering, por sua vez, produz um conjunto específico
de artigos para satisfazer o gosto da população dos diversos
países onde atua. Criou, por exemplo, modelos de camisetas de manga
comprida, do tipo pólo, exclusivos para clientes argentinas e saias
de malha com camiseta verde-garrafa para as uruguaias. A afinação
com a clientela também é perseguida pela Sadia e pela Perdigão,
marcas que atuam em mais de noventa mercados no exterior. Para cativar
clientes no Oriente Médio, as duas empresas construíram
linhas de produção de frango voltadas para a cidade sagrada
de Meca, o centro de peregrinação muçulmana na Arábia
Saudita, com normas que respeitam as convicções religiosas
dos consumidores islâmicos.
Atrair a freguesia externa é quase sempre uma tarefa complicada. Para tornar viável o negócio na Bolívia, os donos da perfumaria O Boticário tiveram de recorrer a promotoras externas, uma vez que os consumidores locais estavam acostumados a comprar em feiras. Em Portugal, a rede que tem 580 pontos-de-venda espalhados no exterior precisou recomprar a marca, registrada por terceiros. A empresa gaúcha Tramontina, produtora de ferramentas e utensílios de cozinha, levou cinco anos até se aprumar nos Estados Unidos. No início, os produtos eram enviados para as lojas americanas em caixas escritas em português. E, claro, encalhavam. Hoje, a companhia, com unidades de distribuição em seis países, detém cerca de 3% do mercado americano de panelas. Nada mau para um ramo que movimenta 2 bilhões de dólares por ano. | ||||||||||||||
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