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Portela e Unidos da Tijuca desfilam como favoritas

Segunda noite do Grupo Especial teve desfiles equilibrados. Apresentação sem erros da escola de Madureira e espetáculo competente da Tijuca fizeram a diferença. Problema em carro alegórico deve tirar pontos da Imperatriz

Nem sempre a Marquês de Sapucaí traz um desfile explosivo, emocionante e que permite a uma escola apresentar-se como campeã inquestionável. Mas era essa a expectativa no ano seguinte à conquista da Vila Isabel, que produziu um encantamento capaz de ofuscar imperfeições técnicas. Depois de duas noites de desfiles, a tal explosão ficou apenas na vontade, restando a sensação de um equilíbrio incômodo entre muitas agremiações. Pior para o público, que terá muitas razões para manifestar sua incompreensão sobre o resultado que surgirá do trabalho dos jurados. A apuração do Carnaval do Rio ocorre na tarde desta quarta-feira, na Sapucaí.

Grande Rio, Salgueiro, Beija-Flor, União da Ilha e Imperatriz Leopoldinense fizeram desfiles impactantes e se revezaram no posto de favoritas. Mas, no apagar das luzes, Portela e Unidos da Tijuca ultrapassaram as concorrentes na corrida pelo título do Grupo Especial. As duas agremiações foram as últimas a cruzar a Avenida e presentearam quem se manteve nas arquibancadas ou, em casa, aceso em frente à TV.

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Na primeira noite, desfiles belos mas pouco empolgantes

Maior campeã da história do Carnaval, a Portela nunca esteve tão perto de quebrar um jejum que completa exatos 30 anos – mesma idade do Sambódromo. O último título da escola de Madureira foi justamente na inauguração da Passarela do Samba, em 1984. Agora, em 2014, a azul-e-branca é uma das favoritas graças a um desfile praticamente sem erros. Mais do que o desfile propriamente dito, a emoção estava em testemunhar o renascimento de uma das mais tradicionais escolas de samba, presente na origem de muito do que se conhece hoje como um desfile de alto nível.

Sob nova administração, a Portela mostrou que voltar aos bons tempos era mais simples do que se pensava. Os fundamentos sempre estiveram por lá: samba, bateria e “chão”, termo usado para designar escolas com componentes valentes e apaixonados. Bastou melhorar o quesito organização para ser alçada de volta ao topo. A Portela começou com um bom enredo, intitulado “Um Rio de mar a mar: do Valongo à Glória de São Sebastião”. Na proposta, a Avenida Rio Branco é um rio que liga dois lados da Baía de Guanabara, por onde atravessam elementos da história da Cidade Maravilhosa.

Praticamente sem falhas, a Portela teve uma entrada impactante, usando e abusando da águia – símbolo da escola. A comissão de frente saía do abraço de uma águia para uma exibir uma bela performance na pista. A seguir, a porta-bandeira Danielle Nascimento vestia uma fantasia da ave, enquanto o mestre-sala Diogo Jesus representava o padroeiro da cidade São Sebastião através do sincretismo com o orixá Oxóssi. Já o carro abre-alas trouxe 22 águias, em alusão aos 21 de títulos da Portela e mais um futuro triunfo.

A bateria, que desfilou fantasiada de Oxóssi, teve uma apresentação impecável. Outro destaque do desfile da Portela foi o tripé “Desperta o gigante”, que simbolizava as tradicionais manifestações na Cinelândia. A escultura de um gigante de levantava, arrancando gritos dos espectadores.

Logo depois da Portela, foi a vez da Unidos da Tijuca. A escola do carnavalesco Paulo Barros homenageou o piloto Ayrton Senna, com o enredo ” Acelera, Tijuca!”. Também quase sem falhas, a Tijuca se confirmou como uma das favoritas e o maior obstáculo da Portela.

Mais uma vez, a comissão de frente da Tijuca empolgou. Os coreógrafos Rodrigo Neri e Priscilla Mota apresentaram personagens de desenho animado, um ator no papel de Senna, muitos troféus e até um carro de Fórmula 1. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Julinho e Rute foram outro ponto alto.

Mocidade – De longe, os desfile da segunda-feira superaram os da véspera. A Mocidade Independente foi a primeira da noite, com o enredo “Pernambucópolis”. A escola de Padre Miguel fez o seu melhor desfile nos últimos anos. O conjunto de fantasias e alegorias traduziram bem o enredo, sempre com bom gosto. A bateria esteve inspirada e é um dos destaques.

Em seguida, a União da Ilha encantou com um enredo sobre brinquedos. Com as alegorias e fantasias extremamente criativas e bonitas, o desfile foi de fácil leitura, o que cativou o público. A escola entra na briga por uma vaga no desfile das campeãs.

Vila Isabel – Na sequência, a Vila Isabel protagonizou a maior decepção desse ano. A atual campeã, que sofre com problemas financeiros, fez um desfile cheio de problemas. O pior deles foi a falta de fantasias – ou de parte delas – em várias alas. A escola deve ocupar as últimas colocações.

Com uma homenagem a Zico, a Imperatriz Leopoldinense fez um desfile quase perfeito. A escola certamente brigaria pelo título, mas um problema na entrada do último carro alegórico pôs tudo a perder. Justamente a alegoria que trazia o maior ídolo do Flamengo parou no meio do caminho, enquanto o restante da escola se afastava. O resultado foi um buraco gigantesco, que alcançou as duas primeiras cabines de julgadores e prejudicou os quesitos Evolução, Harmonia e Conjunto. De qualquer forma, vai ocupar uma das primeiras colocações.