Toronto: Mulheres filmam histórias africanas com apelo universal

‘A United Kingdom’, de Amma Asante, e ‘Rainha de Katwe’, de Mira Nair, fazem filmes acessíveis com elencos majoritariamente negros

As duas principais discussões hoje em Hollywood envolvem a inclusão de mais mulheres e mais negros (e latinos e asiáticos) na frente e atrás das câmeras. A United Kingdom (“um reino unido”, na tradução livre), de Amma Asante, e Rainha de Katwe, de Mira Nair, juntam as duas narrativas. Ambos são dirigidos por mulheres, baseados em histórias reais na África e com elencos predominantemente negros – os dois com presença do inglês David Oyelowo, injustamente esnobado no Oscar do ano passado por sua interpretação de Martin Luther King Jr. em Selma: Uma Luta pela Igualdade.

No primeiro, Oyelowo interpreta Seretse Khama, príncipe do protetorado britânico de Bechuanalândia (hoje Botsuana), que, no pós-Segunda Guerra Mundial, estudando em Londres, conhece a inglesa Ruth Williams (Rosamunde Pike), por quem se apaixona. Um romance inter-racial seria o suficiente para provocar um belo escândalo na época, mas uma série de complicações políticas também ameaça o casal. O Reino Unido, com medo de irritar a vizinha África do Sul, que tinha acabado de instaurar o apartheid, e perder o acesso à exploração de minerais, transformou a vida dos dois num inferno, obrigando Khama a ir para Londres para uma negociação que o tornou refém, enquanto Ruth ficou na África.

Em Bechuanalândia, eles também enfrentam problemas quando o tio de Khama se opõe a uma rainha branca. É um típico drama de época inglês, mas com seu toque de subversão por incluir não apenas classes diferentes, mas outra raça na formação do Reino Unido e discutir abertamente o colonialismo. Oyelowo, novamente, trabalha nas pequenas nuances, interpretando Khama com um misto de dignidade, calor humano e humor.

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Mesmo que sua ação se passe majoritariamente na África, A United Kingdom é um filme na fronteira de dois mundos. Rainha de Katwe, por sua vez, é uma produção mergulhada no continente africano, mais precisamente em Uganda, onde a diretora, a indiana Mira Nair, mora há muitos anos. Oyelowo agora empresta sua sutileza a Robert Katende, um missionário e técnico de futebol que abre uma escolinha de xadrez na igreja na comunidade de Katwe. Mas a personagem principal do filme é Phiona Mutesi (vivida pela estreante Madina Nalwanga), uma menina de família extremamente pobre que se revela um prodígio no xadrez e vira campeã, vencendo preconceitos.

Em bela interpretação, Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar por 12 Anos de Escravidão, faz a mãe de Phiona, leoa, com medo de deixar sua filha sonhar, mas sempre amorosa. Nair não esconde a pobreza e as dificuldades dos moradores de favelas como Katwe – não muito diferentes das brasileiras –, mas quer mostrar mesmo o lado bom, a solidariedade, a alegria, a superação. Como A United Kingdom, também não propõe grandes voos estéticos ou narrativos, mas é daqueles filmes que, sendo acessíveis, têm a chance de expor algo pouco visto no cinema.

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