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Artes
e espetáculos
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Paul McCartney
era roqueiro, Marilyn Monroe, atriz e Andy Warhol, artista plástico.
Antes de Madonna, cada ícone pop tinha uma especialidade. Com sua
"Blond Ambition" (Ambição Loura, título de um de
seus shows), a cantora entrou em cena nos anos 80 querendo ser tudo-ao-mesmo-tempo-agora.
Essa estratégia fez de sua carreira um sucesso fulgurante. Quando
uma de suas facetas estava em baixa, a outra a mantinha à tona.
Madonna deu esta entrevista a VEJA em 1992, fase em que seus discos vendiam
relativamente pouco. A cantora, no entanto, causava polêmica como
nunca. Acabara de chocar o mundo com o CD Erotica, o livro Sex
e o documentário Na Cama com Madonna. Na época, falava-se
que a cantora estava apelando para o erotismo para driblar a decadência.
Engano. No ano seguinte ela viria pela primeira vez ao Brasil com o espetáculo
The Girlie Show. Ao contrário de outros ídolos mundiais
que iniciam seu lento caminho ao ostracismo em turnês pelo Terceiro
Mundo, Madonna percorreria uma curva ascendente. Essa maré positiva
culminou com sua volta ao topo das paradas em 1998, com o CD Ray of
Light. De bem com a vida após o nascimento dos dois filhos,
Madonna chegou ao século XXI mais ícone do que nunca.
Divulgação
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"A
América é uma coisa muito jovem e burra para chegar
a ser engraçada. As pessoas pensam muito pouco em viver a vida.
Como é que você consegue desenvolver senso de humor vivendo
assim?"
Madonna |
VEJA Você põe medo nas pessoas. Seu comportamento,
sua nudez, sua sexualidade e até mesmo suas roupas amedrontam.
Por quê?
MADONNA Não sei nem sou eu quem tem de saber. Eu
faço minhas coisas a sério. Não sou eu quem tem de
explicar a reação dos outros. As coisas que eu faço
não são estranhas, e eu sempre fui como sou. Nunca pedi
desculpas nem vou começar a pedir. Pelo contrário, não
vou parar minha luta.
VEJA
E qual é sua luta?
MADONNA Contra o racismo, o sexismo, a perseguição
a homossexuais, o preconceito e a ignorância.
VEJA
Você diz que todas as revistas do mundo já publicaram
mentiras a seu respeito. Dá para tirarmos algumas dúvidas?
MADONNA Quais?
VEJA
Você sai de limusine pela noite pegando garotos no sul de Manhattan.
MADONNA Mentira.
VEJA
Você já passou uma noite com Michael Jackson, os dois
nus comendo pipoca e vendo vídeos à luz de velas.
MADONNA Mentira.
VEJA
Você já foi sem calcinha a um desfile de
modas de Jean-Paul Gaultier e sentou-se na primeira fila, com a saia levantada.
MADONNA Mentira.
VEJA
Você é lésbica.
MADONNA Mentira.
VEJA
Você gosta de apanhar e de levar tapas.
MADONNA Verdade.
VEJA
Que sensações as palmadas lhe dão?
MADONNA Não é da sua conta.
VEJA
Você diz que a sociedade americana perdeu o senso de humor. Quando
foi que isso aconteceu?
MADONNA Quando os puritanos desembarcaram do Mayflower,
no século XVII. Essa sociedade nunca teve senso de humor e não
o tem hoje porque não tem história. A América é
uma coisa muito jovem e burra para chegar a ser engraçada. As pessoas
pensam muito pouco em viver a vida. Passam muito tempo correndo atrás
de falsas questões. Como é que você consegue desenvolver
senso de humor vivendo assim?
VEJA
A sociedade italiana é muito mais velha e lá
você foi mais perseguida que aqui.
MADONNA Em primeiro lugar, na Itália há o
Vaticano e as pressões da Igreja Católica. Não se
engane: os italianos gostam muito mais da vida.
VEJA
Você gostaria de fazer o papel de Evita Perón. Não
a constrange o fato...
MADONNA De Perón ter sido um fascista?
VEJA
Ele um fascista e ladrão, ela uma demagoga.
MADONNA De maneira nenhuma. Ela é uma figura muito
importante. Quando um personagem tem um lado ruim, isso não significa
que deixe de ser fascinante. Evita Perón é uma personagem
fantástica. Muitas pessoas têm os seus defeitos e apesar
disso não chegam a ser sequer interessantes.
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"O sonho
acabou", disse John Lennon em 1970, depois do fim dos Beatles. Para o
principal parceiro de Lennon, Paul McCartney, o sonho continua até
hoje. Dono da carreira-solo mais bem-sucedida entre os ex-beatles, Paul
atravessou gerações da música pop. Assistiu à
explosão do rock progressivo, do punk e da new wave e chegou intacto
e competitivo à era dos mega-shows no fim dos anos
80. Em 1990, Paul McCartney bateu o recorde de público em espetáculos
musicais solo. Levou 184 000 pessoas ao estádio do Maracanã,
uma marca que resiste até hoje. O ex-beatle sobreviveu a Lennon
(assassinado em 1980 em Nova York), George Harrison (vitimado por um câncer
em 2001) e Ringo Starr (que, apesar de tecnicamente vivo, está
artisticamente morto). Na canção When I'm Sixty-Four,
gravada pelos Beatles no antológico álbum Sgt. Pepper's,
Paul McCartney canta: "Quando eu tiver 64 anos, você ainda precisará
de mim?". Paul McCartney, aos 61 anos, está na ativa e é
criativo e não é exagero dizer que a cultura pop
ainda precisa dele.
