AMARELAS
Thomas Jefferson
FAMÍLIA REAL
O Brasil aonde
a corte chegou
Foi um caos
deixar Portugal
Sede e sofrimento
na fuga pelo mar
O Rio de Janeiro
recebe os reais
Dom João, o príncipe cheio de problemas
Carlota Joaquina:
ela quer o poder
IMPÉRIO
Napoleão domina
a Europa
A invasão da Espanha
já começou
Os Bonaparte: caso
de família
Império Otomano:
os radicais no poder
Moda
A imperatriz
do bom gosto
Quem é quem em 1808
Perfil
Sociedade
Faltam maridos
na Inglaterra
Cidades
As grandes obras
de Paris
Tecnologia
Gastronomia
As delícias do
chef Carême
  O FIM DA HISTÓRIA
  O que aconteceu com os principais personagens
mencionados nesta edição

   
 

Sociedade
Procura-se marido

A realidade das inglesas sem posses e sem
homens que as sustentem (ou foram para a
guerra, ou foram embora) está virando ficção

Stan Honda/AFP
Retrato de Jane Austen quando jovem: livros sobre os dramas de mulheres que, como ela, não conseguem encontrar bons – nem maus – partidos

Ao contrário do Brasil, onde historicamente faltam mulheres, a Inglaterra vive um problema social apenas sussurrado, mas muito sentido: não há homens suficientes para moças de classe média ou alta em idade de se casar. Os motivos desse dilema social são a mortalidade de homens jovens nas guerras européias, a emigração e a rígida aplicação do direito de primogenitura. Por causa dele, os filhos mais velhos do sexo masculino herdam o grosso dos bens de família e, quando os há, os títulos de nobreza. Sobram assim mulheres bem-nascidas mas mal-herdadas, que têm dificuldade em encontrar par numa sociedade em que o espírito empreendedor e científico convive com regras bastante rígidas. Um retrato desses dramas aparece em detalhes especialmente saborosos em dois livros ainda inéditos escritos por uma autora chamada Jane Austen. A própria escritora é a típica, com todo o respeito, solteirona inglesa. Está com 32 anos e mora na casa de um irmão.

Quem já leu os originais de Elinor e Marianne (viúva perde tudo com a morte do marido, pois a herança cabe ao filho de um casamento anterior dele, e é obrigada a se mudar com as três filhas para o interior) e de Primeiras Impressões (mãe de cinco filhas solteiras e sem dote tenta desesperadamente casá-las com bons partidos), ambos títulos ainda provisórios, surpreendeu-se com o texto bem elaborado e com sua focada conexão com a atualidade. Os enredos retratam os costumes, as relações sociais e a busca quase desesperada de tantas jovens inglesas pelo altar. Apesar do bom nível de instrução e do projeto de ganhar a vida escrevendo livros, Jane Austen não compartilha idéias avançadas como as de outra escritora inglesa, Mary Wollstonecraft. Em A Reivindicação dos Direitos da Mulher, a falecida autora (morreu de complicações do parto da segunda filha, também chamada Mary) defendia a educação como instrumento para a maior participação política, econômica e social das mulheres. Em comum entre ambas existe a idéia de que o casamento deve ser por amor, não por interesse. Para Jane Austen, isso tudo só acontece na imaginação. Sua última chance de se casar foi há seis anos, quando aceitou o pedido de casamento de um amigo da família, Harris Bigg-Wither, mas depois se arrependeu e desfez o compromisso. Hoje, para se casar com um homem como Mr. Darcy, o personagem alto, moreno, misterioso e rico de Primeiras Impressões, só mesmo na ficção. Para que o livro seja um sucesso, a escritora só precisa concordar em trocar o título banal. Até agora, a melhor proposta é Orgulho e Preconceito.