Os ídolos pop da literatura juvenil

Bienal do Livro abre alas para um segmento repleto de best-sellers com espaço para jovens leitores se aproximarem de seus autores preferidos

A comoção na porta do hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, foi digna de popstar internacional. Mas a estrela em questão faz parte de uma categoria relativamente recente nessa turma que faz adolecentes dar gritinhos, roer unhas e bater palmas de felicidade quando conseguem uma foto com seu ídolo. Além de cantora e estrela de seriado de televisão, Hillary Duff é escritora, e é no desempenho desse papel que ela está no Rio de Janeiro, convidada para a XV Bienal Internacional do Rio de Janeiro. Seu livro Elixir, lançado no Brasil pela editora iD, está na lista dos mais vendidos do The New York Times e confirma o fabuloso potencial da literatura juvenil.

Na Bienal do Rio, esse rico filão está sintetizado em um espaço novo, o Conexão Jovem, que vai receber Hillary e outros fenômenos de vendas. Também participarão das sessões de bate-papo e tietagem explícita Alyson Noël, cuja série Os Imortais (Editora Intrínseca) vendeu mais de 300 mil exemplares em um ano e meio no Brasil; Lauren Kate, da série Fallen, e a best-seller brasileira Thalita Rebouças, que estourou com a série “Fala sério” (mãe, pai, professor etc) e no final de junho comemorou a venda de seu primeiro milhão de livros. O fenômeno é mundial. Segundo Jorge Oakim, da Intríseca e Ana Lima, do selo Galera Record, (Grupo Record) tanto na Europa, como nos Estados Unidos, este é o setor que mais cresce.

Cena da primeira parte de Crepúsculo - Amanhecer

Cena da primeira parte de Crepúsculo – Amanhecer (VEJA)

Meg Cabot, autora americana da série de dez volumes, O Diário da Princesa e da série As leis de Allie Finkle para meninas (Galera Record), pode ser considerada uma autora best-seller no Brasil, pois já ultrapassou a faixa de um milhão de títulos vendidos.

Atualmente, quem vem ocupando os primeiros lugares de venda é o americano Rick Riordan, autor de O Herói Perdido, O Ladrão de Raios e O Último Olimpiano, editado no Brasil pela Editora Intrínseca. A série Percy Jackson e os Olimpianos, sobre mitologia grega, vendeu, só aqui, 1,4 milhão de exemplares.

A temática predileta dos autores juvenis versa sobre titãs, semideuses, magia e vampiros, mesclados com uma dose de romance e fantasia – que atrai também adultos que gostam de mitologias e aventura. Um filão iniciado pelo escritor britânico J.R.R. Tolkien, cujo O Senhor dos Anéis, escrito entre 1937 e 1949 e traduzido para mais de 40 línguas, vendeu mais de 150 milhões de cópias, tornando-se um dos trabalhos mais populares da literatura do século XX. A escola de Tolkien tem entre seus seguidores Stephenie Meyer, autora da saga de amor de Bella Swann pelo vampiro Edward Cullen – que rendeu à Editora Intrínseca seu primeiro best-seller, com O Crepúsculo e Lua Nova – – Editora Intrínseca),e a já clássica J.K. Rowling, de Harry Potter.

Ao ver esse mercado crescer, algumas editoras passaram a criar selos exclusivos para atender a esse setor, como é o caso da Galera Record, do Grupo Record e da Rocco Jovens Leitores, da Editora Rocco.

No Brasil, Pedro Bandeira, autor de a, A Droga da Obediência, A Droga do Amor, da série Os Karas (Editora Moderna) e de mais de setenta livros, dentre eles alguns infantis, até 2010, tinha vendido mais de vinte e dois milhões de exemplares.

E preparem-se: com a era dos livros digitais – as editoras já estão se movimentando para o lançamento dos títulos em e-book – a galera familiarizada com iPhones e iPads, com a possibilidade de baixar os livros em seus gadgets, vai ler ainda mais.