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O detestável J.R. e o gentil Bobby Ewing estão de volta no remake de “Dallas”

Vinte anos após conquistar os amantes dos acertos de contas e intrigas em meio ao rico mundo dos poços de petróleo do Texas, “Dallas” e a família Ewing retornam nesa quarta-feira às telinhas americanas com os inesquecíveis J.R., Bobby e Sue Ellen, que agora precisam lidar com sua turbulenta prole.

Foi o canal a cabo TNT que decidiu recolocar em ação essa série de sucesso, que brilhou nas noites da televisão americana de 1978 a 1991.

Ao contrário de outras séries mortas revividas nos últimos anos – “Melrose Place”, “90210 Berverly Hills”, dois fracassos -, “Dallas” está de volta com o melhor do elenco original, envelhecido, mas corajos: o inescrupuloso J.R. , vivido por Larry Hagman, 80 anos, sua esposa Sue Ellen, a eterna alcoólica humilhada (Linda Gray, 71 anos), e o gentil Bobby (Patrick Duffy, 63 anos).

“Francamente, é uma bênção”, declarou Linda Gray nas notas de produção da série. “Foi surreal quando anunciaram o nosso retorno. Nós ficamos emocionados”.

“Dallas” baseou o seu sucesso em fins de episódios cheios de suspense (chamado de “cliffhanger”, em inglês) e reviravoltas inesperadas, como o famoso episódio em que J.R. é morto a tiros por Bobby, mas que posteriormente é explicado pelos roteiristas como um sonho de sua esposa Pamela (Victoria Principal) para justificar a ressurreição do personagem uma temporada depois.

A rivalidade e a luta pelo poder em uma dinastia de magnatas do petróleo e pecuaristas continua a ser o coração de “Dallas”, de acordo com a TNT. Mas ao ódio da geração mais velha, agora são adicionados os acertos de novas contas.

Se a presença dos antigos atores deve atrair os nostálgicos dos anos 1980, os novos estão destinados a brilhar na televisão americana.

John Ross Ewing Jr. – tão maquiavélico, perverso e ambicioso quanto seu pai – é interpretado por Josh Henderson, enquanto o filho adotivo de Bobby e Pamela, Christopher, é encarnado por Jesse Metcalfe.

Os fãs de “Desperate Housewives” vão reconhecer seus ídolos: o primeiro interpretava o sobrinho de Edie Britt (Nicollette Sheridan), enquanto o segundo era o jardineiro bonitão e amante de Gabrielle (Eva Longoria).

Os roteiristas também deram uma namorada para Christopher, Rebecca Sutter (Julie Gonzolo), enquanto o papel do alpinista social disposto a qualquer coisa é interpretado por Elena Ramos (Jordana Brewster), filha do antigo chefe de cozinha dos Ewing

Com roteiro assinado por Cynthia Cidre – autora de “Os reis do mambo” (1992), com Antonio Banderas -, esta será a primeira vez que uma mulher estará no controle da história, o que não desagrada em nada Linday Gray.

“Dallas original estava muito focado nos homens. Eles faziam alguma coisa e nós (mulheres), reagíamos. Os produtores, roteiristas, todos eram homens”, observa. “Quando vi o nome de Cynthia na capa do roteiro, pensei: isso é formidável, as mulheres finalmente tomaram o poder!”.

Agora é preciso que a série encontre o seu público, o que nenhum “remake” de televisão conseguiu até agora. Mas Larry “J.R.” Hagman, também conhecido por ser o eterno Major Nelson da adorável comédia “Jeannie é um gênio”, está confiante.

“Quando o primeiro Dallas foi ao ar, o país enfrentava uma grave recessão e as pessoas não podiam sair porque não podiam pagar uma babá”, declarou numa recente coletiva de imprensa.

“Então eles tinham que ficar em casa sexta à noite e assistir algo. E nós estávamos lá. E agora aqui estamos nós de novo, no mesmo contexto”.