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Obra que denuncia pedofilia é tirada de museu acusada de incitá-la

Uma pintura da artista Alessandra Cunha, conhecida como Ropre, foi levada pela polícia civil na última quinta-feira, do Marco, em Campo Grande

Em meio à polêmica do encerramento antecipado da exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em Porto Alegre, depois de uma grita reacionária nas redes sociais, outro caso de denúncia relacionada às artes plásticas aconteceu em Campo Grande (MS). O quadro Pedofilia, da artista Ropre, nome de trabalho de Alessandra Cunha, foi retirado do Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul) pela Polícia Civil na última quinta-feira (14), acusado de incitar um crime que, na verdade, ele denuncia.

“Acredito que o tema é tão tabu, que não podemos nem tocar no nome. Não se pode nem usar a palavra ‘pedofilia’ para dar título a uma pintura que vão se ofender, já que na pintura em si não há nenhuma imagem de violência em si, ela apenas denuncia que isso existe em nossa sociedade”, explica a artista.

A ação foi resultado de um boletim de ocorrência aberto pelos deputados estaduais Paulo Siufi (PMDB), Herculano Borges (Solidariedade) e Coronel David (PSC) na Depca (Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente), logo após uma sessão parlamentar na qual o tema da mostra cancelada no Rio Grande do Sul foi apresentado por outro servidor, o deputado Lídio Lopes.

Responsável pela apreensão, o delegado Fábio Sampaio falou a VEJA sobre o ocorrido. “Eu entendi, juntamente com um colega da delegacia, que aquele quadro configuraria apologia ao crime de pedofilia ou ao criminoso, porque é um quadro em que aparecem dois homens com o pênis à mostra e uma criança no meio”, disse sobre a averiguação que fizeram no museu após a abertura do boletim, que levou à apreensão da obra.

Embora o boletim tenha mencionado a existência de mais obras consideradas pelos denunciantes como ofensivas, impróprias, e contra a moral e os bons costumes, segundo o delegado, não foram necessárias outras apreensões porque a própria instituição de arte já teria elevado a classificação indicativa da exposição, de 12 para 18 anos, no momento em que a dupla chegou ao local. A alteração foi confirmada pelo secretário estadual de Cultura, Athayde Nery, que afirmou que todos os cuidados necessários foram tomados. “Aumentamos a idade permitida diante das manifestações causadas pela obra”, disse. “Mas todas as excursões de alunos foram realizadas com acompanhamento e monitoramento de professores.”

Para Nery, há dois pontos positivos sobre a exposição ter virado caso de polícia. “Agora, todos sabem onde é o Museu de Arte Contemporânea”, apontou. “E a obra acabou suscitando um debate importante. A pedofilia é uma das chagas insuportáveis da sociedade e acontece silenciosamente”, afirma Nery, que explicou que a intenção da artista nunca foi a de estimular a pedofilia, muito pelo contrário, mas de combatê-la.

No final da tarde desta sexta-feira (15), Athayde Nery conseguiu recuperar a obra, conversando com o delegado Fábio Sampaio. “O quadro não vai voltar para a exposição, vai ficar retido sob minha guarda até o debate terminar”, comentou.

Comentários

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  1. davi vieira amador

    É lamentável que tenha ocorrido tal exposição. É lamentável que a Veja, ao invés de apenas noticiar, defende tal transgressão moral e ética. É lamentável que a matéria tenha feito comparações do tipo “Leda e o Cisne” com imagens de homens sodomizando macaco que ao mesmo tempo faz oral em outro homem. É lamentável que a Veja chame de arte o desenho onde lê-se ” Criança viada deusa das águas”. Por quase final, é lamentável que a Veja glorifique a exposição de tais imagens em via pública, principalmente em prédio. Resumo. Sei que vocês da revista Veja (que tanto criticam a censura e a intolerância, inclusive na matéria em questão), CENSURARÃO E NÃO PUBLICARÃO OS MEUS COMENTÁRIOS. Mas deixo claro que após mais de 10 anos de assinante, vou cancelar a minha assinatura justamente por causa dessa visão/defesa totalmente contra a instituição família. Justamente como fizeram vários clientes do Santander.
    Obs.: não sou evangélico, apenas pai e avô de família tradicional.

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