VEJA Você
acha que os jovens dos anos 80 são mais conservadores que os dos
anos 60?
McCARTNEY Não são mais conservadores, mas
mais conscientes e, de certa forma, mais bem preparados. Na minha época,
não se falava em sexo em casa. A gente descobria tudo sozinho.
Havia muitos tabus, muita repressão. É natural, então,
que a juventude dos anos 60 quisesse se liberar das convenções
e romper todas as amarras. Hoje isso não é mais necessário,
essas questões já foram discutidas e esclarecidas. Não
existe mais a necessidade de revolucionar os costumes de uma forma drástica,
como foi feito naquela época. Mas isso não significa conservadorismo.
Essa nova mentalidade, mais aberta, mais condescendente, esse amadurecimento
é o grande legado da revolução que nós lideramos.
VEJA
Alguns conservadores apontam a Aids como a principal conseqüência
dessa revolução. Você concorda com isso?
McCARTNEY A Aids é um mal que não saiu da
cabeça de ninguém. Ela existe como uma nova peste, e eu
não acho que se possa culpar alguém por isso. Nós
temos é de aprender a conviver com essa ameaça e fazer o
possível para reduzi-la ao máximo. Mas naturalmente ela
contribui para uma nova postura em relação ao sexo. É
preciso ser muito mais cauteloso hoje em dia, e isso certamente reduz
a liberdade sexual.
VEJA
Você já foi preso por porte de maconha. Como vê
as drogas hoje em dia?
McCARTNEY Eu não sou um pregador da maconha, mas
acho que existem muitas outras drogas mais nocivas que ela. Heroína
mata, crack mata, cocaína mata, remédios matam. É
assim que eu vejo as drogas.
VEJA
Você não toma mais drogas?
McCARTNEY Olhe, eu não diria numa entrevista que
tomo drogas. A privacidade nesse caso é fundamental.
VEJA
Você acha que os artistas têm um papel
a cumprir no sentido de conscientizar as pessoas no combate
às drogas e à Aids?
McCARTNEY Todo artista tem um papel a cumprir, seja no
sentido de combater aquilo que critica, seja no de despertar a consciência
das pessoas. Se eles puderem usar essa influência para divulgar
boas causas, tanto melhor, mas não se pode atribuir-lhes o papel
de gurus.
VEJA
O que os Beatles tinham que Madonna e Michael Jackson não
têm?
McCARTNEY Falta-lhes profundidade. Falta-lhes qualidade
musical. Parece pretensioso, mas é certo que as músicas
de Lennon e McCartney eram muito melhores do ponto de vista musical. Até
hoje são modernas, intrigantes, ousadas. Michael Jackson, por exemplo,
é um bom cantor, mas é sobretudo um showman. É um
grande bailarino, mas não toca nenhum instrumento. A diferença
entre os Beatles e a maior parte dos novos ídolos do rock começa
com a formação musical e a habilidade de extrair músicas
dos instrumentos. Eu compus com Michael Jackson e compus com John Lennon
e posso dizer que John Lennon era realmente um gênio musical. Ele
podia não cantar como Michael Jackson e certamente não dançava
como ele a menos que estivesse bêbado, mas isso era uma outra
história , mas era um homem muito profundo e um músico
excepcionalmente habilidoso.
| It,s
only rock,n,roll |
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O líder
dos Rolling Stones, Mick Jagger, estava na estrada havia cinco anos
quando VEJA foi criada. Em 1968, ele:
tinha
25 anos;
namorava a roqueira Marianne Faithfull. Tinha vários
romances paralelos, mas nenhum filho;
no ano anterior, 1967, fora condenado a três meses
de prisão por porte de drogas, mas não chegou a cumprir
pena;
possuía um apartamento em Londres e uma casa de campo
numa região afastada da cidade;
havia lançado com os Rolling Stones onze discos;
comandava os shows da banda, que duravam de 45 minutos a
uma hora;
usava ternos justos de veludo e camisas coloridas.
AFP
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VEJA faz 35 anos e Jagger quarenta de carreira. Em 2003, ele:
tem
60 anos;
está solteiro, depois de dois casamentos (com Bianca
Perez e Jerry Hall). Tem sete filhos, dois deles fora dos casamentos,
e dois netos;
em 2002, recebeu o título de Cavaleiro do Império
Britânico;
tem um patrimônio avaliado em cerca de 250 milhões
de dólares;
gravou com a banda até hoje 32 álbuns;
faz mega-shows que duram duas horas;
apresenta-se com camisetas e calças pretas de tecido
maleável;
é o líder da banda de rock que mais ganha dinheiro
na atualidade.
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| ...veja
o filme, alugue o DVD... |
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Desde
que o rock é rock, os roqueiros não vendem apenas
discos. Eles comercializam sobretudo uma imagem relacionada
a rebeldia, inconformismo ou sensualidade, dependendo do caso. Nos
tempos de Elvis Presley e, mais tarde, dos Beatles, essa imagem
era veiculada no cinema. Com o passar do tempo, ganhou novos canais
de exibição videoclipes, shows cada vez mais
megalomaníacos, DVDs, publicidade, jogos de computador, sites
na internet e clipes digitais. A banda mais bem-sucedida da atualidade
sim, ela mesma, os velhos e bons Rolling Stones faturou
mais de 1 bilhão de dólares desde 1989. A riqueza
de gravadoras e roqueiros está agora vivendo uma ameaça,
a pirataria digital pela troca de arquivos MP3 na internet. A guerra
contra a pirataria digital une as gravadoras, os Stones e Madonna
na mesma trincheira. A Organização Mundial das Aduanas
calcula que o comércio total de falsificações
chegue a 450 bilhões de dólares por ano, o equivalente
ao PIB do Brasil.
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