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Dom João, o príncipe cheio de problemas
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  O FIM DA HISTÓRIA
  O que aconteceu com os principais personagens
mencionados nesta edição

   
 

Perfil
Álcool, ócio e sexo

Por incrível que pareça, o escandaloso lorde
Byron ainda pode vir a ser poeta aclamado

Hulton Archive/Getty Images
Autor em formação: aos 20 anos, livro publicado, talento reconhecido e sociedade chocada

Poucos livros de poetas iniciantes sofreram uma crítica tão arrasadora quanto a que Horas de Ócio, de George Gordon Byron, recebeu no último número da Edinburgh Review, a temida e influente revista literária escocesa. Sem deixar verso sobre verso, a resenha aconselha ironicamente o jovem autor "a doravante abandonar a poesia e dirigir seus talentos, que são consideráveis, e suas oportunidades, que são muitas, a melhores fins". Considerando-se o perfil desse escritor, que tinha 19 anos quando publicou o livro, no ano passado, é possível prever duas coisas: primeira, ele vai se vingar dos críticos; segunda, continuará a "dirigir seus talentos" tanto para a literatura quanto para a vida aventureira. A poesia de teor romântico, o ócio permitido pelo dinheiro e o título herdado de um tio-avô – para os não íntimos, ele é lorde Byron, barão de Rochdale –, o sexo e a bebida, ambos em doses não recomendadas pelo bom senso, movem o aspirante a escritor. Ser bonito, rico e sedutor evidentemente não atrapalha em nada.

No dia em que leu a crítica demolidora, Byron tomou sozinho três garrafas de Bordeaux – ou clarete, como dizem os ingleses – no jantar e, assim fortificado, começou a preparar uma resposta, em versos. O poeta em formação gosta de chocar a sociedade e provoca escândalo até entre uma aristocracia que já viu de tudo. Em matéria de atividades amorosas, não faz distinção de classe, de sexo e, dizem os intrigantes, de linhas de parentesco. Indisciplinado e gastador, acumula dívidas da impressionante ordem de 1 000 libras em Cambridge, onde cursa o tradicional Trinity College. Previsivelmente, é muito popular entre os colegas de farra e malvisto pela conservadora comunidade local. Se Cambridge o censura, Byron também não faz bom conceito da universidade. "Este lugar é o demo, ou uma de suas principais residências", proclama. Apesar da blague, foi em Cambridge que começou a organizar as idéias literárias e a pensar em publicá-las. Alguns dos primeiros versos escandalosos podem ser atribuídos à juventude. Embora enfrente tropeços, Horas de Ócio revela um talento nato que pode evoluir para uma obra de grande apelo, de público e, sim, de crítica. O maior risco é que seja eclipsada pelo carismático e corrosivo caráter do autor.