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Para Deborah Secco, sexo no cinema é como “rir ou chorar”

Atuação ousada em 'Bruna Surfistinha', com inúmeras cenas de nudez e diálogos picantes, rende aplausos durante a sessão no Cine Odeon, no Rio

“Fazer cena de sexo é um tabu que, para mim, já caiu há tempos em minha carreira. Nunca enxerguei como empecilho”

Tomado por fãs do lado de fora, extensas filas de convidados e com direito a tapete vermelho na entrada, o Cine Odeon, no Centro do Rio de Janeiro, viveu ontem noite aos moldes das pré-estreias hollywoodianas com a primeira exibição pública do filme Bruna Surfistinha. Estrela do longa-metragem que estreia nesta sexta-feira em mais de 400 salas Brasil afora, a atriz Deborah Secco, que dá vida na tela à garota de programa que alcançou fama ao contar suas intimidades em blog na internet e no livro O Doce Veneno do Escorpião, emocionou-se ao discursar antes da sessão. Terminada a projeção, recebeu acalorados cumprimentos de amigos, familiares e da classe artística. As inúmeras sequências de nudez e sexo do filme continuam, obviamente, no centro de tudo que ronda o filme.

“Fazer cena de sexo é um tabu que, para mim, já caiu há tempos em minha carreira. Nunca enxerguei como empecilho. É como fazer uma cena rindo ou chorando, por exemplo”, respondeu, ao final da sessão. A ausência do marido, o jogador Roger Flores, foi sentida. Ciúmes? “Ele está concentrado. O Roger me conheceu atriz e entende meu trabalho. Não teria por que sentir ciúmes”, esclareceu a atriz, que escolheu para a sessão de gala um vestido nude da estilista brasileira Lethicia Bronstein, com decote nas costas, e um penteado de coque trançado.

O que se vê na tela é adrenalina pura: na pele da garota de classe média que abandona a casa dos pais e mergulha no mundo da prostituição, Deborah, corpo perfeito, protagoniza várias cenas de topless, outras de nudez quase total, contabiliza inúmeras sequências fortes de sexo nas mais variadas posições. Simula urinar sobre um dos clientes, usa um cinto acoplado com um pênis de plástico e, num dos momentos de maior voltagem erótica, anuncia à fila de homens asquerosos que aguardam para fazer com ela o programa a 20 reais: “Pode mandar o próximo, que hoje eu não vou dar, vou distribuir”.

A sequência pontua o avanço no merdulho de Raquel Pacheco no mundo da prostituição. A garota que começa a ganhar a vida com sexo pago numa simplória casa de prostituição – comandada no cinema por Drica Moraes – cai no gosto da clientela e resolve apostar no codinome Bruna Surfistinha, postando na internet suas especialidades e atribuindo notas aos clientes: “Bruna Surfistinha: atendo homens, mulheres, casais e faço festinhas”, anuncia.

A pré-estreia teve, na platéia, uma pequena constelação. Estava lá parte do elenco que contracena com Deborah em Insensato Coração, como Gabriel Braga Nunes, Herson Capri e Ricardo Tozzi, e atores como Selton Mello e Giulia Gam . “Todas as mulheres têm o desejo de encarnar uma prostituta nem que seja por uma noite na vida”, sintetizou Giulia.


O filme arrancou aplausos em vários momentos da pré-estreia. Em um desses momentos de êxtase do público, Bruna, embriagada, está em um carro com colegas de profissão e é parada por um policial. Ela, então, propõe ao homem da lei um ‘carinho gratuito’ em troca da ausência de multas. O que se dá em seguida é mais uma das cenas em que Deborah Secco deixa os espectadores sem fôlego. Com o ator Juliano Cazarré – que interpreta um raro cliente com quem Bruna sente prazer – Deborah estrela outra sequência incendiária, turbinada por acalorados beijos com línguas expostas.

O que salta aos olhos é indiscutivelmente a atuação de Deborah Secco e a tensão sexual permanente na tela. Mas o filme desponta, a julgar pela reação do público, como uma coroação para o diretor Marcus Baldini, que, com a escolha de uma receita ‘matadora’ – sexo, fenômenos que correm na internet e inconseqüência juvenil – credencia-se para disputar um lugar ao sol entre os blockbusters nacionais. Tudo embalado por uma trilha sonora igualmente eletrizante.

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