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Quem são as mulheres corajosas do Festival de Cannes?

Nicole Kidman, Tilda Swinton e Isabelle Huppert encaram papéis destemidos na edição deste ano

John Cameron Mitchell definiu muito bem durante uma entrevista: são poucas as atrizes corajosas como Nicole Kidman. “Não vejo a Kate Winslet trabalhando com o Lars Von Trier”, comentou o diretor, que trabalhou com Kidman em Reencontrando a Felicidade (2011) e repete a dose com How to Talk to Girls at Parties, exibido fora de competição no 70º Festival de Cannes. A atriz também tem no currículo filmes com o alemão Werner Herzog e o sul-coreano Park Chan-wook, além de Lee Daniels, para quem fez cenas beirando o mau gosto em Obsessão. Nicole Kidman é a rainha de Cannes neste ano, onde compete com dois filmes – O Estranho que Nós Amamos, de Sofia Coppola, e The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos – e ainda está na série Top of the Lake: China Girl, de Jane Campion. Para Mitchell, a americana criada na Austrália só encontra rivais na inglesa Tilda Swinton e na francesa Isabelle Huppert – não à toa, as duas também estão na competição, com Okja e Happy End, respectivamente.

Nicole Kidman, que completa 50 anos em menos de um mês, está numa fase e tanto. Neste ano, ela também interpretou uma mulher que sofre nas mãos do marido abusivo na série da HBO Big Little Lies. “Nunca trabalhei tanto, e isso é porque posso fazer cinema e televisão”, disse em Cannes, onde também prometeu fazer filmes dirigidos por mulheres a cada dezoito meses. Depois de Sofia Coppola, a próxima é Rebecca Miller, em She Came to Me.

Quase sem maquiagem, ela faz uma mulher que tenta proteger suas meninas num internato durante a Guerra Civil Americana (em O Estranho que Nós Amamos), enquanto lida com a própria sexualidade reprimida ao acolher um soldado inimigo (Colin Farrell). Também quase sem maquiagem, interpreta a mãe que vê seus filhos adoecerem misteriosamente, pelas ações do marido (Colin Farrell de novo) em The Killing of a Sacred Deer. É uma punk de cabelos descoloridos em How to Talk to Girls at Parties e uma mãe que se assume lésbica em Top of the Lake: China Girl.

Isabelle Huppert, que concorreu ao Oscar este ano pelo polêmico Elle, de Paul Verhoeven, já aprontou mil e umas para o austríaco Michael Haneke, inclusive fazendo cenas de automutilação. Em Happy End, em que vive uma empresária enfrentando problemas financeiros e fazendo parte de uma dinâmica pouco saudável em sua aristocrática família, também tem uma cena violenta, breve, mas impactante.

Em Okja, Tilda Swinton faz uma CEO mais moderna, meio na linha Steve Jobs, que lança um concurso mundial para escolher um superporco descoberto por sua empresa. Claro que as intenções da companhia não são tão bacanas quanto parecem, e Tilda abraça o tom de farsa sem medo.