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Roman Polanski tem momentos divertidos em thriller menor

“D’Après Une Histoire Vraie” mostra a amizade entre uma escritora e uma fã

Roman Polanski está de volta a território que conhece bem com o thriller D’Après Une Histoire Vraie (“baseado numa história real”, na tradução livre), exibido fora de competição no 70º Festival de Cannes. Mas o filme, embora por vezes divertido, não chega nem perto de ser tão bom quanto outros trabalhos seus no mesmo gênero – aos 83 anos de idade, o diretor tem uma bela folha de serviços prestados ao cinema, incluindo O Inquilino e O Bebê de Rosemary.

Pela primeira vez, Polanski tem duas mulheres como protagonistas. Delphine (Emmanuelle Seigner) conhece Elle (Eva Green) no lançamento de seu novo livro. Elle é simpática e direta, sacudindo a escritora, que está solitária e sofrendo para se dedicar a seu novo projeto. Aos poucos, porém, Elle vai tomando espaço na vida de Delphine, escrevendo seus discursos e mandando e-mails em seu nome.

Baseado no romance de Delphine de Vigan e com roteiro de Polanski em parceria com o também cineasta Olivier Assayas (Personal Shopper), D’Après Une Histoire Vraie não explora um tema exatamente novo. A amizade feminina levada a extremos lembra Mulher Solteira Procura (1992), de Barbet Schroeder, enquanto a devoção exagerada de uma fã a um escritor tem ecos de Louca Obsessão (1990), de Rob Reiner. Mas falta ao longa-metragem tensão e um melhor desenvolvimento dos personagens.