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Sem fantasias, integrantes da Vila Isabel desfilam de cueca

Atual campeã do Carnaval carioca foi à Sapucaí recheada de problemas. Pelo menos 10 alas tiveram fantasias entregues com atraso - ou que nunca chegaram

A Vila Isabel, primeiro lugar do Carnaval carioca ano passado, vai estar no lucro se voltar no próximo sábado para o desfile das campeãs. A escola deixou para trás a arrebatadora apresentação de 2013 por um desfile recheado de problemas na madrugada desta terça-feira, a começar pelo atraso nas fantasias de pelo menos dez alas. Muitas não foram entregues. Outras chegaram pela metade em cima da hora do desfile. Sem os adereços, integrantes da escola foram para a avenida exibindo cuecas, calcinhas e sutiãs.

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Nem mesmo a rainha de bateria, Sabrina Sato, recebeu a roupa com antecedência. A fantasia de onça jaguatirica – um tipo de segunda pele, que não fazia jus ao posto que ela ocupa – foi entregue por um motoboy no camarote da Brahma, momentos antes da escola entrar na avenida. “Eu estava tão nervosa. Mas carnaval é assim mesmo. No fim dá certo”, minimizou a apresentadora e humorista. “Não compromete em nada”.

Carros incompletos – Algumas alas desfilaram com ordens trocadas. A meia hora de a escola entrar na avenida, duas das cinco placas que compunham a comissão de frente não haviam chegado. Foram montadas às pressas e fizeram bonito efeito para representar xilografias se tornando tridimensionais.

Sem patrocínio, a Vila Isabel enfrenta problemas financeiros desde o ano passado. O carnavalesco Cid Carvalho deixou a escola em novembro por atrasos no pagamento de funcionários. Reassumiu em janeiro, quando as arestas foram aparadas. “Fizemos o que foi possível fazer. Trabalhamos, lutamos, fizemos um desfile lindo dentro das possibilidades”, afirmou Carvalho.

Com a falta de fantasias para mais de 70 composições, integrantes da escola de samba Vila Isabel desfilam de roupa azul na Marquês de Sapucaí

Com a falta de fantasias para mais de 70 composições, integrantes da escola de samba Vila Isabel desfilam de roupa azul na Marquês de Sapucaí (VEJA)

A Vila apresentou enredo sobre a diversidade dos biomas brasileiros e as faces do povo. Trouxe de volta à avenida assuntos já batidos no sambódromo, mas sem inovações: aspectos do folclore brasileiro, a Floresta Amazônica, o sertão nordestino (as esculturas de Mestre Vitalino, que já haviam aparecido em carro da Mocidade, mais cedo, voltaram à passarela).

O grande trunfo da escola foi a emoção com que os componentes cantaram o samba. Muitos comoveram o público ao entoar os versos “o sangue azul tá na veia com certeza / o sangue e é minha natureza / é bom lembrar / tem que respeitar”. Sabrina Sato também brilhou: com carisma, simpatia e samba no pé, garante lugar entre as grandes madrinhas da Marquês de Sapucaí. Mas a musa dificilmente evitará que a escola perca muitos pontos na apuração.

(Com Estadão Conteúdo)